Família mais rica da Colômbia investe em petróleo na Venezuela
A família mais rica da Colômbia e a GeoPark, uma empresa independente de óleo e gás do país, acabam de se juntar à corrida do ouro na qual se transformou o setor de petróleo na Venezuela.
O Grupo Gilinski – que atua em finanças, imóveis e alimentos e energia – celebrou um contrato de participação produtiva (CPP) de 25 anos com a PDVSA para o bloco de Bare. O ativo, na Bacia do Orinoco, produz atualmente cerca de 11 mil barris por dia.
Agora, o bloco passará a ser operado pela GeoPark, a petrolífera com ativos na Colômbia e em Vaca Muerta na qual os Gilinski hoje possuem 20% de participação.
Pela forma como a transação foi estruturada, a GeoPark terá uma fatia inicial de 5% na empresa que será sócia do bloco venezuelano, e comprará os 95% restantes detidos pelos Gilinsky com recursos de uma emissão de novas ações. A família vai comprar 42 milhões de papéis na oferta – o suficiente para diluir os demais acionistas e se tornar a controladora da GeoPark com 56% da companhia.
A emissão será feita a US$ 12,22 por ação, um prêmio de 26% frente à cotação média dos últimos 30 dias.
A família Gilinski também se comprometeu a lançar uma oferta voluntária para adquirir a participação dos acionistas que desejem sair do negócio, pelo mesmo valor de US$ 12,22 por ação, num total de até US$ 100 milhões.
A ação da GeoPark fechou em alta de 1,8% hoje, a US$ 11,90, após bater US$ 13,13 na máxima do dia com o anúncio do acordo.
“A visão dos Gilinski é de que estão fazendo um bom deal para a GeoPark e ainda pagando um prêmio aos minoritários,” uma fonte próxima ao grupo disse ao Brazil Journal. “Além disso, estão oferecendo liquidez para os acionistas que não queiram ficar.”
A GeoPark disse que o M&A foi aprovado em seu conselho numa reunião na qual os indicados da família não votaram.
A companhia disse que os termos de troca levam em conta o “risco-país” da Venezuela e permitem uma “entrada estratégica” no mercado local, por meio de um ativo que terá “décadas de upside na produção.”
A projeção é de que a produção atual de 11 mil barris/dia dos campos possa atingir um pico entre 85 mil e 95 mil bpd depois dos investimentos.
“A incorporação de Bare e uma maior produção em Vaca Muerta na Argentina têm potencial para aumentar a produção da GeoPark para 75-85 mil bpd em 2030, aproximadamente 2,7 vezes os níveis atuais,” disse a companhia.
Em termos de múltiplos, a oferta dos Gilinski avalia a GeoPark a 4,1x EV/EBITDA, comparado aos 3,5x na cotação atual.
Os barris da Venezuela estão sendo avaliados a 2,1x EBITDA para a produção prevista em 2027-2029 (a um Brent de US$ 75 por barril) e 0,7x para a produção esperada em 2030-2051.
O CEO Felipe Bayon disse que “a reativação do setor de energia venezuelano representa uma das mais importantes oportunidades industriais da América Latina”, e que o ativo adquirido “oferece escala massiva, infraestrutura existente, histórico de produção e um potencial significativo de retomada.”
A área será explorada dentro do modelo de CPP, recém-aprovado na Venezuela, pelo qual a GeoPark, como operadora, financiará 100% do capex e terá uma participação efetiva de 65% no ativo – com o restante nas mãos da PDVSA.
O BTG Pactual assessorou a GeoPark; a PwC foi assessora tributária; Cleary Gottlieb e o Baker McKenzie foram os assessores jurídicos.
A família Gilinski controla bancos, incluindo o britânico Metro Bank, empresas financeiras e o grupo de alimentos Nutresa, um dos maiores da América Latina, além de atuar em imóveis e ter um grupo de mídia.
A família entrou no setor de energia em março, quando comprou os 20% da GeoPark. Ao fechar o negócio, o grupo já dizia que a entrada na Venezuela poderia ser uma oportunidade estratégica.
A lista de petroleiras internacionais voltando ou entrando na Venezuela inclui as britânicas BP e Shell, a ADNOC, de Abu Dhabi – além da Chevron, que já estava presente no país antes.
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