Ao longo da semana, o Ibovespa foi pressionado pela divulgação de indicadores de inflação nos Estados Unidos, pelas tensões geopolíticas e pelas incertezas em relação à trajetória dos juros. No Brasil, as revisões das projeções para a inflação e o crescimento econômico também permaneceram no radar dos investidores.
No cenário doméstico, o Boletim Focus elevou pela quarta semana consecutiva a projeção para o IPCA de 2026, de 5,01% para 5,22%, enquanto manteve a estimativa para 2027 em 4,30%. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25%, e a projeção para o dólar recuou para R$ 5,14. Já o IBC-Br avançou 0,34% em agosto, em linha com as expectativas, mas acumulou queda de 0,64% no trimestre encerrado no mês, sinalizando perda de ritmo da atividade econômica.
No cenário internacional, os dados de inflação dos Estados Unidos reforçaram as preocupações com a trajetória dos juros. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro, em linha com as expectativas, mas a inflação acumulada em 12 meses acelerou para 3,7%, acima da projeção de 3,6%. Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI) avançou 1,3% no mês, superando amplamente a estimativa de 0,6%, enquanto o núcleo subiu 0,5%. Os resultados aumentaram a cautela dos investidores diante da possibilidade de o Federal Reserve manter os juros elevados por mais tempo.
No campo geopolítico, as tensões no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia continuaram influenciando os mercados. Novos ataques atribuídos aos houthis e incidentes no Estreito de Ormuz ampliaram as preocupações com a segurança do transporte de petróleo, enquanto o conflito entre Estados Unidos e Irã permaneceu no radar. Na guerra entre Rússia e Ucrânia, Vladimir Putin prometeu retaliar ataques ucranianos ao setor energético russo. A combinação de incertezas geopolíticas e preocupações inflacionárias contribuiu para a volatilidade dos preços do petróleo e dos mercados globais.
Maiores altas
A PRIO (PRIO3) valorizou-se 8,77% na semana, beneficiada pela alta dos preços internacionais do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e às preocupações com possíveis interrupções no fornecimento. Os papéis também repercutiram a análise do Bank of America (BofA), que reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 71 para R$ 74 por ação. O banco destacou a capacidade de geração de caixa da companhia, apoiada na aquisição de ativos maduros e nos ganhos de produtividade, além de projetar distribuições anuais de US$ 2 bilhões a US$ 2,1 bilhões em 2027, com dividend yield estimado em torno de 18%.
A Petrobras (PETR4) acumulou ganhos de 6,57% na semana, impulsionada pela valorização do petróleo em meio aos riscos de interrupção da oferta no Oriente Médio e pela perspectiva favorável para a produção da companhia. O Bank of America (BofA) reiterou sua avaliação positiva para a estatal e elevou o preço-alvo de R$ 55 para R$ 70 por ação, destacando a produtividade dos campos do pré-sal e o potencial de crescimento operacional. A instituição também projetou dividend yield de 11,2% em 2027 e de 8,3% em 2028, reforçando as expectativas de geração de caixa e remuneração aos acionistas.
A Petrobras (PETR3) registrou valorização de 5,44% na semana, acompanhando a alta dos contratos futuros do petróleo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O desempenho também foi favorecido pela avaliação do Bank of America (BofA), que elevou o preço-alvo de R$ 55 para R$ 70 por ação. O banco ressaltou o potencial de produção dos campos do pré-sal, como Búzios, Tupi e Mero, e revisou suas projeções para a companhia, estimando produção de 2,94 milhões de barris por dia em 2027 e 3,08 milhões em 2028, acima das metas previstas no plano de negócios da estatal.
Maiores baixas
A Vamos (VAMO3) sofreu forte desvalorização de 17,35% na semana, pressionada pela alta dos juros futuros e pela realização de lucros após o rali registrado desde o primeiro turno das eleições presidenciais. Na terça-feira (13), os papéis chegaram a cair 10,79% durante o pregão, em meio à redução da diferença entre os candidatos nas pesquisas eleitorais, o que aumentou a cautela dos investidores. Como a companhia atua na locação de caminhões, máquinas e equipamentos e possui elevado endividamento, seus resultados são sensíveis às taxas de juros.
A Direcional (DIRR3) registrou forte desvalorização de 14,63% na semana, pressionada pela prévia operacional do terceiro trimestre, que mostrou retração nas vendas e nos lançamentos. As vendas líquidas contratadas recuaram 27% em relação ao mesmo período de 2025, para R$ 1,05 bilhão, enquanto os lançamentos caíram 45,7%, somando R$ 1,1 bilhão. A companhia atribuiu parte da desaceleração a fatores pontuais, como critérios mais restritivos de financiamento da Caixa e a greve.
A Tenda (TEND3) recuou 12,72% na semana, pressionada pela realização de lucros após a forte valorização da bolsa no período anterior e pelas preocupações com o desempenho operacional do setor de habitação popular. A prévia do terceiro trimestre mostrou aumento dos distratos, que passaram a representar 19,5% das vendas brutas consolidadas, ante 12,5% um ano antes. O cenário foi agravado pelos critérios mais restritivos de financiamento da Caixa Econômica Federal e pelos atrasos nos repasses decorrentes da greve de setembro, fatores que também afetaram outras construtoras do segmento.
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