Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
Ao longo da semana, os investidores acompanharam principalmente os indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, o cenário eleitoral brasileiro e as tensões no Oriente Médio. As negociações entre Estados Unidos e Irã e as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz provocaram forte oscilação nos preços do petróleo, enquanto a proximidade do primeiro turno das eleições aumentou a atenção dos investidores ao ambiente político doméstico.
No cenário doméstico, o Boletim Focus elevou a projeção para o IPCA de 2026 de 4,92% para 4,99%, enquanto reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 1,88% para 1,86%. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, abaixo dos 5,6% registrados no trimestre anterior, com a população ocupada atingindo 103,5 milhões de pessoas, maior nível da série histórica. O IPP avançou 0,36% em agosto, após queda de 0,83% em julho, enquanto a dívida bruta correspondeu a 82,9% do PIB. O cenário eleitoral também permaneceu no radar, com novas pesquisas mostrando uma disputa acirrada às vésperas do primeiro turno.
Nos Estados Unidos, os investidores repercutiram novos dados de inflação, atividade e mercado de trabalho. O PCE avançou 0,3% em agosto, abaixo da projeção de 0,4%, enquanto o núcleo subiu 0,2%, ante expectativa de 0,3%. O PIB norte-americano cresceu a uma taxa anualizada de 2,2% no segundo trimestre, acima da projeção de 1,5%. Já o relatório JOLTS mostrou 7,079 milhões de vagas abertas em agosto, abaixo das expectativas. O payroll mostrou a criação de apenas 29 mil vagas em setembro, ante projeção de 89 mil, enquanto a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%.
No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio permaneceram entre os principais fatores de atenção. As negociações entre Estados Unidos e Irã alternaram sinais de avanço e novos impasses em torno da reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto novos ataques na região mantiveram as preocupações com a oferta de energia. Relatos de que os Estados Unidos estariam ampliando sua presença militar no Oriente Médio, contribuíram para a valorização do petróleo. O mercado também acompanhou a possível liberação de 100 milhões de barris de diesel e petróleo pelo G7 para aliviar as restrições de oferta.
Maiores altas
A Hapvida (HAPV3) disparou 24,60% na semana, impulsionada pela possibilidade de a companhia levantar até R$ 1,5 bilhão com uma operação de sale-leaseback envolvendo parte de seus hospitais. Nesse modelo, a empresa venderia os imóveis e permaneceria nas unidades por meio de contratos de aluguel de longo prazo, utilizando os recursos para reforçar o caixa e reduzir a alavancagem. Os papéis também foram favorecidos pela queda das novas ações judiciais contra empresas privadas de saúde, que recuaram 37% em agosto na comparação anual e 34% frente a julho, sinalizando um possível alívio na judicialização do setor.
A Vamos (VAMO3) avançou 22,48% na semana, dando continuidade ao movimento de recuperação dos papéis, favorecido pelo ambiente de queda dos juros no Brasil. A companhia, que possui operações intensivas em capital, tende a se beneficiar de um cenário de menor custo de financiamento.
A Azzas 2154 (AZZA3) acumulou alta de 19,29% na semana, impulsionada pelas expectativas em torno da possível venda da Farm Rio. A companhia recebeu 15 propostas não vinculantes, avaliando a marca entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, sinalizando avanço no processo de venda. O movimento ocorre após a Azzas anunciar, no início de setembro, uma reorganização que prevê a separação dos negócios em duas companhias abertas e independentes, Arezzo&Co e SOMA, com a Farm dividida entre as duas estruturas.
Maiores quedas
O Santander (SANB11) caiu 5,58% na semana, em meio à maior volatilidade do mercado doméstico e à pressão sobre os papéis do setor financeiro em parte dos pregões. As ações também permaneceram no radar dos investidores diante do processo de oferta pública de aquisição (OPA) conduzido pela controladora espanhola, que avançou em setembro com o protocolo de novos documentos relacionados à operação.
A Minerva (BEEF3) recuou 5,13% na semana, pressionada pela confirmação de uma sobretaxa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira exportada à China acima da cota anual. O Brasil atingiu em 29 de setembro o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026 e, desde 1º de outubro, os volumes excedentes passaram a enfrentar uma tarifa total de 67%. A medida aumentou as preocupações com as exportações dos frigoríficos brasileiros para o mercado chinês, importante destino da carne nacional.
A Embraer (EMBJ3) registrou queda de 3,22% na semana, após as entregas do terceiro trimestre ficarem abaixo das expectativas em alguns segmentos, apesar do volume recorde para o período. A companhia entregou 66 aeronaves, sendo 22 comerciais, 41 executivas e três de Defesa e Segurança. O desempenho da aviação executiva ficou abaixo das projeções, enquanto o menor volume e a composição dos modelos entregues levantaram preocupações sobre o impacto nas receitas.
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