A B3 viveu nesta segunda-feira (26) o pregão mais turbulento desde a pandemia. A Bolsa acionou o circuit breaker logo na abertura, suspendendo por 30 minutos a negociação dos ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDRs, os índices Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50 e Small Cap e os ETFs. Segundo a B3, o acionamento ocorreu às 9h57, depois de o Ibovespa atingir o limite de queda de 10% em relação ao fechamento da sessão anterior. As negociações foram retomadas às 10h40.
Por volta das 11h30, o Ibovespa caía 17,22%, aos 169.769 pontos. Na sexta-feira, o índice havia fechado aos 205.088,74 pontos, uma perda de mais de 35 mil pontos em menos de duas horas de negociação. No mesmo horário, o dólar futuro subia 10,39%, a R$ 5,492. Mais cedo, às 10h15, o dólar comercial chegou a subir 12,21%, a R$ 5,602. Na sexta, a moeda havia fechado abaixo de R$ 5, a R$ 4,993. Os juros futuros registravam disparada por toda a curva.
É a primeira vez que o circuit breaker é acionado desde a pandemia de Covid-19, em 2020. O mecanismo funciona em três degraus em relação ao fechamento anterior: queda de 10% interrompe os negócios por 30 minutos; queda de 15% provoca nova parada, de uma hora; e queda de 20% leva a uma terceira suspensão, com prazo definido pela Bolsa. Como o índice reabriu já além dos 15%, pelo informativo publicado pela B3 nesta manhã o próximo gatilho passa a ser os 20%.
Setores sensíveis a juros afundam; exportadoras ganham com o dólar
O movimento dentro do índice foi claramente dividido. As maiores quedas às 11h30 se concentraram em empresas ligadas ao consumo doméstico, crédito e juros: Vamos (VAMO3) recuava 57,10%, Magazine Luiza (MGLU3) 50,75%, Cyrela (CYRE3) 45,32%, C&A (CEAB3) 44,94%, B3 (B3SA3) 43,93%, Cosan (CSAN3) 43,85% e MRV (MRVE3) 43,26%. Também perdiam mais de 37%: Assaí (ASAI3), Localiza (RENT3), Yduqs (YDUQ3), Cogna (COGN3), Azzas (AZZA3), BTG Pactual (BPAC11) e Lojas Renner (LREN3). Minerva (BEEF3) caía 24,36% e Petrobras (PETR3), 9,95%. O IFIX, índice dos fundos imobiliários, recuava 7,54%.
Na ponta contrária, as exportadoras, beneficiadas pela alta do dólar, operavam em alta: Suzano (SUZB3) subia 8,43%, Embraer (EMBJ3) 6,64%, Vale (VALE3) 5,96%, WEG (WEGE3) 3,88% e Bradespar (BRAP4) 3,73%.
A reação reflete a reversão das apostas montadas nas últimas semanas. Como os investidores vinham antecipando uma vitória de Flávio Bolsonaro, o Ibovespa havia subido para o patamar de 205 mil pontos e o dólar chegou a recuar para menos de R$ 5,00 entre o primeiro e o segundo turnos. O resultado contrariou as expectativas e provocou uma reversão abrupta dos preços. Lula foi reeleito no domingo com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, que não reconheceu a derrota.
Antes da abertura, a B3 já havia ampliado os limites de oscilação diária dos futuros de índice (IND e WIN) para -20%, dos futuros de dólar (DOL e WDO) para 12% e dos ETFs BOVA11, BOVV11, SMLL11 e SMAL11 para -20%, válidos apenas para o pregão de hoje.
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