A semana foi marcada pela volatilidade do Ibovespa, em meio às incertezas fiscais no Brasil, à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic e à divulgação de indicadores econômicos. No cenário internacional, os investidores acompanharam a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho norte-americano e as oscilações dos preços do petróleo.
No cenário doméstico, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. A decisão ocorreu em meio às incertezas fiscais após a reeleição de Lula e à persistência das pressões inflacionárias. O Banco Central destacou a necessidade de cautela na condução da política monetária, diante da deterioração das expectativas de inflação e dos riscos para a economia.
Ao longo da semana, o Boletim Focus apontou uma elevação da projeção de inflação para 2026, de 5,19% para 5,22%, enquanto a expectativa para a Selic subiu de 13,25% para 13,50% ao ano. A estimativa para o dólar avançou de R$ 5,05 para R$ 5,34, e a previsão de crescimento do PIB recuou de 1,80% para 1,76%. Os indicadores de atividade também sinalizaram desaceleração, com o PMI de Serviços caindo de 49,2 para 44,5 pontos em outubro e o PMI Composto recuando de 47,4 para 44,4 pontos, registrando a maior contração da atividade do setor privado em mais de seis anos.
No cenário internacional, a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos movimentou os mercados, diante das expectativas de mudanças na política externa norte-americana e de seus possíveis impactos sobre os conflitos no Oriente Médio. O resultado eleitoral também ampliou as preocupações com possíveis restrições à expansão de data centers no país, estruturas fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). O receio de uma desaceleração dos investimentos no setor pressionou as ações de empresas de tecnologia e fabricantes de semicondutores, contribuindo para as fortes quedas registradas nas bolsas globais. Na agenda econômica, o payroll mostrou a abertura de 165 mil postos de trabalho, superando a projeção de 65 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%.
Maiores altas
Entre os destaques corporativos, as ações da C&A (CEAB3) avançaram 23,82% na semana, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. A varejista registrou lucro líquido ajustado de R$ 56,5 milhões, queda de 23,3% na comparação anual, mas acima da expectativa do mercado, de R$ 45,5 milhões. O Ebitda ajustado somou R$ 317,6 milhões, também superando as projeções dos analistas, enquanto a receita líquida alcançou R$ 1,88 bilhão, avanço de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com valorização semanal de 18,88%, as ações da Cosan (CSAN3) também se destacaram, acumulando três pregões consecutivos de alta, impulsionados por notícias de negociações avançadas para a venda de 25% da Compass a uma gestora de investimentos ligada ao governo de Abu Dhabi. A operação, ainda não confirmada pela companhia, poderia movimentar aproximadamente R$ 3,5 bilhões, segundo estimativas do Bradesco BBI, e contribuir para a estratégia de redução do endividamento da holding.
A Smart Fit (SMFT3) acumulou alta de 17,59% na semana, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões, crescimento de 40% na comparação anual e acima da expectativa do mercado, de R$ 236,5 milhões. O Ebitda ajustado avançou 30%, para R$ 763 milhões, enquanto a receita líquida alcançou R$ 2,35 bilhões, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As ações da CSN (CSNA3) avançaram 13,66% na semana, impulsionadas pelo avanço das negociações para a venda da CSN Cimentos à chinesa Huaxin Building Materials Group. A operação considera um valor de empresa de R$ 12,7 bilhões e faz parte da estratégia da siderúrgica para reduzir seu endividamento, que alcançava R$ 42.
Maiores quedas
A Brava Energia (BRAV3) acumulou perdas de 15,64% na semana, acompanhando a desvalorização do petróleo diante das expectativas de uma possível solução diplomática para o conflito entre Estados Unidos e Irã. A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas norte-americanas aumentou a percepção de que Washington poderia enfrentar maior pressão para negociar o fim das hostilidades, reduzindo os temores de interrupções no abastecimento da commodity. No Brasil, a manutenção do imposto sobre as exportações também trouxe preocupações para a companhia, que destina parte relevante de sua produção ao mercado internacional.
Entre os destaques negativos da semana, a Tenda (TEND3) registrou queda de 15,44%, após a divulgação de resultados abaixo das expectativas do mercado. A construtora apresentou lucro líquido recorrente de R$ 106 milhões no terceiro trimestre de 2026, cerca de 40% inferior ao consenso dos analistas. O desempenho foi pressionado pela redução das margens brutas, refletindo descontos, inflação, mudanças no mix de produtos e cancelamentos.
Com recuo semanal de 15,40%, as ações da PRIO (PRIO3) foram pressionadas pela queda dos preços internacionais do petróleo e pela decisão do governo brasileiro de prorrogar a alíquota de 12% sobre as exportações da commodity até o fim de 2026. A medida afeta especialmente a companhia, que possui elevada exposição ao mercado externo, aumentando as preocupações dos investidores com sua rentabilidade. O movimento ocorreu apesar dos resultados positivos da companhia no terceiro trimestre de 2026, quando registrou lucro líquido de US$ 521 milhões, alta de 468% na comparação anual, e receita líquida de US$ 1,37 bilhão, avanço de 146%.
Os papéis da Petrobras (PETR3) encerraram a semana com queda de 14,66%, refletindo principalmente a forte correção dos preços internacionais do petróleo. A commodity foi pressionada pela perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio, após os resultados das eleições legislativas dos Estados Unidos e os avanços nas iniciativas diplomáticas envolvendo o Irã. Além disso, a prorrogação da tributação sobre as exportações de petróleo contribuiu para a cautela dos investidores, embora a estatal apresente menor exposição à medida em comparação com outras empresas do setor.
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