Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia
Pouco menos de um mês se passou desde que o Grupo Ri Happy divulgou a nova estratégia de crescimento em meio às mudanças de consumo, focada em diminuir o espaço para a venda de produtos e aumentar a prestação de serviços nas lojas físicas. Mas a arrumação da casa saiu da vitrine e chegou nos bastidores: agora, foi a vez de uma troca de cadeiras na posição de CEO, e de uma mudança no controle da companhia.
Desde 2021, o Grupo Ri Happy, composto pelas marcas Ri Happy, PBKids e Divertudo — recém-lançada —, fazia parte do portfólio de ativos da SPX Capital, gestora que administra mais de R$ 45,6 bilhões.
A empresa era herança do fundo global Carlyle, controlador da Ri Happy desde 2012. Quando o fundo encerrou as operações no Brasil, a SPX assumiu a gestão, incluindo a varejista de brinquedos.
Porém, essas questões societárias agora ganham um novo capítulo. Na última segunda-feira (31), a SPX vendeu totalmente o Grupo Ri Happy para uma outra empresa novata no mercado: a holding BluSun Capital, criada há 12 dias.
Os detalhes financeiros da operação não foram divulgados, mas a venda encerra um período de 14 anos da companhia sendo controlada por fundos de investimento.
Além disso, a venda foi paralela a outra mudança importante no controle da empresa: a troca de CEOs.
Thiago Rebello, que estava na presidência do grupo desde janeiro de 2024, deixa o cargo para um nome que já é figurinha repetida na Ri Happy. Quem assume o comando da varejista é Héctor Núñez, executivo cubano que foi CEO do grupo entre os anos de 2012 e 2020.
Cabe destacar que a empresa que comprou o Grupo Ri Happy, a BluSun, tem Núñez como um dos sócios.
Em nota, a nova controladora afirmou que “o novo momento marca o retorno de Núñez a um negócio que ele conhece em profundidade, agora com uma perspectiva de longo prazo e foco na evolução do negócio”.
Quem é o novo-velho executivo?
O novo CEO Héctor Núñez nasceu em Cuba, cresceu nos Estados Unidos e se mudou para o Brasil na década de 90.
Ele tem passagem por diferentes companhias: foi CEO do Walmart Brasil entre 2006 e 2010, atuou como consultor de varejo no Carlyle — o fundo que controlou a Ri Happy por nove anos — entre 2010 e 2012, além de ter participado do conselho de outras varejistas, como Vulcabras, Marisa e RD Saúde.
Antes de voltar para a Ri Happy, ele estava na presidência da Novonor, antiga Odebrecht.
Em publicação no LinkedIn, o antigo presidente do grupo, Thiago Rebello, afirmou que o retorno de Núñez será “muito importante para o futuro da companhia” e que, agora, com a saída da SPX, a Ri Happy volta a ser “uma empresa de dono”.
Os planos da Ri Happy
Nesse mesmo post de LinkedIn, Rebello afirmou que chegou ao Grupo Ri Happy em um momento particularmente complexo.
“Havia muito a fazer: reestruturar, simplificar, recuperar a operação, reconstruir confiança e voltar a criar condições para pensar no futuro”, disse.
No último mês, o antigo CEO apresentou uma nova estratégia de negócios da varejista em resposta às mudanças de consumo dos brasileiros, chamada de Reset, com uma série de novas iniciativas nas lojas físicas e no varejo digital.
Entre as medidas nos espaços físicos, a Ri Happy vinha apostando na diminuição do varejo de brinquedos para dividir espaço com brinquedotecas, cafés, salas de jogos de tabuleiro e buffets de festas infantis.
Em entrevista ao Seu Dinheiro realizada em agosto, o antigo presidente afirmou que toda essa estratégia da Ri Happy teve inspiração na maior rede norte-americana de farmácias, a CVS.
Em uma fase de testes, as iniciativas aumentaram as vendas por metro quadrado em 77% o tempo de permanência médio do cliente de 11 para 42 minutos.
Já no ambiente digital, o foco de Rebello estava nas entregas rápidas e implementou parcerias com aplicativos de delivery e marketplaces como iFood, Shopee, TikTok Shop, 99 e Rappi.
Como fica agora
Segundo a BluSun, nova controladora do grupo, a prioridade imediata da gestão será a operação e a execução do principal período comercial do varejo infantil, que reúne Dia das Crianças, Black Friday e Natal.
A empresa também afirmou que dará início ao planejamento da próxima etapa de desenvolvimento, com foco na experiência do cliente, mas sem abrir detalhes.
Procurada pelo Seu Dinheiro para entender se a estratégia divulgada em agosto continua valendo, a holding recém-criada afirmou que quer primeiro “conhecer profundamente a companhia, acompanhar a operação e ouvir colaboradores, clientes, franqueados, fornecedores e parceiros”.
A empresa também colocou como meta ter a melhor sazonalidade da história, apesar de não divulgar projeções.
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