O Ibovespa fechou esta segunda-feira (26) em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Logo na abertura, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações por 30 minutos, após o índice recuar 10%. Foi a primeira vez que o mecanismo foi acionado desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.
Circuit breaker: de 1997 à crise eleitoral
Desde sua primeira utilização, em 1997, o circuit breaker foi acionado 24 vezes na Bolsa brasileira. As interrupções se concentraram em períodos de forte turbulência, como as crises asiática, em 1997, russa, em 1998, e cambial brasileira, em 1999, além da crise financeira global, em 2008, e da pandemia, em 2020. Naquele março, o mecanismo foi acionado seis vezes em apenas oito pregões.
Em 2017, houve uma interrupção após a divulgação da gravação envolvendo Joesley Batista e o então presidente Michel Temer, episódio que ficou conhecido como Joesley Day. O acionamento desta segunda-feira é o primeiro associado diretamente ao resultado de uma eleição presidencial.
Ibovespa registra terceira maior queda dos últimos 15 anos
O recuo de 13,88% foi o maior do Ibovespa desde 16 de março de 2020, quando o índice caiu 13,92%, e a terceira maior queda diária dos últimos 15 anos. Apenas os pregões de 12 e 16 de março de 2020, durante o agravamento da crise da Covid-19, registraram perdas maiores nesse intervalo.
Entre as dez maiores baixas do período, oito ocorreram em 2020. A outra exceção foi o Joesley Day, em 18 de maio de 2017, quando o índice recuou 8,80%. Na sexta-feira (23), antes do resultado eleitoral, o Ibovespa havia encerrado o pregão aos 205.082,56 pontos.
Dólar PTAX sobe 9,19%, segunda maior alta em 20 anos
O dólar PTAX, taxa de referência calculada pelo Banco Central, fechou a R$ 5,5007, com alta de 9,19%. Foi a segunda maior valorização diária dos últimos 20 anos, atrás apenas da registrada em 8 de outubro de 2008, durante a crise financeira global, quando a cotação subiu 9,33%.
A alta também superou a registrada no Joesley Day, em 18 de maio de 2017, de 8,79%. Na sexta-feira (23), a PTAX estava em R$ 5,0377.
Bancos e empresas ligadas ao mercado doméstico lideram perdas
Os bancos e as empresas ligadas ao mercado doméstico estiveram entre os mais penalizados no pregão. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,33%, o Bradesco (BBDC4) recuou 21,70% e o Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 13,66%. A B3 (B3SA3) desabou 36,28%, enquanto o BTG Pactual (BPAC11) caiu 24,83%.
Entre as maiores baixas do Ibovespa, destacaram-se ainda Magazine Luiza (MGLU3), com queda de 58,23%, Vamos (VAMO3), com 56,79%, e Hapvida (HAPV3), com 54,93%. Na ponta positiva, a Suzano (SUZB3) subiu 10,08%, seguida pela Embraer (EMBJ3), com alta de 8,89%. A Vale (VALE3) avançou 4,01%, beneficiada pela valorização do dólar.
Do primeiro turno à reeleição: mercado inverte movimento
A reação desta segunda-feira contrasta com o desempenho observado após o primeiro turno. Em 5 de outubro, no dia seguinte à votação em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, o Ibovespa avançou 7,70%, maior alta desde março de 2020, enquanto o dólar PTAX caiu 4,55%.
No domingo (25), Lula foi reeleito presidente, com 51,79% dos votos válidos.
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