A XP das academias? Ex-sócio replica o modelo da corretora na SkyFit
Durante 17 anos, Caio Peres foi uma das cabeças por trás da estratégia da XP de espalhar escritórios de agentes autônomos pelo Brasil.
Agora, ele quer fazer algo parecido – só que, no lugar dos assessores de investimentos, entram os donos de academias.
O ex-sócio da XP assumiu a SkyFit após liderar um grupo de investidores que em abril comprou a rede de academias de seus fundadores.
Caio não abre os números, mas pessoas a par do assunto disseram ao Brazil Journal que o consórcio pagou cerca de R$ 400 milhões – o equivalente a 5,5x o EBITDA deste ano.
Entre os investidores estão a NVA Capital, de Marcelo Maisonnave, Eduardo Glitz e Pedro Englert, e a Bird Capital, do ex-Patria Gustavo Moraes, além de cerca de 30 investidores ligados principalmente aos mercados financeiro e de tecnologia. O Itaú BBA também deu crédito para a transação.
Desde então, Peres vem tentando aplicar o modelo da XP nas 370 academias da SkyFit – todas elas franquias, e espalhadas por 22 estados.
Segundo ele, o que ajudou a XP a ganhar escala foi o recrutamento de empreendedores locais para sua base. Em troca, a corretora entregou tecnologia, treinamento, dados e poder de negociação para que conseguissem competir melhor do que conseguiriam sozinhos.
“Na XP, eu auxiliava pessoas que nunca tinham empreendido a empreender – algo muito parecido com uma franquia,” disse Caio. “A ideia é mostrar que a pessoa pode até montar uma academia sozinha, mas com a gente será mais fácil. Vamos pegar na mão, treinar e ensinar.”
Para o plano dar certo, o CEO se cercou de conhecidos ex-XP.
Henrique Meirelles assumiu como CFO; Amanda Coelho, como COO e CTO; Guilherme Leite virou diretor comercial; e Paulo Siqueira assumiu a cadeira de engenharia.
Caio também criou um partnership nos moldes da antiga casa para transformar os principais executivos em sócios.
Antes da chegada da turma da Faria Lima, a SkyFit já tinha escala.
A rede foi fundada em 2020 por Bruno Berardo e Everton Carvalho na cidade de Americana, e chegou a inaugurar cinco unidades próprias antes de entrar nas franquias.
Quando o grupo de investidores comprou o negócio, eram 320 academias. Quatro meses depois, são 370 unidades e 1 milhão de alunos.
Hoje a rede não tem uma única loja própria – e Caio diz que pretende continuar assim.
Com faturamento médio de R$ 200 mil por loja, a SkyFit deve fechar o ano faturando cerca de R$ 800 milhões. Para o franqueado, a margem fica próxima de 30% – a SkyFit recebe 10% da receita das unidades.
Segundo o CEO, o modelo também permite uma expansão com menos capital. Para montar uma SkyFit, o empreendedor precisa desembolsar cerca de R$ 1,5 milhão – ante os R$ 3,8 milhões necessários para uma franquia da Smart Fit.
(A Smart Fit vai na direção contrária: está apostando principalmente no crescimento da rede própria, e tem só 20% de franquias.)
Caio diz que a diferença no capex está no modelo de contratação dos aparelhos – o maior investimento de uma academia.
Em vez de comprá-los, o franqueado pode fazer um leasing diretamente com os fornecedores de equipamentos, como Movement e Kikos. Resultado: um pacote cuja compra custaria cerca de R$ 1,3 milhão pode sair por R$ 35 mil a R$ 40 mil por mês, disse Caio.
“Como as máquinas depreciam mais ou menos no tempo desse leasing, o usual é você devolver as máquinas e pegar outras ao fim do contrato,” disse Caio.
É com esse pacote mais em conta que a SkyFit quer ganhar espaço em locais menos visados pela empresa dos Corona.
A companhia não pretende disputar prioritariamente bairros como Moema ou Leblon: quer cidades menores e regiões periféricas, onde consegue operar com receitas mais baixas e enfrentar principalmente academias independentes.
“Eu consigo entrar em cidades de 20 mil, 30 mil habitantes e concorrer com academias de bairro,” disse Caio. “É um oceano azul.”
A SkyFit já mapeou 1.500 cidades onde acredita que ainda pode entrar. Segundo Caio, existem cerca de 70 mil academias independentes no Brasil, contra apenas 5 mil a 6 mil unidades de redes.
Caio também quer mudar a forma como o atendimento das academias é visto. “O serviço das low cost hoje é muito ruim,” disse o empreendedor. “Não acho que seja high value, low cost. Vejo mais como low value, low cost.”
O desafio é fazer tudo isso sem perder velocidade.
A SkyFit quer abrir cerca de dez academias por mês e chegar a 1.000 unidades em cinco anos.
No horizonte mais longo, Caio tem uma ambição ainda maior: ele acha que o modelo asset light pode fazer a SkyFit ultrapassar a Smart Fit em número de academias no Brasil.
Para ele, isso poderia acontecer entre cinco e dez anos – dependendo, claro, do quanto a líder também crescer.
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