Startups: Poucos meses após chegar ao Brasil, Wonderful faz série C de US$ 550M
A nova rodada série C pode ser para crescer globalmente, mas, para a israelense Wonderful, o Brasil é parte importante da estratégia. A empresa, que desenvolve um sistema operacional de inteligência artificial para grandes corporações, acabou de levantar US$ 550 milhões em deal liderado pela Insight Partners.
A rodada, que avalia a companhia em US$ 5 bilhões, menos de dois anos depois de ela ter sido fundada, também tem a Salesforce como investidora, ao lado de aportadores anteriores como Index Ventures, IVP, Vine Ventures, 9Yards e Bessemer Venture Partners.
O ritmo impressiona mesmo para os padrões do setor. Em maio, quando a Kaszek entrou numa extensão da série B com US$ 15 milhões, a empresa valia US$ 2 bilhões. Em pouco mais de três meses, o valuation mais que dobrou.
Foi justamente aquela rodada que trouxe a companhia para cá. A Kaszek apresentou a startup a Elder Jascolka, que assumiu como country manager, e vem abrindo portas para clientes potenciais. Desde então, o escritório de São Paulo saiu do papel, e o plano é crescer rápido.
“Estamos com uma meta de fechar 2026 em cerca de 100 funcionários na operação brasileira”, diz Jascolka, em conversa com o Startups. “Globalmente, a Wonderful já conta com cerca de 650 pessoas.”
O que a empresa vende
O produto é o Wonderful AI OS, camada que integra agentes, fluxos de trabalho, aplicações nativas de IA e os sistemas que o cliente já usa, tudo sob uma governança comum. A plataforma é aberta e agnóstica em relação a modelos, o que permite trocar de tecnologia sem reconstruir a infraestrutura, e o que se constrói em cada projeto pode ser reaproveitado nas implementações seguintes.
A tese que sustenta o pitch é uma analogia com a nuvem. “Assim como as plataformas de nuvem se tornaram a base das empresas modernas, os sistemas operacionais de IA se tornarão a base de todas as organizações”, afirma Bar Winkler, CEO e cofundador. Para ele, quando a IA entra em produção numa área do negócio, ela rapidamente se espalha para outras — e, sem uma base compartilhada, o risco é repetir a fragmentação do SaaS tradicional.
Por que o Brasil
Para o country manager da Wonderful no Brasil, o mercado local traz uma combinação incomum: empresas de enorme escala e operações muito complexas convivendo com uma infraestrutura digital avançada.
Essa mistura de sofisticação, escala e complexidade é o que torna o país interessante para a companhia. O foco está em empresas grandes, com alto volume de interações e processos, e a demanda tem se concentrado em quatro setores: serviços financeiros, telecomunicações, seguros e utilities. “Há muito espaço para ir além de um chatbot que responde perguntas e aplicar agentes que efetivamente executam fluxos de ponta a ponta”, afirma o executivo.
A operação local segue o desenho global, com o que ele chama de hiperlocalização: time próprio que vai da área comercial a consultores de IA, engenheiros e CTOs, para atender o cliente de ponta a ponta.
A companhia não abre números de clientes nem de receita, no Brasil ou no mundo. O que Jascolka aponta como medida de ambição é a expectativa sobre o próprio mercado: “A combinação de escala das empresas brasileiras com uma infraestrutura digital madura cria condições raras para que agentes de IA saiam do estágio de piloto e cheguem à produção com mais velocidade do que em outros mercados. É esse potencial que estamos focados em transformar em projetos concretos e em resultados para os clientes”, finaliza.
Conteúdo produzido por Startups.com.br



















