Petróleo supera US$ 100 pela primeira vez em 3 meses
O Brent, referência internacional do petróleo, foi negociado acima de US$ 100 por barril na terça-feira pela primeira vez em três meses, após combatentes houthis apoiados pelo Irã atacarem instalações petrolíferas no sul da Arábia Saudita.
O índice atingiu US$ 100,03. Um breve avanço acima desse valor no fim de julho foi revertido na mesma sessão, deixando maio como a última ocasião em que o Brent alcançou US$ 100.
Drones houthis atingem quatro cidades sauditas
Forças houthis lançaram dezenas de drones e mísseis balísticos contra Abha, Jazan, Najran e Khamis Mushait na terça-feira.
Incêndios atingiram instalações da Saudi Aramco e 73 pessoas ficaram feridas, incluindo mulheres e crianças. Jazan abriga uma refinaria com capacidade de processamento de 400 mil barris por dia.
O porta-voz militar saudita, general de divisão Turki al-Malki, descreveu o ataque como uma escalada expressiva e prometeu medidas de dissuasão.
Os atentados ocorreram após ataques dos Estados Unidos contra três petroleiros iranianos no final de semana. Os eventos fazem parte da guerra entre Estados Unidos e Irã, já no sétimo mês.
O BeInCrypto informou na semana passada que a retomada dos confrontos elevou o valor do petróleo para o maior nível em cinco semanas. Os preços já subiram cerca de US$ 5 desde então.
Tráfego em Hormuz despenca novamente
Antes da retomada do conflito em 30 de agosto, a navegação pelo Estreito de Hormuz transportava de 8 milhões a 9 milhões de barris por dia. Após a escalada, os fluxos caíram para menos de 2 milhões, segundo Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy.
As exportações de petróleo do Golfo atualmente giram em torno de 11 milhões de barris por dia, ante 18 milhões registrados antes da guerra. Os contratos físicos continuam ainda mais restritos, com Dubai e Omã negociados entre US$ 104 e US$ 105.
“Fisicamente, a situação está extremamente apertada.”
David Fyfe, economista-chefe da Argus Media, afirmou que o mercado de diesel passa por uma “escassez alarmante”. Os preços do gás na Europa atingiram o maior patamar em três anos na semana passada, indicando que a pressão vai além do petróleo cru.
O que vem a seguir?
O Goldman Sachs elevou a projeção para o Brent em US$ 5 na terça-feira, passando para US$ 85 em dezembro e US$ 80 para 2027. O banco alertou para um cenário em que o preço ultrapasse US$ 120 caso a produção do Golfo permaneça 4 milhões de barris por dia abaixo do nível anterior ao conflito.
O setor de energia já impulsiona a inflação nos Estados Unidos. Os preços ao consumidor subiram 3,4% no período de 12 meses até julho. A gasolina aumentou 24,6% e o índice ampliado de energia, 14,7%, enquanto a inflação central ficou em 2,5%.
Os dados de agosto serão divulgados na sexta-feira. Enquanto isso, o Irã respondeu às novas propostas dos Estados Unidos com exigências intermediadas, de modo que o impasse em Ormuz mostra poucos sinais de resolução.
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