As ações da Tenda (TEND3) recuavam 11,34% às 12h desta quinta-feira (5), cotadas a R$ 17,51, na maior queda do Ibovespa. A construtora divulgou na noite de quarta-feira (4) que teve lucro líquido de R$ 57,3 milhões no terceiro trimestre, queda de 48,7% na comparação anual e de 68% em relação ao trimestre anterior. O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado.
Parte da queda do lucro veio de uma despesa contábil de R$ 49,1 milhões com swaps atrelados às ações da própria companhia. O swap é um contrato que acompanha a cotação de TEND3, e a ação caiu cerca de 24% entre o fim de junho e o fim de setembro. A Tenda afirma que o efeito não tem impacto no caixa e que os contratos serão liquidados em abril e setembro de 2027. Sem esse efeito, o lucro foi de R$ 106,4 milhões, alta de 3,7% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 10,5%, para R$ 1,25 bilhão.
A operação também perdeu rentabilidade. A margem bruta ajustada da marca Tenda caiu de 39,9% no segundo trimestre, o melhor da série histórica, para 34,6%. O principal fator foi a redução, de 10% para 7,1% do preço, da parcela que a construtora financia diretamente aos clientes depois da entrega das chaves. Segundo a empresa, a medida foi tomada diante do aumento da inadimplência das famílias e do crédito mais restrito. Pesou ainda a alta de 52% nos distratos, como são chamados os cancelamentos de vendas, que somaram 1.231 unidades no trimestre. A Tenda atribui o aumento a fatores ligados à Caixa Econômica Federal, entre eles a greve de quase 20 dias no banco em setembro e o maior rigor na concessão de crédito.
A Tenda manteve as projeções para 2026, elevadas em agosto, que preveem lucro de R$ 600 milhões a R$ 660 milhões no ano, sem considerar os swaps. Em nove meses, a companhia acumula R$ 419,9 milhões nesse critério. Para atingir o piso, precisa lucrar ao menos R$ 180,1 milhões no quarto trimestre, cerca de 69% a mais que no terceiro. No release, a empresa diz que, com a normalização das operações da Caixa, já observou em outubro a recuperação dos repasses e melhora de preço e margem nas novas vendas. Com a queda de hoje, as ações acumulam desvalorização de 27,35% em 2026, depois de terem chegado a subir 23% no ano em julho.
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