Fintech de crédito consignado capta R$ 20 milhões e mira portfólio multiproduto
A fintech Bull anunciou nesta terça-feira (1) a captação de R$ 20 milhões em uma rodada seed. O aporte foi liderado pelos fundos Maya e Caravela. A Canary, gestora que comandou a captação anterior da empresa, também participou.
Rodada seed é a primeira captação formal de uma startup após a fase inicial de validação. Ela vem depois do pré-seed, aporte usado para tirar o produto do papel. A Bull havia levantado R$ 10 milhões nessa etapa pouco mais de um ano antes.
A empresa opera como plataforma de credit as a service, expressão que descreve a oferta de crédito como serviço. Em vez de construir a própria estrutura, a companhia contratante usa a tecnologia de um terceiro para emprestar dinheiro aos próprios clientes ou funcionários.
Hoje a Bull tem um único produto: o crédito consignado privado. É o empréstimo com desconto direto na folha de pagamento de trabalhadores com carteira assinada. A garantia de recebimento reduz o risco para quem empresta e derruba a taxa de juros.
“Criamos uma infraestrutura que simplifica essa oferta”, disse José Pires Neto, COO da fintech, em entrevista à Bloomberg Línea. Segundo ele, a plataforma assume a operação, o atendimento, a cobrança, a conciliação e a camada de inteligência de crédito que o cliente teria de montar sozinho.
Ainda de acordo com o executivo, um cliente consegue iniciar a operação de crédito em menos de um mês.
Quem usa a plataforma de crédito consignado privado?
A Bull saiu do MVP para uma base de mais de 20 clientes em pouco mais de um ano de operação. MVP é a versão mínima de um produto, lançada apenas para testar a demanda real do mercado.
No portfólio atual estão RecargaPay, Ng.Cash, C&A e Pernambucanas, segundo a empresa.
A startup foi fundada em 2025 por Juliana Freitas, que ocupa a cadeira de CEO, e por José Pires Neto. A dupla soma mais de 20 anos de experiência no mercado de crédito.
Os dois também fundaram a FortBrasil, companhia cearense de crédito e cobrança. O negócio chegou a ter 700 funcionários e foi comprado em 2023 pela DM, empresa que tem a Vinci Partners como investidora.
A operação da Bull ficou em São Paulo. A escolha facilitou o acesso a investidores e a clientes de maior porte, segundo os executivos.
Crédito do Trabalhador movimenta mais de R$ 131 bilhões
O consignado privado ganhou tração no ano passado. O motivo foi a reformulação do modelo e o lançamento do programa Crédito do Trabalhador, voltado a quem tem carteira assinada.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que o programa movimentou mais de R$ 131 bilhões desde março de 2025. Mais de 9 milhões de pessoas foram beneficiadas.
O principal atrativo é o custo. A taxa de juros gira em torno de menos da metade da cobrada no empréstimo pessoal tradicional.
Para Juliana Freitas, o consignado privado representava uma grande oportunidade desde o início, e o segmento tem confirmado essa leitura.
Para onde vai o dinheiro da rodada seed
Os recursos serão direcionados ao reforço da plataforma. A lista inclui inteligência artificial, fundação de dados, cibersegurança e automação de processos.
Fundação de dados é a estrutura que organiza e padroniza as informações internas de uma empresa. Sem ela, modelos de crédito e sistemas de IA trabalham com dados inconsistentes. O objetivo declarado do pacote é reduzir o custo operacional.
Nos últimos três meses, a Bull investiu mais nos times de dados, produto e engenharia. Segundo os fundadores, isso acelerou a entrega de novas funcionalidades.
O time tem 40 profissionais, com concentração em perfis sêniores. O número não deve crescer de forma considerável no curto prazo.
Neto afirma que a empresa segue a tendência de combinar mais IA com profissionais sêniores de alto custo e alta capacidade de entrega. Na avaliação dele, chegar a R$ 1 bilhão em movimentações não exigirá um quadro de 50 pessoas.
Crédito colateralizado e antecipação de recebíveis entram no radar
Com o novo aporte, a Bull quer ampliar o portfólio de modalidades oferecidas pela mesma infraestrutura. O horizonte é virar uma plataforma multiprodutos.
Entre as frentes em estudo estão linhas de crédito colateralizado, como financiamento de veículos e motos. Crédito colateralizado é o empréstimo que tem um bem em garantia, retomado pelo credor em caso de inadimplência.
A empresa também avalia formatos de antecipação de recebíveis dentro de cadeias entre empresas e seus fornecedores ou clientes. Nesse modelo, a companhia recebe hoje, com desconto, um valor que só entraria no caixa no futuro.
A intenção é lançar novos produtos de crédito pelo mesmo caminho já usado no consignado, segundo o COO.
Quais são as metas de originação da fintech?
A meta é originar R$ 1 bilhão em crédito em 2026. Originação é o volume total de empréstimos concedidos em um período. Em cinco anos, a ambição chega a R$ 10 bilhões, projeção que os fundadores dizem querer superar.
O plano tem três frentes. A primeira é aprofundar a penetração nos clientes já ativos, que devem responder por mais de 60% da originação do ano.
A segunda é adicionar novos clientes, com contribuição estimada entre 10% e 15%. A terceira é um canal de distribuição via leilão, em testes nas últimas semanas e com reforço previsto para o último trimestre.
A CEO afirma que a expectativa é ter alguma contribuição de um novo produto já no último mês do ano.
O artigo Fintech de crédito consignado capta R$ 20 milhões e mira portfólio multiproduto foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.




















