Rede D’Or (RDOR3) segue firme no plano de expansão e quer subir novo degrau com SulAmérica (SULA11)

No quarto trimestre do ano passado, a Rede D’Or entregou altas taxas de crescimento em seu balanço

Foto: Shutterstock

Dona de um caso de alto crescimento enquanto já é líder do setor em que atua, a Rede D’Or (RDOR3) entregou no quarto trimestre do ano passado – em sua maioria – o que vem prometendo ao mercado desde que abriu capital, como crescimento dos leitos e margens, a despeito do período desafiador. 

O mercado, porém, olhou os resultados com ceticismo, por conta da redução nas taxas de ocupação em relação ao final de 2020 e os prazo de recebimento de pagamentos. As ações da Rede D’Or fecharam o pregão desta quarta-feira (30) em queda de 3,34%, a R$ 49,78. 

A receita bruta da companhia somou R$ 5,71 bilhões no quarto trimestre e R$ 22,80 bilhões no consolidado anual. Na comparação com o quarto trimestre de 2020 e o ano anterior, as melhoras foram de 22% e 44,5%, respectivamente.

O lucro líquido atingiu R$ 419,5 milhões no quarto trimestre de 2021, avanço de 38,5% na comparação com o mesmo trimestre de 2020. Na base anual, o resultado líquido saiu de R$ 459,4 milhões em 2020 para R$ 1,67 bilhão no ano passado. 

A relevante melhora na capacidade de geração de receita da empresa já reflete, em parte, o impacto positivo das aquisições dos últimos meses. 

Desde o IPO, realizado na B3 no final de 2020, a empresa anunciou 17 compras que aumentaram sua capacidade em 2.213 leitos. O crescimento inorgânico neste período possibilitou à companhia desembarcar em quatro estados do país.

Nesse sentido, um dos destaques do período entre outubro e dezembro do ano passado foi o crescimento natural do segmento de oncologia. 

Sem somar aquisições para esta atividade, a oncologia representou 8,5% da receita bruta, atingindo R$ 486,7 milhões. A empresa visa ampliar seu market share ao longo dos próximos anos. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), medida que se aproxima da capacidade de geração de caixa da empresa, disparou 97,3% entre 2020 e 2021, para R$ 4,89 bilhões. 

Receita líquida da Rede D’Or já supera a observada na pandemia

Fonte: TradeMap
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Hospitais com quartos cheios

Os sólidos resultados da companhia também foram somados à boa taxa de ocupação da empresa – um dos vetores para o crescimento das margens. 

A taxa de ocupação consolidada da empresa ficou em 76,5% no quarto trimestre, 2,75 pontos percentuais (pp) acima do mesmo período de 2019, quando os procedimentos eletivos – que não são considerados de urgência ou de emergência – ainda estavam ocorrendo sem os impactos causados pela pandemia de Covid-19. 

Na comparação com o quarto trimestre de 2020, porém, a taxa caiu 1,09 pp. O mercado imaginava que esse processo iria ser inverso, uma vez que agora os procedimentos eletivos voltaram com força. 

A margem Ebitda da empresa teve uma retração de 2,4 pp na comparação anual, e uma baixa de 3,5 pp ante o trimestre imediatamente anterior. Mas, na foto anual, a margem cresceu 5,3 pp, para 27,9%. 

Um ponto de atenção do mercado é o ticket médio da empresa (calculado pela relação entre receita bruta total e número de pacientes-dia), que cresceu 9,1% entre 2020 e 2021, para R$ 9,4 mil. 

O avanço ficou levemente abaixo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), sendo que a meta da empresa é conseguir ampliar seus preços na ordem do indicador da inflação mais 1%.

Comparando os resultados de 2021 com os de 2019, porém, o crescimento reportado foi de 17,55%. Esse, sim, acima da inflação do período.

Impactos da Covid-19 na Rede D’Or

Os impactos da Covid-19, que por muito tempo pressionaram as margens da empresa e deixaram em segundo plano os procedimentos eletivos, foram arrefecidos pelo avanço da vacinação brasileira e, consequentemente, queda das hospitalizações.

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O número total de cirurgias cresceu de 250,7 mil em 2020 para 363,4 mil em 2021. O percentual de cirurgias complexas atingiu o maior patamar na série histórica, na ordem de 7,6%.

Segundo a empresa, na teleconferência de resultados realizada na tarde desta quarta-feira (30), a pandemia caminha para se tornar uma endemia, o que pode beneficiar a margem bruta.  

Compra da SulAmérica ainda a ser aprofundada

Em processo de aprovação por acionistas e órgãos reguladores, a Rede D’Or não trouxe grandes novidades sobre a aquisição da SulAmérica. 

O negócio, que avalia a seguradora em mais de R$ 15 bilhões, foi anunciado no dia 23 de fevereiro e pode unir a centenária empresa – que voltou seus esforços para a saúde nos últimos anos – e a imensa gestora de hospitais, fortalecendo a presença da Rede D’Or em São Paulo e Rio de Janeiro. 

Na teleconferência, a empresa apresentou um panorama qualitativo sobre as perspectivas de sinergias quando a operação estiver concretizada. 

Um dos principais fatores positivos do negócio diz respeito à redução do endividamento da empresa consolidada. 

Hoje, a Rede D’Or está firme em sua estrutura de capital, com pouco dinheiro de terceiros e, do outro lado, a SulAmérica tem caixa líquido e vai contribuir de imediato para aumentar o Ebitda e acelerar investimentos já planejados.

Em segundo plano, outras sinergias óbvias fazem referência à redução do custo de transação entre empresas e ganhos administrativos e tributários.

Um dos desafios, entretanto, surge na relação entre Rede D’Or e outros parceiros. A maior parte da geração de receita da Rede D’Or vem de planos de saúde como Bradesco Saúde.

Entre os pontos a serem discutidos pela empresa ao longo dos próximos meses está a estrutura do capital de giro. O prazo de recebimento cresceu em função de negociações com tais parceiros e a conjuntura econômica desafiadora. 

A situação, todavia, parece estar sob controle. Com as sinergias esperadas, as aquisições devem começar a trazer um fluxo de caixa operacional positivo novamente.

Na visão dos 13 especialistas ouvidos pela Refinitiv, as ações da Rede D’Or valem, na estimativa mediana, R$ 68. Dez analistas recomendam a compra dos papéis, enquanto três indicam a manutenção em carteira.

Fonte: TradeMap
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