Café com pipoca e farofa: dona da 3corações assume Yoki, Kitano e duas fábricas
O Grupo 3corações assumiu nesta quinta-feira (3) as marcas Yoki e Kitano, o escritório administrativo de São Bernardo do Campo (SP) e as fábricas de Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT), ativos que formavam a operação da General Mills no Brasil. A dona do café 3 Corações passa a reunir cerca de 12.700 funcionários, 15 unidades industriais e presença em mais de 600 mil pontos de venda no país, segundo o comunicado da companhia.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.O negócio havia sido anunciado em 17 de março, avaliado em R$ 800 milhões, ou aproximadamente US$ 153 milhões. Com a conclusão, cumpridas todas as condições regulatórias e contratuais, a fabricante de Cheerios encerra 14 anos de presença industrial no mercado brasileiro.Leia também: Häagen-Dazs sai do Brasil e abre espaço para concorrentes em sorvete premiumO preço indica uma desvalorização nos negócios da empresa americana pelo país. Em 2012, a General Mills desembolsou US$ 940 milhões pela Yoki Alimentos, sendo US$ 820 milhões em dinheiro, líquidos do caixa da adquirida, e US$ 120 milhões relativos à dívida assumida, conforme o informado à SEC (Securities and Exchange Commission), a comissão de valores mobiliários dos EUA.O que a companhia recebe agora equivale a 16,3% do valor agregado daquela compra, ou a 18,7% da parcela paga em dinheiro. As duas empresas não abriram o perímetro do negócio atual, e a comparação é feita em dólares nominais, sem correção pela inflação do período.Naquele momento, a Yoki era uma empresa familiar sediada em São Bernardo do Campo (SP), criada em 1960, com mais de 5.000 empregados e receita de R$ 1,1 bilhão em 2011, de acordo com o mesmo arquivamento. O escritório comprado em 2012 volta agora ao controle de uma companhia brasileira.A operação no Brasil gerou US$ 350 milhões em vendas líquidas no ano fiscal de 2025, diante de US$ 19 bilhões apurados pela companhia no mundo, informou a americana em comunicado de 17 de março. A saída integra a estratégia batizada de Accelerate, que concentra recursos em sorvete super-premium, comida mexicana, barras de cereais e alimentos para animais de estimação. A mesma reformulação já havia tirado a Häagen-Dazs das prateleiras brasileiras, depois de cerca de 30 anos de distribuição, segundo anúncio em agosto.A transação passou pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sem restrições, em decisão publicada no Diário Oficial da União em 17 de agosto. Duas fabricantes mineiras, a Pachá Alimentos e a Produtos Anchieta, haviam se posicionado contra a compra, sob o argumento de aumento da concentração e de redução das opções para o consumidor.Do café à pipoca e à farofaO salto de escala do comprador aparece na comparação entre os dois comunicados. Em março, a companhia fundada em 1959 e sediada em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, declarava aproximadamente 9 mil colaboradores, 28 centros de vendas e distribuição e 13 unidades industriais. A empresa chega a setembro com 12.700 pessoas e 15 plantas, um acréscimo de cerca de 3.700 funcionários em uma tacada.A Yoki lidera as vendas de pipoca de micro-ondas, farofa e batata palha, com presença em farináceos e acompanhamentos, e a Kitano está entre as marcas mais tradicionais em temperos, ervas e especiarias, segundo o comunicado do grupo. São seis rótulos em 21 categorias, além da marca de bebidas de soja Mais Vita, que não é citada na nota da compradora, conforme a publicação setorial americana Food Business News.A sobreposição é parcial. Em temperos e derivados de milho o grupo já operava, com as marcas Dona Clara e Kimimo, e o mesmo vale para refresco em pó, com a Frisco, e achocolatado, com a Chocolatto, categorias listadas nos dois comunicados. O que é inédito no portfólio da empresa cearense são pipoca, farofa, batata palha e farináceos. A companhia também entrou em leites vegetais, suplementos e snacks por meio de uma joint venture com a Positive Co., que reúne A Tal da Castanha, Possible, Plant Power, Jungle e Zaya.Desde o anúncio, a empresa se comprometeu a preservar as marcas compradas em vez de absorvê-las sob rótulos próprios, promessa repetida no comunicado desta quinta-feira.Leia também: Como uma empresa mexicana transformou a pipoca em atração principal nos cinemas"Estamos concluindo uma aquisição muito relevante para a nossa história e, ao mesmo tempo, iniciando um novo capítulo", afirmou Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações, na nota de conclusão do negócio.“Nascemos do café, e foi a partir dele que construímos nossa relação com milhões de famílias brasileiras. Com o tempo, ampliamos nossa atuação para novas categorias e ocasiões de consumo”, disse o executivo, no mesmo texto.Em março, ao anunciar a compra, o presidente havia enquadrado a operação como um passo para alcançar todas as refeições do dia, do café da manhã ao jantar, segundo o comunicado daquela data.O Deutsche Bank atuou como assessor financeiro exclusivo do comprador, com o escritório Miguel Neto Advogados na consultoria jurídica, informou o grupo em março. A General Mills foi assessorada pelo Goldman Sachs, tendo o KLA Advogados como consultor jurídico, segundo o anúncio da americana na mesma data.Leia tambémLeão construiu um império do chá no Brasil. Agora planeja dobrar de tamanho




















