Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
Ao longo da semana, os investidores acompanharam principalmente as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além das tensões no Oriente Médio, do cenário eleitoral brasileiro e dos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
No cenário doméstico, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. A decisão ocorreu em um ambiente de desaceleração da inflação e sinais de moderação da atividade econômica. O IBC-Br recuou 0,20% em julho, resultado pior que a expectativa de queda de 0,10%, enquanto o Boletim Focus reduziu a projeção para o IPCA de 2026 de 5,00% para 4,90% e a estimativa para o crescimento do PIB de 1,93% para 1,89%.
O cenário político também permaneceu no radar. Na terça-feira (15), o STF realizou uma sessão extraordinária para discutir os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no âmbito do caso Banco Master. A análise foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino, quando o placar estava em 4 a 3 pela manutenção da análise separada das duas petições. Na reta final antes do primeiro turno das eleições, os investidores também acompanharam novas pesquisas eleitorais.
No exterior, as decisões dos principais bancos centrais concentraram as atenções. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, na primeira alta desde julho de 2023. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 3,75%. A autoridade monetária destacou riscos crescentes para a inflação diante da alta dos preços de energia e do conflito no Oriente Médio. Já o Banco do Japão elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 1,25% ao ano, e indicou que poderá continuar elevando as taxas de acordo com a evolução da economia, dos preços e das condições financeiras.
No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio permaneceram no radar, provocando forte oscilação nos preços do petróleo. Ataques dos houthis à infraestrutura energética da Arábia Saudita e restrições ao fluxo da commodity elevaram as preocupações com a oferta no início da semana. Além disso, sinais de uma possível redução das tensões contribuíram para a queda do petróleo, embora as incertezas envolvendo Estados Unidos, Irã e os houthis tenham permanecido elevadas.
Maiores altas
A Yduqs (YDUQ3) avançou 6,96% na semana, favorecida pela avaliação positiva do Bradesco BBI, que reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 15 para R$ 17. O banco revisou para cima as estimativas de resultados e geração de caixa da companhia, além de destacar a expectativa de aceleração do crescimento da receita no segundo semestre. As perspectivas envolvendo uma eventual operação de fusão e aquisição com a Afya também permaneceram como potencial catalisador para as ações.
A Vibra Energia (VBBR3) avançou 5,57% na semana, favorecida pela avaliação positiva do Santander para a companhia e para o setor de distribuição de combustíveis. O banco reiterou recomendação de compra, elevou o preço-alvo dos papéis para R$ 48 e destacou a Vibra como sua preferida no segmento, diante das perspectivas de margens mais robustas, maior geração de caixa, redução do endividamento e maior espaço para dividendos. Na sexta-feira (18), a companhia também anunciou um contrato estimado em R$ 1,28 bilhão com a Inpasa para o fornecimento de etanol hidratado até agosto de 2029.
A Vamos (VAMO3) avançou 5,50% na semana, em um movimento de recuperação após as perdas registradas nos pregões anteriores. Os papéis também encontraram um ambiente doméstico mais favorável após o Copom reduzir a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano, fator relevante para companhias com operações intensivas em capital. A ação acumulou quatro pregões consecutivos de valorização entre terça e sexta-feira.
Maiores quedas
A CSN Mineração (CMIN3) recuou 18,75% na semana, pressionada pela queda do minério de ferro e pelo aumento dos custos de transporte marítimo. A commodity chegou a se aproximar de US$ 95 por tonelada, em meio à deterioração das margens das siderúrgicas chinesas, enquanto o frete entre Brasil e China alcançou cerca de US$ 42 por tonelada. A companhia apresenta maior exposição a esse cenário por operar com frete no mercado à vista, o que amplia a pressão sobre suas margens diante da combinação de minério mais barato e custos logísticos elevados.
A Azzas 2154 (AZZA3) recuou 12,96% na semana, em um movimento de realização após as fortes altas registradas nos pregões anteriores, enquanto o setor de varejo também enfrentou maior cautela dos investidores em um ambiente de juros elevados. Os papéis ainda permaneceram pressionados pelas incertezas relacionadas à cisão da companhia, após o rebaixamento do rating pela S&P na semana anterior, diante de preocupações com perda de escala, distribuição dos passivos e métricas de crédito das futuras empresas.
A CSN (CSNA3) recuou 12,16% na semana, pressionada pelas preocupações com o elevado endividamento da companhia e pelos desafios para executar seu plano de desalavancagem. A empresa encerrou o segundo trimestre com cerca de R$ 42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes, enquanto o plano de venda de ativos prevê entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em desinvestimentos. O mercado também acompanhou as negociações envolvendo a CSN Cimentos e outros ativos do grupo, em meio às incertezas sobre o impacto das vendas na geração futura de caixa.
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