Maiores altas e baixas do Ibovespa no mês
Ao longo de setembro, os investidores acompanharam principalmente as decisões de política monetária no Brasil e no exterior, os indicadores de inflação e atividade econômica, o cenário eleitoral brasileiro e a escalada das tensões no Oriente Médio. O conflito entre Estados Unidos e Irã e as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz provocaram forte volatilidade nos preços do petróleo ao longo do mês, enquanto as negociações entre Washington e Teerã ganharam espaço nas últimas semanas.
No cenário doméstico, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. A decisão ocorreu em meio a sinais de desaceleração da inflação e moderação da atividade econômica. O IPCA recuou 0,32% em agosto, enquanto o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, acima da expectativa de 0,53%, levando a inflação acumulada em 12 meses a 4,47%. O PIB brasileiro, cresceu 0,5% no segundo trimestre, acima da projeção de 0,4%, mas desacelerou em relação à alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, em linha com as projeções e abaixo dos 5,6% registrados no trimestre anterior. A população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, maior nível da série histórica, enquanto o rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777.
O cenário político também permaneceu no radar durante setembro. Os investidores acompanharam novas pesquisas eleitorais em meio à aproximação do primeiro turno, além dos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no âmbito do caso Banco Master. Na reta final do mês, o governo federal também anunciou a proibição das casas de apostas online no Brasil, por meio de medida provisória com vigência imediata. A medida determinou o encerramento das operações das plataformas e proibiu novas contratações de publicidade e patrocínios ligados às bets.
No exterior, as decisões dos principais bancos centrais concentraram as atenções. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, na primeira alta desde julho de 2023, enquanto novos dados de inflação e do mercado de trabalho permaneceram no radar. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 3,75%, enquanto o Banco do Japão elevou os juros para 1,25% ao ano.
No cenário geopolítico, as relações entre Estados Unidos e China também ganharam destaque no fim de setembro. Donald Trump e Xi Jinping se reuniram para discutir temas como comércio, tarifas, inteligência artificial e minerais críticos. Os líderes defenderam avanços na relação entre as duas potências.
Maiores altas
A Magazine Luiza (MGLU3) disparou 55,09% em setembro, liderando os ganhos do Ibovespa, impulsionada principalmente pela parceria anunciada com o Mercado Livre no início do mês. O acordo prevê a inclusão de cerca de 27 mil produtos do estoque próprio da varejista no marketplace, ampliando o alcance das vendas digitais e o acesso a novos clientes. O movimento também foi favorecido pelo ciclo de queda dos juros, após o Banco Central reduzir a Selic para 13,75% ao ano, cenário que tende a beneficiar empresas ligadas ao consumo e ao crédito.
A Vamos (VAMO3) avançou 43,81% em setembro, em um movimento de recuperação dos papéis favorecido pelo ambiente de queda dos juros no Brasil. O Copom reduziu a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano, enquanto o Boletim Focus passou a projetar a taxa em 13,50% ao fim de 2026. A perspectiva de juros menores favoreceu a companhia, que possui operações intensivas em capital, contribuindo para a recuperação das ações ao longo do mês.
A Assaí (ASAI3) acumulou alta de 29,50% em setembro, período marcado pelo anúncio da entrada da companhia no segmento de combustíveis. O atacarejo fechou a aquisição de 18 postos já instalados em suas lojas no Estado de São Paulo, por até R$ 80 milhões, como parte da estratégia de ampliar novas frentes de crescimento. A companhia estima potencial para formar gradualmente uma rede com mais de 100 postos, aproveitando o fluxo de clientes e a infraestrutura das unidades existentes. A iniciativa também pode ampliar as receitas e contribuir para a diluição de custos fixos.
A Yduqs (YDUQ3) registrou valorização de 27,61% em setembro, impulsionada pelo acordo de combinação de negócios com a Afya, anunciado na reta final do mês. Pela operação, a Afya será incorporada pela Yduqs, com os atuais acionistas da companhia brasileira ficando com 31% da empresa combinada. A transação embute um prêmio de 45% sobre o preço médio das ações da Yduqs nos 30 dias anteriores às notícias sobre o negócio e prevê sinergias estimadas entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em valor presente. A Yduqs também poderá distribuir até R$ 750 milhões em dividendos antes da conclusão da operação.
A C&A (CEAB3) subiu 20,55% em setembro, favorecida pelas perspectivas de uma nova fase de crescimento da varejista. A companhia identificou potencial para a abertura de cerca de 130 novas lojas no longo prazo, sendo 60 a 80 unidades consideradas oportunidades concretas no curto e médio prazo. A estratégia também prevê ganhos adicionais de margem até 2030, apoiados em melhorias no sortimento, precificação e logística, enquanto a empresa busca sustentar o crescimento das vendas e ampliar sua rentabilidade.
Maiores quedas
A Natura (NATU3) despencou 22,77% em setembro, pressionada pela piora das perspectivas para o desempenho operacional da companhia. As preocupações se concentraram na fraqueza da Avon na América Latina, nas dificuldades persistentes no canal de venda direta e na baixa visibilidade para a recuperação das receitas. O mercado também acompanhou sinais de uma geração de caixa abaixo do esperado e de maior pressão sobre os resultados, em um momento em que a companhia atravessa uma nova etapa de recuperação de seus negócios.
A Tenda (TEND3) recuou 18,40% em setembro, pressionada pela deterioração das perspectivas operacionais para o terceiro trimestre. O maior rigor da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito, especialmente para clientes de menor renda, afetou a conversão de vendas e elevou as expectativas de cancelamentos, enquanto a greve do banco provocou atrasos nas transferências de contratos. A companhia também acumula cerca de R$ 75 milhões em pagamentos atrasados relacionados ao programa Pode Entrar. O cenário aumentou as preocupações com vendas, margens e ritmo de lançamentos da construtora.
A CSN Mineração (CMIN3) caiu 15,37% em setembro, pressionada pela queda do minério de ferro e pela forte alta dos custos de frete marítimo, que reduziram a rentabilidade das exportações. Diante do cenário mais desafiador, a companhia anunciou a redução temporária da produção de minério de menor teor no Complexo Pires e cortou sua projeção de produção e compras de terceiros para 2026, de 45 a 47 milhões para 39 a 41 milhões de toneladas.
A Cury (CURY3) registrou baixa de 14,91% em setembro, em meio ao aumento das preocupações com o financiamento habitacional. O mercado passou a acompanhar o maior rigor da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito, especialmente para compradores de menor renda, além dos efeitos da greve do banco sobre os repasses de contratos. O cenário levantou preocupações sobre a conversão das vendas em caixa e a velocidade dos financiamentos, pressionando as ações de incorporadoras voltadas ao segmento de baixa renda.
A Vale (VALE3) perdeu 10,20% em setembro, pressionada principalmente pela queda do minério de ferro, que voltou a operar próximo de US$ 94 por tonelada. A commodity foi afetada por dados mais fracos da economia chinesa, margens comprimidas das siderúrgicas e menor ritmo de produção de aço, em um cenário de oferta elevada e demanda enfraquecida. A alta dos fretes marítimos também aumentou a pressão sobre o setor, embora a Vale esteja relativamente mais protegida desses custos por contratos de longo prazo e mecanismos de hedge.
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