Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
Ao longo da semana, os investidores acompanharam principalmente os dados de inflação no Brasil, as negociações entre Estados Unidos e Irã e o encontro entre os presidentes americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping. O petróleo também apresentou forte volatilidade diante das expectativas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e a recuperação da oferta da Arábia Saudita.
No cenário doméstico, o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, acima da expectativa de 0,53%, após queda de 0,40% em agosto. Em 12 meses, o índice acelerou para 4,47%. A ata do Copom também reforçou a necessidade de cautela na condução da política monetária, diante das expectativas de inflação ainda acima da meta. Já o Boletim Focus reduziu a projeção para a Selic ao fim de 2026 de 13,75% para 13,50%, enquanto elevou a estimativa para o IPCA de 4,90% para 4,92%.
No cenário internacional, as negociações entre Estados Unidos e Irã permaneceram no centro das atenções. Após avanços iniciais nas conversas à margem da Assembleia Geral da ONU, as tratativas enfrentaram novos impasses, especialmente em relação à liberação da navegação pelo Estreito de Ormuz. Na sexta-feira, o Irã apresentou uma nova proposta a Washington, elevando as expectativas de reabertura da rota marítima.
As relações entre Estados Unidos e China também ficaram em destaque. Donald Trump e Xi Jinping se reuniram na quinta-feira (24), com comércio, tarifas, inteligência artificial e minerais críticos entre os principais temas. Os líderes defenderam avanços na relação entre os dois países, embora o encontro tenha terminado com poucos resultados concretos.
Maiores altas
A Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos da semana, com alta de 15,56%, impulsionada pela decisão da Anvisa de suspender a proibição que impedia a comercialização de medicamentos por meio da plataforma da varejista. Com a mudança, o Magalu passou a poder intermediar a venda de remédios de farmácias e drogarias licenciadas, utilizando sua estrutura de marketplace, logística e entrega. A autorização abre uma nova frente de negócios para a companhia, com potencial de ampliar a recorrência de uso da plataforma e a geração de receitas por meio das comissões sobre as vendas.
Na sequência, a Azzas 2154 (AZZA3) acumulou valorização de 14,55% na semana, impulsionada pela renovação das expectativas em torno de uma possível venda da Farm Rio. Segundo informações do Pipeline, do Valor, o Morgan Stanley teria estabelecido o fim de setembro como prazo para que potenciais interessados apresentem propostas não vinculantes pela marca. Fundos como Advent, GIC, CVC Capital Partners e L Catterton estariam entre os interessados. A proximidade do prazo para as propostas reforçou as expectativas de uma operação que poderia destravar valor para os acionistas da Azzas.
A Vamos (VAMO3) registrou avanço de 12,17% na semana, dando continuidade ao movimento de recuperação dos papéis. As ações foram favorecidas pelas expectativas de novos cortes de juros no Brasil, após o Boletim Focus reduzir de 13,75% para 13,50% a projeção para a Selic ao fim de 2026.
Maiores quedas
A Natura (NATU3) liderou as perdas, com queda de 10,33% na semana, dando continuidade à pressão observada sobre os papéis diante das incertezas em relação à recuperação operacional da companhia. Os papéis intensificaram as perdas na quinta-feira (24), quando chegaram a cair cerca de 6% e lideraram as baixas do Ibovespa, em uma sessão marcada por maior aversão a risco no mercado.
A RD Saúde (RADL3) acumulou baixa de 10,23% na semana, pressionada pelo aumento das preocupações com a concorrência no mercado de farmácias após o Mercado Livre anunciar a entrada na venda de medicamentos sob prescrição, incluindo canetas emagrecedoras. Inicialmente, a operação ficará concentrada em São Paulo, com previsão de expansão por meio de farmácias parceiras no marketplace. Apesar da reação negativa dos papéis, bancos como JPMorgan, BTG Pactual e Itaú BBA avaliaram que o impacto sobre as grandes redes tende a ser limitado, destacando desafios relacionados à escala, sortimento e velocidade de entrega.
Já a CSN Mineração (CMIN3) encerrou a semana com recuo de 9,34%, ainda pressionada pelo cenário mais fraco para o minério de ferro, diante dos sinais de menor demanda da China e da rentabilidade reduzida das siderúrgicas do país. A commodity chegou a apresentar uma recuperação pontual na quarta-feira (23), diante das preocupações com possíveis impactos do El Niño sobre a produção e a logística de exportação no Brasil, mas o movimento foi limitado. As perspectivas de oferta global elevada e os custos de frete ainda pressionados também permaneceram no radar dos investidores.
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