As ações da Cosan (CSAN3) subiam 12% às 14h30 desta sexta-feira (6), cotadas a R$ 2,80, entre as maiores altas do Ibovespa. A alta acompanha notícias de que a holding está em negociações avançadas para vender 25% da Compass (PASS3), controladora da distribuidora de gás Comgás, a uma gestora de investimentos ligada ao governo de Abu Dhabi. A informação foi publicada pelo jornal Valor Econômico. Segundo o jornal, a operação seria feita por meio de uma venda privada, e não de uma oferta de ações na Bolsa, por causa do cenário de mercado menos favorável. Procurada pela imprensa, a Cosan disse que não vai comentar. Até o início da tarde, a companhia não havia divulgado fato relevante sobre o assunto.
A Cosan detém 76,18% da Compass, segundo o balanço do segundo trimestre, e continuaria como controladora mesmo depois da venda. O Bradesco BBI estima que a fatia de 25% vale cerca de R$ 3,5 bilhões a preços de mercado e avalia que uma transação privada pode sair com prêmio sobre a cotação. O valor é relevante diante do endividamento da holding: no fim de junho, a dívida líquida da Cosan somava R$ 9,2 bilhões, ou R$ 12,2 bilhões quando incluída uma operação de derivativos (TRS) ligada às ações da Rumo. As ações da Compass também sobem e avançavam 5,06%, a R$ 20,57, às 13h30.
A venda seria mais um passo do plano de redução de dívida da Cosan. Em maio, a holding vendeu parte da Compass em uma oferta de ações na Bolsa e ficou com cerca de R$ 2,3 bilhões líquidos. Em outubro, a companhia informou que as negociações para vender parte da sua participação na Rumo terminaram sem acordo. No mesmo comunicado, afirmou que "segue avaliando alternativas em todos seus ativos a fim de otimizar sua estrutura de capital". Dias depois, fechou um acordo com a Receita Federal que reduz em cerca de R$ 3,2 bilhões as contingências tributárias ligadas à Raízen pelas quais é responsável, com desembolso de aproximadamente R$ 200 milhões.
O pregão desta sexta é o terceiro seguido de alta: os papéis subiram 5,29% na quarta (4) e 4,60% na quinta (5). A recuperação, porém, cobre só uma parte das perdas recentes. No primeiro pregão após o segundo turno da eleição presidencial, em 26 de outubro, as ações da Cosan desabaram 46,7%. Em 2026, os papéis ainda acumulam queda de 47,37%.
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