TradeLetter Semanal | 13 – 19 Setembro 2026
A semana foi marcada pela “Superquarta” global, com decisões de política monetária nos EUA, na zona do euro, no Reino Unido e no Japão. O Fed elevou os juros pela primeira vez desde 2023, para a faixa entre 3,75% e 4,00%; o BoJ elevou sua taxa para 1,25%, o maior nível em 31 anos; enquanto o BoE optou por manter os juros em 3,75%. No Brasil, o Copom deu continuidade ao ciclo de flexibilização, reduzindo a Selic para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. Na reta final da campanha eleitoral, a corrida presidencial ficou ainda mais acirrada: nove pesquisas foram divulgadas ao longo da semana, com resultados oscilando entre empates técnicos e vantagens de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno, cenário inédito na maioria das séries históricas dos institutos. O presidente Lula anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno. No Judiciário, o STF interrompeu sessão sobre a separação dos processos de Moraes e Mendonça após pedido de vista de Flávio Dino.
💵 Dólar Ptax (venda): R$ 5,1575 | Semana: +1,29% | Em setembro: -0,47% | Em 2026: -6,27% | Em 12 meses: -2,71%
💶 Euro Ptax (venda): R$ 5,9126 | Semana: +0,07% | Em setembro: -1,77% | Em 2026: -8,60% | Em 12 meses: -5,32%
Fechamento semanal – em %
Fed eleva juros em 0,25 ponto, para 3,75% a 4,00%, primeira alta desde 2023: O Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, decisão tomada por unanimidade, em votação de 12 a 0 pelo Fomc, revertendo a pausa adotada em julho. Em comunicado, o comitê afirmou que a decisão deve contribuir para um retorno mais rápido à meta de 2%. A alta foi respaldada pelo payroll de agosto, que mostrou criação de 162 mil vagas, muito acima da expectativa de 53 mil, e pelo CPI de agosto, que subiu 0,4% no mês, com o núcleo anual recuando para 2,4%, menor nível desde março de 2021. A energia, puxada pela gasolina, foi o principal fator de pressão, em meio a disrupções ligadas ao conflito no Irã e ao Estreito de Ormuz.
Banco do Japão eleva juros para 1,25%, maior nível em 31 anos: O Banco do Japão elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 1,25%, em decisão aprovada por sete votos a dois. O presidente da instituição, Kazuo Ueda, afirmou que a fase da política monetária mudou e que o banco não descarta novas altas, inclusive de maior magnitude, para conter o risco de a inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%. A inflação ao consumidor japonesa desacelerou para 1,7% em agosto, em parte por conta de subsídios do governo aos preços de energia. Apesar do tom mais firme, o iene se desvalorizou após o anúncio, negociado a 157,84 por dólar.
Banco da Inglaterra mantém juros em 3,75% pela sexta vez consecutiva: O Comitê de Política Monetária do BoE decidiu manter a taxa básica de juros do Reino Unido em 3,75%, em decisão dividida, com seis votos pela manutenção e três pela elevação para 4%. O banco central elevou a projeção de crescimento do terceiro trimestre de 0,1% para 0,4%, mas alertou que a inflação, em 3,1% em agosto, pode superar 4% no início de 2027. O governador Andrew Bailey sinalizou que, caso o conflito no Irã se prolongue e gere efeitos de segunda ordem sobre os preços, o banco pode ser forçado a elevar os juros.
Copom reduz Selic para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo: O Comitê de Política Monetária decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano, mantendo o ritmo de cortes das últimas reuniões. O IPCA caiu 0,32% em agosto, a maior deflação mensal em quatro anos, levando o acumulado em 12 meses a 4,22%, abaixo do teto da meta. O Boletim Focus de 14 de setembro reduziu pela terceira semana consecutiva a projeção do IPCA para 2026, de 5,00% para 4,90%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB caiu de 1,93% para 1,89%. O Copom reiterou cautela diante do impasse entre EUA e Irã e de seus possíveis impactos sobre os preços do petróleo.
IBC-Br recua 0,20% em julho, pior que o esperado: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central caiu 0,20% em julho, na série com ajuste sazonal, resultado pior que a projeção de queda de 0,10%. No trimestre, o indicador acumulou retração de 0,30%, com a agropecuária recuando 1,15% no mês e a indústria, 0,40%. Na série sem ajuste sazonal, o indicador avançou 1,14% frente a julho de 2025.
B3 passa a divulgar o Ibovespa em dólar: A partir de 14 de setembro, a B3 passou a publicar o Índice Ibovespa B3 em Dólares Americanos, que incorpora ao cálculo do índice tradicional a variação cambial do período. A conversão segue a taxa WMR, atualizada diariamente. Segundo a bolsa, o objetivo é ampliar a leitura do mercado acionário brasileiro para investidores estrangeiros. Na mesma semana, a B3 também anunciou que os BDRs de empresas brasileiras passarão a integrar o universo elegível para compor o Ibovespa a partir de 2027 e estreou o Índice B3 Market Neutral.
STF interrompe sessão com placar de 4 a 3 sobre casos de Moraes e Mendonça: O STF registrou placar provisório de 4 votos a 3 pela manutenção da análise separada dos processos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, relacionados ao Banco Master, mas a decisão não foi concluída após o ministro Flávio Dino pedir vista. O caso teve origem na divulgação de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes.
Lula anuncia reajuste de 15,04% no Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família, elevando o piso mensal de R$ 600 para R$ 691. Segundo o governo, o reajuste corresponde à reposição do INPC acumulado desde a criação do programa, em 2023. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou custo de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027, a ser acomodado no orçamento já enviado ao Congresso.
Eleições 2026
Nexus/BTG: Lula retoma liderança numérica no segundo turno: Levantamento da Nexus/BTG aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 46% do senador Flávio Bolsonaro (PL), empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos. No primeiro turno, Lula lidera com 40%, contra 36% de Flávio. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores entre 11 e 13 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-04076/2026.
Quaest: Flávio supera Lula numericamente no segundo turno pela primeira vez desde abril: Levantamento da Quaest aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 40% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), primeira vez que Flávio aparece à frente desde abril na série do instituto, ainda em empate técnico. No primeiro turno, Lula tem 36% e Flávio, 31%. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-03607/2026.
Indexa/Broadcast: menor distância da série entre Lula e Flávio: Levantamento do Indexa/Broadcast aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto no segundo turno, contra 42% de Flávio Bolsonaro (PL), a menor diferença da série iniciada em maio. No primeiro turno, Lula tem 38%, contra 34% de Flávio. A mesma pesquisa mostrou que 50% dos entrevistados desaprovam o governo Lula e que 80% dos eleitores já consideram definitivo o voto para presidente. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 10 e 13 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-03482/2026.
AtlasIntel/Bloomberg: Flávio aparece à frente em empate técnico no segundo turno: Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diferença de 0,4 ponto dentro da margem de erro de 1 ponto. No primeiro turno, Lula lidera com 44,1%, contra 41,7% de Flávio. A pesquisa ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-06221/2026.
PoderData/Aya: Lula aparece atrás de Flávio e de Cury no segundo turno: Levantamento do PoderData/Aya mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente atrás tanto do senador Flávio Bolsonaro (PL), por 46% a 44%, quanto do escritor Augusto Cury (Avante), por 45% a 42%, ambos em empate técnico dentro da margem de erro de 1,8 ponto. No primeiro turno, Lula e Flávio empatam tecnicamente, com 37% e 36%. A pesquisa ouviu 3.000 eleitores entre 13 e 16 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-00360/2026.
Futura/100% Cidades: Flávio abre vantagem no limite da margem de erro: Levantamento da Futura/100% Cidades aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48,1% das intenções de voto no segundo turno, contra 43,7% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diferença de 4,4 pontos, no limite do dobro da margem de erro de 2,2 pontos. No primeiro turno, os dois empatam tecnicamente, com Lula em 38,3% e Flávio em 37,7%. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 11 e 15 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-00749/2026.
Gerp: Flávio abre vantagem de 7 pontos, fora da margem de erro: Levantamento da Gerp aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50% das intenções de voto no segundo turno, contra 43% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diferença que supera o dobro da margem de erro de 2 pontos. No primeiro turno, os dois seguem em empate técnico, com Flávio em 40% e Lula em 37%. A pesquisa ouviu 2.400 eleitores entre 14 e 16 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-00535/2026.
Datafolha: Lula mantém vantagem numérica nos dois turnos: Levantamento do Datafolha aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL), e com 39% no primeiro turno, contra 36% de Flávio, ambos em empate técnico. No recorte regional, Flávio lidera no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste/Norte, enquanto Lula mantém ampla vantagem no Nordeste, com 56% contra 26%. A pesquisa nacional ouviu 2.002 pessoas entre 15 e 17 de setembro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-04029/2026.
Real Time Big Data: Tarcísio amplia vantagem em SP e pode vencer no primeiro turno: Levantamento do Real Time Big Data aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 53% das intenções de voto no primeiro turno da disputa pelo governo de São Paulo, contra 36% do ex-ministro Fernando Haddad (PT), distância que garantiria a reeleição já no primeiro turno. Em levantamento paralelo, o instituto também apontou Eduardo Paes (PSD) na liderança da disputa pelo governo do Rio de Janeiro, com 35% no primeiro turno e 42% em simulação de segundo turno contra Douglas Ruas (PL). Na disputa pelo Senado em São Paulo, Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB) e André do Prado (PL) aparecem tecnicamente empatados na liderança.
Agregador de Pesquisas Eleitorais do TradeMap
Primeiro Turno
Segundo Turno – Lula x Flávio Bolsonaro
Todas as pesquisas têm nível de confiança de 95% e metodologia registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O agregador é atualizado a cada nova rodada divulgada pelos institutos.
Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana
Maiores Altas
Maiores Baixas
Análise dos Destaques da Semana
Melhor Desempenho: Yduqs (YDUQ3)
Preço de Fechamento (18/09/2026): R$ 10,60 | Variação Semanal: +6,96% – A valorização foi favorecida pela avaliação positiva do Bradesco BBI, que reiterou a recomendação de compra e elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 15 para R$ 17. O banco revisou para cima as estimativas de resultados e geração de caixa da companhia, além de destacar a expectativa de aceleração do crescimento da receita no segundo semestre. As perspectivas envolvendo uma eventual operação de fusão e aquisição com a Afya também permaneceram como potencial catalisador para as ações.
Pior Desempenho: CSN Mineração (CMIN3)
Preço de Fechamento (18/09/2026): R$ 5,46 | Variação Semanal: -18,75% – A queda foi pressionada pela deterioração do minério de ferro e pelo aumento dos custos de transporte marítimo. A commodity chegou a se aproximar de US$ 95 por tonelada, em meio à deterioração das margens das siderúrgicas chinesas, enquanto o frete entre Brasil e China alcançou cerca de US$ 42 por tonelada. A companhia apresenta maior exposição a esse cenário por operar com frete no mercado à vista, o que amplia a pressão sobre suas margens diante da combinação de minério mais barato e custos logísticos elevados.
Nota: As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.
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