Itaú (ITUB4) mantém inadimplência nas rédeas e não muda projeções para 2022; veja análise

A carteira de crédito consolidada cresceu 13,9% em 12 meses, para R$ 1,03 trilhão

Foto: Shutterstock

Fechando a temporada de balanços dos grandes bancos privados, o Itaú (ITUB4) divulgou seu resultado do primeiro trimestre de 2022 na manhã desta segunda-feira (9). Os números são considerados sólidos, mas as ações do banco sofrem com a queda generalizada do mercado.

Por volta das 13h50, os papéis preferenciais do Itaú recuavam 1,68%, para R$ 23,39, enquanto o Ibovespa reportava a sétima queda nos últimos oito pregões. 

Entre os vários alvos do mercado no trimestre, o resultado recorrente gerencial do banco foi elevado em 15,05% na comparação com o mesmo trimestre de 2021, acima das expectativas do mercado e superior em relação a Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4).

Destaque também para a margem financeira com clientes, dada a reprecificação dos produtos na conjuntura de maior taxa de juros. 

Essa margem cresceu 23,9% em um ano, para R$ 20,03 bilhões – melhor desempenho da indústria em termos de crescimento. Na ponta contrária, a margem financeira com mercado sofreu com o aumento da Selic e caiu 59,1% em 12 meses. 

A carteira de crédito consolidada da maior instituição financeira do Hemisfério Sul cresceu 13,9% em 12 meses e 0,5% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, para R$ 1,03 trilhão.

A carteira com pessoas físicas, de R$ 347,4 bilhões, equivale a 41,81% da operação no Brasil e 33% da carteira total. 

Nesse sentido, o destaque ficou para cartões de crédito, que avançaram 41,4% em 12 meses, em um movimento de mercado sazonal e esperado, e que oferecem maior retorno potencial em função de melhor spread, mas também com mais risco.

Mesmo com o cenário nebuloso à frente, o banco mostrou solidez na contenção da inadimplência, e os calotes curtos (aqueles entre 15 e 90 dias) parecem não incomodar o futuro da qualidade de crédito.

Itaú lida melhor com inadimplências

A grande preocupação dos investidores neste ano diz respeito à já esperada queda da qualidade dos empréstimos.

A indústria espera que os índices de inadimplência voltem aos patamares do pré-pandemia, sobretudo porque a economia demora a acelerar e a poupança das famílias está menor.

O índice mais observado é o superior a 90 dias, que mostra o percentual de empréstimos que correm risco de não serem pagos, já que não são de curtíssimo prazo. 

No caso do Itaú, esse índice consolidado ficou em 2,6%, avanço de apenas 10 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2021. A expectativa é que o índice avance para o patamar pré-Covid, entre 2,9% e 3,1%.

A dúvida que ficou para o mercado é o carrego que os índices de inadimplência entre 15 e 90 dias pode levar para os calotes de médio e longo prazo. 

Especificamente para pessoas físicas, o Santander viu os calotes de até três meses subirem preocupantes 0,9 pp, enquanto o Bradesco observou um aumento de 0,8 pp.  O Itaú, por sua vez, mantém a menor taxa após um avanço de 0,4 pp, todas na comparação com o trimestre imediatamente anterior. 

Assim como o Bradesco, que manteve as provisões fortes ao longo dos últimos trimestres, o Itaú fica confortável com o nível de provisionamento. O saldo atual é de R$ 49,84 bilhões, sendo que a despesa de PDD (Provisões para Devedores Duvidosos) voltou a subir no primeiro trimestre, para R$ 6,99 bilhões. 

Positivamente, um pé à frente e outro atrás

Apesar do forte desempenho no primeiro trimestre, sobretudo em termos de carteira de crédito e margens com clientes, o Itaú mantém a cautela e permanece com o guidance apresentado ao mercado no início deste ano.

Diferentemente do Bradesco, que teve de ajustar a rota das projeções após o resultado do primeiro trimestre de 2022, o Itaú entende que as estimativas estão de acordo com o esperado para este ano.

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A deterioração das expectativas para a inflação e aumento acelerado da taxa de juros devem convergir para que as margens sejam um pouco mais pressionadas ao longo dos próximos trimestres e que as projeções sejam batidas em comparação a 2021. 

A manutenção do guidance, que serve como um mapa para o mercado, é uma boa notícia para os investidores e mostra que a gestão do Itaú está com os riscos e potenciais sob controle, e que já no início do ano tinha uma dimensão apurada sobre o que esperar para 2022.

Metas para XP e dividendos

Na teleconferência de resultados, realizada na manhã desta segunda, o CEO do banco, Milton Maluhy Filho, explicou ao mercado que a decisão sobre a venda da participação na XP Inc. (XPBR31) será puramente econômica e não deve ser realizado um spin-off, como no ano passado.

Conforme esperado, o Itaú efetivou a compra de 11,36% do capital social da XP por R$ 8 bilhões no fim de abril. A opção de compra já estava fechada desde 2017, com autorização do Banco Central.

Atualmente, a fatia equivale a US$ 1,19 bilhão, ou R$ 6,09 bilhões na cotação atual. Naturalmente, se a posição fosse vendida logo após a compra, não haveria ganho de capital.

Por isso, o banco entende que é momento de analisar o contexto e esperar a melhor oportunidade para alienar a posição – e que isso pode ser feito por meio de venda em blocos (block trade). 

O foco agora está em vender 1,37% dessa fatia, segundo Maluhy Filho, para que o capital do banco não seja impactado e, consequentemente, seu índice de Basileia. 

Fato é que o Itaú não tem interesse em continuar como acionista da fintech. Os investidores, por sua vez, se perguntam o que o banco fará com o capital da venda e se isso pode impactar o processo de pagamento de dividendos. 

Segundo o CEO, o preço por ação vai acompanhar o lucro e, da mesma forma, também será maior. A expectativa dos investidores, principalmente pessoas físicas, é que o payout (parcela do lucro a ser distribuída) seja maior do que 25% (já chegou a ser de 40%), mas não há qualquer previsão dessa natureza.

O banco entrou em um ciclo de investimentos e percebe que tem caminho a ser percorrido em busca do crescimento, com investimentos em tecnologia, modernização dos processos (com migração para cloud) e centralização no cliente. 

Visão do mercado: momento é de oportunidade

Na opinião dos especialistas do mercado, as ações do Itaú estão descontadas, com múltiplos abaixo das médias históricas.

O banco retomou o patamar de rentabilidade acima de 20%, com ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) subindo quase 2 pontos percentuais em 12 meses. Esse nível de excelência parecia estar sob risco com a chegada dos bancos digitais. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

De acordo com dados compilados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, 15 analistas acompanham as ações do banco. Desses, dez recomendam a compra das ações e cinco entendem que o momento é de manutenção dos papéis.

O preço-alvo mediano para as ações do Itaú é de R$ 31, o que perfaz um potencial de valorização de 32% sobre o preço atual.

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