Mapa-múndi vai mudar? Novo modelo é aprovado pela ONU e propõe uma nova representação dos continentes
A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou em Assembleia Geral a adoção da projeção Terra Igual (Equal Earth) como novo modelo de mapa-múndi.
Parte da iniciativa "Corrija o Mapa", a proposta busca representar os continentes com proporções mais próximas da realidade, reduzindo distorções históricas presentes nas projeções cartográficas mais difundidas.
Com a mudança, regiões tradicionalmente superdimensionadas, como Groenlândia, Rússia e Antártica, passam a aparecer em proporções menores. Já a África, a América Latina e o Sul da Ásia ganham dimensões mais compatíveis com seus tamanhos reais.
Segundo a ONU, a adoção do novo modelo representa uma forma mais equilibrada de retratar diferentes regiões do planeta. A organização acrescenta que a medida contribui para a chamada "justiça cognitiva" e para a reparação de distorções históricas na forma como o mundo é representado.
O entendimento foi compartilhado pela ampla maioria dos países-membros durante a votação da Assembleia Geral. Ao todo, 164 países votaram a favor da mudança. Os Estados Unidos foram o único voto contrário.
Qual é o novo mapa-múndi?
O modelo Terra Igual foi concebido pela União Africana e apresentado como a projeção cartográfica que representaria, com maior precisão, as dimensões de todos os continentes — especialmente as da África.
A principal projeção cartográfica utilizada atualmente é a de Mercator. Desenvolvido no século 16 para fins de navegação, o modelo amplia visualmente áreas próximas aos polos e diminui as próximas do Equador, distorcendo o tamanho real dessas regiões
Ele continua sendo amplamente utilizado em materiais educacionais, midiáticos, digitais e oficiais — o que, para a ONU, "perpetua uma visão desequilibrada do mundo".
Com apoio da União Africana, a organização internacional defende que os mapas são ferramentas educacionais, científicas e culturais fundamentais, capazes de "moldar a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos".
Por isso, a projeção de Mercator reforçaria "vieses históricos" e geraria impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos. Segundo a ONU, a correção dessas distorções promoverá "reconhecimento, justiça e desenvolvimento".
O novo mapa-múndi será adotado?
A expectativa é que a projeção Terra Igual seja gradualmente adotada por organizações internacionais, governos, instituições de ensino e outras entidades ao redor do mundo.
Vale lembrar ainda que a iniciativa não significa que a projeção de Mercator será imediatamente abandonada, nem que as distorções deixarão de existir.
Afinal, qualquer representação da Terra continua exigindo deformações em alguma medida, ainda que elas sejam transferidas para outras propriedades geográficas.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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