Ata do Copom: BC corta Selic e mantém cautela sobre próximos passos
O Banco Central divulgou nesta terça-feira (22/9) a ata da 281ª reunião do Copom, realizada em 15 e 16 de setembro, na qual o comitê decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Apesar do corte, o texto reforça um discurso de cautela: os juros seguem em patamar restritivo e a autoridade monetária evita sinalizar o ritmo dos próximos passos.
Na avaliação do colegiado, os efeitos da política monetária contracionista sobre a atividade econômica já se acumulam de forma gradual, mas a inflação continua pressionada pela demanda, o que sustenta a decisão de manter os juros altos por mais tempo do que seria necessário em condições normais. Segundo o Copom, esse é o preço de operar em um cenário de expectativas desancoradas, como o atual.
O diagnóstico da economia doméstica aponta moderação gradual da atividade, confirmada pelos dados do PIB do segundo trimestre. A inflação, tanto no índice cheio quanto nos núcleos, também perde força, mas segue acima do centro da meta. O descompasso fica ainda mais evidente nas expectativas de mercado: pela pesquisa Focus, os agentes financeiros projetam inflação de 4,9% para este ano e 4,3% para 2027, patamares distantes do objetivo de 3%. As próprias contas do Banco Central, por sua vez, trabalham com 5,2%, 3,9% e 3,2% para 2026, 2027 e o primeiro trimestre de 2028, respectivamente, horizonte que passou a ser o mais relevante para a política monetária.
O comitê voltou a descrever o ambiente de incerteza como elevado, com riscos para a inflação pesando mais para cima do que para baixo. Entre os fatores de atenção estão uma desancoragem mais duradoura das expectativas, um câmbio mais depreciado e estímulos que levem a economia a crescer além do seu potencial. O texto também trouxe um recado ao lado fiscal: o enfraquecimento das reformas estruturais e a expansão do crédito direcionado, na visão do Copom, ameaçam elevar o juro neutro da economia e encarecer o processo de desinflação.
Quanto ao futuro da Selic, a ata evita compromissos. O comitê apenas reafirma que o cenário atual exige cautela e serenidade na condução da política monetária, deixando a magnitude dos próximos ajustes condicionada à evolução dos dados. A próxima decisão sobre os juros será conhecida em novembro.
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