O preço do QAV (Querosene de Aviação) vai cair de novo em outubro, de acordo com informações divulgadas pela Petrobras (PETR4).
Segundo a empresa, o valor do QAV vendido às distribuidoras de combustível vai cair 0,84% a partir de 1 de outubro. Esta é a terceira redução seguida nos preços, que antes tinham caído 10,4% em setembro e 2,6% em agosto.
A notícia é positiva para as companhias aéreas, que tentam se reerguer da crise enfrentada durante a pandemia de Covid-19.
No entanto, ainda está longe de significar alívio para estas empresas, que continuarão pagando mais que nos últimos anos para abastecer as aeronaves.
Em setembro de 2019, ano que antecedeu a pandemia, o preço do QAV vendido pela Petrobras era de aproximadamente R$ 2.100 por metro cúbico, sem levar em consideração a cobrança de impostos.
Em maio de 2020, o valor chegou a cair para perto de R$ 1.150. Naquele período, a demanda pelo combustível despencou por causa de restrições às viagens aéreas impostas para conter o avanço da Covid-19.
Um ano depois, porém, o QAV já estava custando o dobro, e em setembro deste ano o preço está em torno de R$ 5.000 por metro cúbico.
Por volta das 12h15, as ações da Azul (AZUL4) subiam 0,13%, para R$ 15,55, enquanto as da Gol (GOLL4) tinham queda de 0,55%, a R$ 9,09.
Aéreas acham que Petrobras cobra caro
A Petrobras disse que os ajustes no preço do QAV são mensais e acompanham as variações do valor do produto e da taxa de câmbio.
A companhia também disse que vende o combustível importado ou produzido em suas refinarias para distribuidoras, e que são estas companhias as responsáveis por transportar e vender o produto para as empresas de transporte aéreo e outros consumidores finais nos aeroportos.
Segundo a Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas), o QAV representa mais de um terço dos custos das companhias do setor, e no Brasil chega a custar mais de 40% do preço médio global.
Parte disso, segundo a associação, é culpa da política de preços da Petrobras, que define o valor do QAV levando em consideração a taxa de câmbio do dólar. De acordo com a Abear, essa metodologia faz pouco sentido porque 90% do combustível consumido no Brasil é produzido dentro do país.
Além disso, a associação também atribui o preço alto do combustível no Brasil ao fato de os governos estaduais taxarem o QAV com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).