Na manhã desta terça-feira (18), o barril de petróleo do tipo Brent atingiu sua máxima em sete anos, beirando os US$ 90. A commodity começou o ano de forma acelerada, com alta de 9% desde o primeiro dia de 2022, após avanço de 51% em 2021.
O patamar foi atingido depois de um ataque terrorista aos Emirados Árabes, o que pode despertar tensões regionais sensíveis à produção de petróleo.
O país é o sétimo maior produtor da commodity no mundo, extraindo cerca de 4 milhões de barris por dia. O Golfo Pérsico, por sua vez, é responsável por aproximadamente 40% do petróleo transoceânico no planeta.
Os preços da matéria-prima se mantêm em alta mesmo com a onda global de infecções pela variante Ômicron. A boa notícia é que as mortes continuam em tendência de queda, segundo dados compilados pela Universidade John Hopkins.
Histórico do registro de casos de Covid-91 (vermelho) e mortes (branco) no mundo, em base semanal

Darren Woods, presidente da Exxon Mobil, petroleira americana avaliada em US$ 310 bilhões, disse em entrevista nesta terça que à medida que a indústria comece a aumentar a produção, o nível da oferta poderá superar o patamar da demanda, arrefecendo os preços.
Woods, contudo, afirmou que é difícil prever quando o mercado poderá se equilibrar novamente, sobretudo por conta das diversas partes envolvidas. A principal delas é a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Nesta manhã, o cartel manteve a previsão de crescimento robusto da demanda pela commodity neste ano. O uso do óleo ultrapassará a marca de 100 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no terceiro trimestre, em linha com a previsão do mês passado.
A próxima reunião da Opep está marcada para o dia 2 de fevereiro.
Petróleo a US$ 100 já é realidade?
Demanda firme, acompanhada por restrições em alguns lugares do mundo. Essa conjuntura faz com que o Goldman Sachs acredite que a commodity possa ultrapassar a marca de US$ 100 nos próximos meses.
A instituição afirma que o mercado da commodity segue em “déficit surpreendentemente alto”, resultado de os impactos da Ômicron terem sido menores do que o estimado inicialmente.
Leia também:
Petrobras fecha 2021 com mais um desinvestimento; o que vem pela frente?
Os especialistas do Goldman mostram que a influência da variante na demanda por petróleo menor do que o esperado será compensada pela substituição do óleo pelo gás, pela escassez de produtos nos países da Opep, além da produção aquém do imaginado na Noruega e no Brasil.
A Opep, inclusive, cortou a previsão para a oferta brasileira neste ano, de 3,84 para 3,82 milhões de bpd.
Entre janeiro e novembro de 2021, houve declínio de 48 mil bpd na produção brasileira, frente a igual período do ano anterior, segundo o cartel. O resultado reflete a manutenção em algumas plataformas de extração, protocolos sanitários para conter a pandemia e o atraso no início de projetos.
Com a demanda suficientemente sólida e o aumento da produção questionável em todo o mundo, as petroleiras mundo afora se destacam em Bolsa.
Por aqui, a PetroRio (PRIO3) foi um dos destaques do pregão desta terça, com alta de 4,82%, a R$ 23,92.
Nos últimos 12 meses, as ações da petroleira valorizaram 63%, acompanhando tanto o desempenho das cotações do petróleo como a eficiência da empresa em custos.
O custo de extração (lifting cost, em inglês) da empresa chegou a superar US$ 44 por barril em 2018, e encerrou o terceiro trimestre de 2021 em US$ 12,3.
Via de regra, o desempenho das ações de empresas ligadas à exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural está vinculado a dois fatores principais: a cotação da commodity no mercado global e a produção do óleo, com atenção aos volumes praticados e custos envolvidos.
Segundo analistas ouvidos pelo Refinitiv, o bom contexto operacional representa oportunidade de compra dos papéis da PetroRio. São oito recomendações apresentadas na plataforma do TradeMap. Todas de compra.
No melhor dos casos, as ações poderiam subir para R$ 48. O preço-alvo mediano, contudo, é de R$ 28,50, com um modesto upside de 19% sobre a cotação atual.
Recomendações para PetroRio

Contudo, vale ressaltar que a indústria do petróleo ainda está longe do seu melhor momento histórico. O pico do Brent remete a julho de 2008, quando o barril atingiu a marca de US$ 146, pouco antes de a crise do subprime assolar os Estados Unidos.
Ainda há amplo espaço de recuperação para o petróleo, dado que a indústria de mobilidade — sobretudo a aérea — em todo o mundo ainda não opera em sua totalidade, com números abaixo do período pré-Covid.