Ibovespa sobe 8,32% no 3º trimestre; veja as ações que mais subiram e caíram
O Ibovespa encerrou o terceiro trimestre de 2026 com alta de 8,32%. No último pregão de setembro, o índice subiu 1,37% e fechou aos 186.340 pontos, e setembro foi o melhor mês desde janeiro. No mês, a valorização foi de 5,03% e, no acumulado do ano, de 15,65%.
O trimestre marcou a intensificação das pesquisas eleitorais e a aproximação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O prazo para registro das candidaturas terminou em 15 de agosto. Nas nove pesquisas nacionais divulgadas entre 28 e 30 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro seguem em empate técnico no segundo turno na maior parte dos levantamentos. O senador aparece numericamente à frente em cinco delas, o presidente em três, e a Quaest registrou empate em 42%. Apenas a Gerp e a Futura mostraram vantagem de Flávio fora da margem de erro. No primeiro turno, o quadro se inverte: Lula lidera numericamente em seis das nove pesquisas, com vantagem fora da margem em quatro delas.
No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio seguiram no centro das atenções. O petróleo alternou altas e baixas ao longo do trimestre, subindo a cada escalada entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz e recuando diante de sinais de negociação. Em setembro, novos ataques contra navios na região levaram o Brent de volta acima de US$ 100, e o impasse seguia sem solução no fim do mês, com os Estados Unidos rejeitando uma proposta iraniana de reabrir a passagem.
A guerra entre Rússia e Ucrânia acrescentou pressão ao mercado de energia. Os ataques ucranianos contra refinarias russas reduziram a oferta de derivados, e o diesel atingiu níveis recordes na Europa e nos Estados Unidos. Moscou, por sua vez, intensificou as ofensivas contra Kiev ao longo de setembro.
Na Ásia, a relação entre Washington e Pequim deu sinais de alívio. Após reunião entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington, em 24 de setembro, os dois países chegaram a um entendimento para reduzir tarifas sobre US$ 30 bilhões em produtos de cada lado, o que diminuiu o risco de nova escalada comercial, embora temas como tecnologia e Taiwan sigam em aberto.
No Brasil, o Banco Central manteve o ciclo de cortes. Em 5 de agosto, o Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, por unanimidade. Em 16 de setembro, o comitê cortou mais 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, também de forma unânime. O IPCA de agosto recuou 0,32%, e a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,22%. A prévia de setembro, porém, subiu 0,70%, acima das projeções, e levou o IPCA-15 a 4,47% em 12 meses, perto do teto da meta.
Nos Estados Unidos, o movimento foi o oposto. Em 29 de julho, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, com três dos 12 membros votando por alta. Em 16 de setembro, o Fed elevou a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4%, a primeira alta desde julho de 2023 e a primeira sob a gestão de Kevin Warsh. O CPI de agosto subiu 3,4% em 12 meses, com a gasolina 27,4% mais cara na mesma comparação e o núcleo em 2,4%.
Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2,25% na reunião de 23 de julho. Em 10 de setembro, a instituição elevou as três taxas diretoras em 25 pontos-base, com a de depósito indo a 2,50%, e citou as pressões inflacionárias geradas pelo conflito no Oriente Médio. A inflação ao consumidor do bloco acelerou para 3,2% em agosto, contra 2,9% em julho, com o núcleo em 2,4%.
Maiores altas
Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos do trimestre, com alta de 59,40%, e fechou a R$ 7,46. A maior parte do movimento veio em setembro, após o anúncio, no dia 2, de parceria com o Mercado Livre, que prevê a inclusão de 27 mil produtos do estoque próprio da varejista no marketplace. O corte da Selic também favoreceu o papel, pela exposição da empresa a consumo e crédito.
Vamos (VAMO3) avançou 53,02%, em um movimento de recuperação favorecido pela queda dos juros. Com operações intensivas em capital, a empresa se beneficia diretamente da redução da Selic e das projeções de novos cortes: o Boletim Focus passou a estimar a taxa em 13,50% ao fim de 2026.
Fleury (FLRY3) subiu 51,25%. Em 6 de agosto, a companhia divulgou resultado do segundo trimestre acima das projeções em receita, Ebitda e lucro, puxado pela marca Fleury, voltada ao segmento premium, que cresceu 12%. Segundo o BTG Pactual, a valorização refletiu sobretudo uma reprecificação do papel, acompanhando o desempenho de empresas de diagnóstico no exterior.
Ultrapar (UGPA3) teve alta de 48,76%. A holding reportou lucro de R$ 1,7 bilhão no segundo trimestre, 46% maior na comparação anual e acima da projeção de R$ 1,4 bilhão dos analistas. A Ipiranga ampliou volumes e margens em meio à volatilidade dos combustíveis causada pelo conflito no Oriente Médio e ao combate ao mercado ilegal. A empresa também aprovou R$ 1,085 bilhão em dividendos e recompra de até 18 milhões de ações.
A Petrobras teve as duas classes entre as dez maiores altas: PETR4 avançou 35,17% e PETR3, 32,56%. A estatal se beneficiou do Brent, que voltou a superar US$ 100 em setembro, e da produção recorde, que chegou a 2,92 milhões de barris por dia em agosto. Com o resultado do segundo trimestre, a companhia aprovou R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, acima das projeções do mercado.
B3 (B3SA3) subiu 29,74%. Em 1º de setembro, a companhia informou que a Câmara Superior do Carf cancelou dois autos de infração que somavam R$ 2,2 bilhões, relacionados à venda de ações do CME Group em 2015 e 2016. Em seguida, a companhia aprovou R$ 1,128 bilhão em juros sobre capital próprio, dos quais R$ 750 milhões extraordinários. Os volumes negociados na bolsa se recuperaram em agosto e setembro, com o retorno do capital estrangeiro e a queda dos juros.
Vibra (VBBR3) avançou 25,65%. A distribuidora multiplicou por oito o lucro do segundo trimestre, para R$ 2,35 bilhões, acima da projeção de R$ 2,1 bilhões dos analistas. A escassez de derivados no mercado global, causada pelo conflito no Oriente Médio, elevou as margens de distribuição, e a alavancagem caiu para 1,3 vez.
Yduqs (YDUQ3) subiu 25,45%, impulsionada pelo acordo de combinação de negócios com a Afya, anunciado em 23 de setembro. A operação embute prêmio de 45% sobre o preço médio da Yduqs nos 30 pregões anteriores às notícias sobre o negócio e prevê sinergias entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões.
Assaí (ASAI3) completou a lista, com alta de 25,06%. No trimestre, a companhia anunciou a entrada no segmento de combustíveis, com a aquisição de 18 postos já instalados em suas lojas no Estado de São Paulo, por até R$ 80 milhões, e potencial para formar uma rede com mais de 100 postos.
Maiores baixas
Hapvida (HAPV3) registrou a maior queda do período, de 34,67%, e fechou a R$ 6,67. Em 13 de agosto, as ações despencaram 33,09% em um único pregão, após a operadora divulgar prejuízo de R$ 217,1 milhões no segundo trimestre. A sinistralidade caixa subiu 3 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, para 75,2%, e as despesas com judicialização aumentaram.
Braskem (BRKM5) recuou 33,33%, pressionada pela reestruturação de uma dívida de US$ 10,9 bilhões. Em agosto, a petroquímica entrou com pedido de recuperação extrajudicial. Em 16 de setembro, as ações caíram 15,17% depois que o UBS BB rebaixou a recomendação para venda e cortou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75, citando margens deprimidas e excesso de capacidade na China.
Marcopolo (POMO4) caiu 28,15%. O lucro do segundo trimestre recuou 15,5%, para R$ 271,2 milhões, com margens pressionadas pela maior participação de micro-ônibus nas vendas e pelo desempenho mais fraco das operações no exterior, sobretudo Argentina e México. A própria companhia sinalizou um segundo semestre mais difícil em rentabilidade.
Direcional (DIRR3) teve queda de 27,37%. A construtora foi atingida pelo endurecimento das regras de crédito da Caixa, com menor relação entre empréstimo e valor do imóvel, e pela greve dos funcionários do banco, iniciada em 10 de setembro, que atrasou repasses. O BTG Pactual cortou as projeções de lucro da empresa em 18% para 2026.
Construtora Tenda (TEND3) recuou 24,70%, pelos mesmos fatores: o maior rigor da Caixa, especialmente para clientes de menor renda, afetou a conversão de vendas, e a greve atrasou transferências de contratos. A companhia também acumula R$ 75 milhões em pagamentos atrasados do programa Pode Entrar.
Natura (NATU3) caiu 22,68%, pressionada pela fraqueza da Avon na América Latina, pelas dificuldades no canal de venda direta e pela baixa visibilidade para a recuperação das receitas.
Lojas Renner (LREN3) recuou 19,73%. Em 6 de agosto, a varejista cortou sua projeção de crescimento de receita para 2026, de 9% a 13% para 4% a 8%, após vendas no varejo 1,1% maiores no segundo trimestre, abaixo do esperado. A companhia atribuiu o resultado ao menor fluxo nas lojas durante a Copa do Mundo. Na semana seguinte, o UBS rebaixou a recomendação para neutra.
Cury (CURY3) caiu 19,31%. Assim como Direcional e Tenda, a incorporadora foi afetada pelo aperto no crédito da Caixa e pela greve dos funcionários do banco, que levantaram dúvidas sobre a conversão de vendas em caixa no segmento de baixa renda.
Usiminas (USIM5) recuou 17,04%. O resultado do segundo trimestre, divulgado no fim de julho, veio em linha, mas a siderúrgica sinalizou custos mais altos no aço e queda na mineração para o terceiro trimestre, e as ações caíram 9,25% em 30 de julho. Em setembro, a queda do minério de ferro e a alta dos fretes marítimos voltaram a pesar sobre o papel.
TIM (TIMS3) completou a lista, com queda de 15,24%. As ações caíram 5,81% após o balanço do segundo trimestre, que mostrou crescimento de 4,6% na receita de serviços móveis, o ritmo mais fraco desde 2021, em meio a sinais de competição mais intensa no setor.
Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.