Caso Master-Moraes segue reverberando nas eleições, a cautela de Lula e a batalha pelo voto feminino
Em meio aos recentes episódios do caso Master envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem agido nos bastidores. No entanto, os desdobramentos e o debate gerado pelo caso já trazem reflexos diretos para o cenário político e nas eleições.
Para conter os danos, a campanha petista e o Palácio do Planalto adotaram um nível de controle rigoroso para evitar acusações de uso da máquina pública e conter fake news.
As medidas de cautela incluem orientação para que ministros apaguem postagens em redes sociais; suspensão de transmissões de eventos na TV estatal, mesmo para atos oficiais do governo e revisão detalhada de anúncios governamentais para evitar distorções da oposição.
A preocupação é evitar episódios como a crise sobre a suposta taxação do Pix no final de 2024, que prejudicou a aprovação do governo.
Ainda assim, Lula enfrentou desgaste recente na internet por conta de fotos com uma lobista investigada por corrupção — relação que sua campanha nega existir. Aliados do presidente também citam receio quanto à interferência externa do governo dos EUA no pleito.
O caso Master nas redes sociais
Ainda assim, a campanha de Lula não conseguiu evitar que o caso envolvendo Moraes respingasse a popularidade do presidente nas redes sociais.
Segundo levantamento da empresa de monitoramento Vox Radar encomendado pela CNN, o senador Flávio Bolsonaro (PL) oi o principal beneficiado no debate digital sobre as revelações envolvendo o ministro do STF e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em uma amostra de 300 mil comentários no Instagram analisados entre 1 e 2 de setembro, Flávio Bolsonaro obteve um saldo positivo de 41.478 atribuições.
A análise aponta que o ganho do senador foi majoritariamente indireto, impulsionado pelo desgaste de adversários e por sua posição de oposição ao ministro.
Por outro lado, Lula apresentou um saldo negativo de 26.283 atribuições na mesma amostra.
O estudo identificou uma transferência de desgaste para o presidente com a proximidade das eleições: 34,2% das menções prejudiciais a ele foram motivadas por associação a Moraes, ao STF ou ao Judiciário.
No geral, 73% das reações analisadas sobre Moraes foram classificadas como negativas.
O impacto nas redes ocorre em um momento em que a vantagem de Lula nas pesquisas de intenção de voto diminuiu, resultando em um empate técnico com Flávio Bolsonaro.
O cenário para o governo piorou após uma sequência de denúncias envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís, e seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro.
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Telefone VEJA AQUIControvérsias da oposição nas eleições
O candidato do PL também enfrenta suas próprias polêmicas digitais na esteira das eleições. A revista Piauí revelou que Flávio Bolsonaro solicitou um pagamento de US$ 1,6 milhão a Vorcaro, que está preso, quantia que se soma a outros US$ 24 milhões revelados em maio — valor que o senador afirma ser investimento para um filme sobre Jair Bolsonaro.
Apesar dos desdobramentos polêmicos, analistas e pesquisas qualitativas indicam um cenário de apatia nas ruas e cansaço do eleitor diante da polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
Além disso, uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbe plataformas de recomendarem conteúdos de candidatos a não seguidores restringe o alcance das campanhas às suas próprias "bolhas" virtuais.
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Voto feminino no radar
Fora do Caso Master-STF, a disputa nas eleições ganhou novos contornos na propaganda do rádio e da televisão nesta quinta-feira (3), com foco direcionado ao eleitorado feminino.
Flávio Bolsonaro centrou suas inserções e programa na pauta da segurança pública, apontando o recorde de feminicídios em 2025 para criticar a gestão de Lula e destacando sua atuação contra a saída temporária de presos.
Lula, por sua vez, levou a primeira-dama Janja da Silva ao rádio para apresentar ações do governo voltadas às mulheres.
Paralelamente, o petista concentrou inserções na defesa do fim da jornada de trabalho 6x1 sem redução salarial, utilizando declarações contrárias de Flávio Bolsonaro para desgastar o adversário.
*Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo
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