Por que a Anthropic teria desistido da compra da Decart por US$ 6 bilhões?
(Bloomberg) — A Anthropic PBC decidiu não adquirir a startup de inteligência artificial Decart AI, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
A Anthropic vinha explorando um acordo e realizou due diligence na Decart, mas acabou desistindo, segundo as pessoas, que pediram para não ser identificadas por discutirem informações privadas. As empresas ainda podem buscar outras oportunidades de colaboração, disse uma das pessoas.
Representantes da Anthropic e da Decart se recusaram a comentar.
A fabricante do chatbot Claude vinha negociando a compra da Decart por cerca de US$ 6 bilhões, embora nada tivesse sido finalizado e houvesse a possibilidade de as negociações fracassarem, informou a Bloomberg News em agosto.
A Decart produz software que pode reduzir o custo de treinamento e operação de IA ao ajudar chips a funcionarem de forma mais eficiente. A ideia da aquisição cogitada era ajudar a infraestrutura de computação existente da Anthropic a absorver mais demanda.
A Anthropic, que raramente faz grandes aquisições, vem gastando em capacidade de computação para desenvolver novos produtos e atender clientes antes de sua aguardada oferta pública inicial (IPO). A empresa vem buscando captar tanto quanto a SpaceX ou mais em sua listagem, disseram pessoas familiarizadas com os preparativos.
A Decart foi fundada em 2023 por três engenheiros israelenses, os irmãos Dean e Orian Leitersdorf e Moshe Shalev. Entre outros serviços, a startup oferece uma plataforma de otimização que visa ajudar desenvolvedores de IA a “extrair cada gota de desempenho de cada chip”, segundo seu site. Isso inclui o uso de chips para treinar modelos de IA e executá-los após o treinamento, um processo conhecido como inferência.
A empresa também desenvolve os chamados world models (modelos de mundo), que visam simular o mundo físico. Os modelos de mundo da Decart têm o objetivo de ajudar empresas em uma série de aplicações, incluindo direção autônoma e comércio eletrônico.
Seu modelo de IA Lucy pode capturar vídeo ao vivo de uma pessoa e usá-lo para gerar um vídeo em tempo real e alta resolução que faz parecer que a pessoa está realmente experimentando um vestido ou uma bolsa — uma tarefa que há muito tempo desafiava os desenvolvedores de tecnologia de moda no e-commerce. A plataforma de comércio eletrônico eBay Inc., investidora da empresa, também é cliente da Decart.
A startup disse em maio que captou US$ 300 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Radical Ventures, com participação da Nvidia Corp., Atreides Management, Valor Equity Partners e Adobe Ventures. Investidores anteriores, como Sequoia Capital, Benchmark e Zeev Ventures, também participaram. A rodada avaliou a Decart em quase US$ 4 bilhões, informou o The Wall Street Journal, acima dos US$ 3,1 bilhões de agosto de 2025.
Durante uma entrevista no palco da Bloomberg na conferência Raise AI, em Paris, em julho, Dean Leitersdorf — que é CEO — disse que a empresa treina sua IA em textos e milhões de horas de vídeo para compreender a simulação de propriedades físicas do mundo real. Ele afirmou que a tecnologia da Decart está sendo usada para transmissão ao vivo em plataformas como Twitch, TikTok e YouTube por influenciadores como CodeMiko, além de empresas de publicidade e outras.
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