Documentário sobre Musk: diretor de filme diz que bilionário inspira medo
Por Crispian Balmer
VENEZA, 8 Set (Reuters) – Muitas pessoas estavam com medo demais para falar publicamente sobre Elon Musk, afirmou o diretor Alex Gibney nesta terça-feira, ao apresentar seu documentário de longa duração sobre o empresário bilionário no Festival de Cinema de Veneza.
O filme, com quase quatro horas de duração, traça a ascensão de Musk desde a era dotcom até se tornar uma das figuras mais influentes do mundo, questionando como um titã da tecnologia não eleito chegou a exercer tanta influência sobre a política e o debate público.
“Havia um enorme medo de falar, realmente um medo quase existencial, tanto entre as pessoas que o criticavam, quanto entre seus colegas de negócios e seus amigos”, disse Gibney antes da exibição de “Musk”.
“Conversei com muitas, muitas, muitas, muitas pessoas que, com exceção de algumas das pessoas corajosas que estão aqui, se recusaram a falar.”
O chefe da Tesla (TSLA34) e da SpaceX (SPCX34) rejeitou o filme, escrevendo em sua rede social X neste mês que Gibney era tendencioso e que “obviamente iria fazer o artigo difamatório mais convincentemente terrível sobre mim que pudesse imaginar”.
ALIANÇA COM TRUMP
Ao lado da jornalista Zoë Schiffer e de Ashley St. Clair, ex-parceira de Musk e mãe de um de seus muitos filhos, Gibney disse que começou a trabalhar no projeto em 2023 e que, inicialmente, havia planejado um filme menos ambicioso.
“Pretendíamos fazer um filme mais curto antes que Elon Musk se envolvesse com a carreira de Donald Trump e a Presidência dos Estados Unidos”, declarou Gibney, acrescentando que a primeira coisa que fez foi entrar em contato com Musk, que se recusou a ser entrevistado.
Gibney, cujos temas anteriores incluíram o colapso da empresa de energia Enron e a Cientologia, disse que a ascensão de Musk é “a história do vigarista”, cujo império foi construído com base na capacidade de vender visões exageradas e promessas sensacionalistas.
Sem necessariamente apresentar nenhuma revelação bombástica, o filme relaciona a aquisição do Twitter por Musk, sua campanha de corte de gastos do governo e sua dependência de contratos federais à criação de poder e riqueza sem precedentes nas mãos de um único homem.
Leia também: Elon Musk: conheça a história e a origem da fortuna do empresário
AGENDA POLÍTICA GLOBAL
O documentário usa uma versão de Musk gerada por IA que repete palavras que ele proferiu ao longo dos anos. Questionado se esperava contestação judicial, Gibney disse: “Consultamos nossos advogados, e eles nos deram sinal verde para seguir em frente.”
Depois de abraçar o movimento MAGA de Trump, o filme mostra o crescente apoio de Musk a causas políticas de extrema-direita internacionalmente, incluindo o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que vem ganhando força.
“Acho que ele está perseguindo uma agenda global de direita, tanto por razões ideológicas quanto por motivos muito práticos e financeiros”, afirmou Gibney, acrescentando que Musk é “extremamente” perigoso para a democracia mundial.
Ele também fez uma avaliação pouco lisonjeira do caráter do bilionário. “Eu diria que ele tem muita dificuldade com a empatia”, disse o diretor.
St. Clair, que revelou no documentário ter recusado um acordo de confidencialidade de US$40 milhões após o fim de seu relacionamento com Musk, ecoou as críticas.
“A relação mais complicada dele é com a verdade”, declarou ela. No filme, ela afirma simplesmente: “Elon é uma bomba nuclear”.
“Musk” está sendo exibido fora de competição no Festival de Veneza, que vai até 12 de setembro.
(Reportagem adicional de Mike Davidson)


















