Emissões da indústria da moda crescem cerca de 14% em dois anos com uso de poliéster
As emissões de gases de efeito estufa da indústria da moda aumentaram em 2023 e 2024, em parte devido ao crescimento da produção global de fibras, especialmente de poliéster, segundo um novo relatório do Apparel Impact Institute.As emissões do setor de vestuário cresceram 6,3% em 2024, após uma alta de 7,5% no ano anterior. Em 2022, haviam registrado uma leve queda. 2024 é o ano mais recente para o qual o instituto dispõe de dados.As emissões da indústria da moda naquele ano ficaram em cerca de 1 gigatonelada — aproximadamente o equivalente a toda a pegada de carbono do Japão.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail."A tendência é bastante preocupante", disse Kurt Kipka, diretor de impacto do instituto, organização sem fins lucrativos que busca melhorar a sustentabilidade na indústria da moda. “É um sinal claro do aumento do uso de materiais.” (Fonte: Apparel Impact Institute)Kipka apontou os custos como um obstáculo importante aos esforços do setor para reduzir suas emissões. O poliéster virgem continua mais barato e mais disponível do que o material reciclado, afirmou.Agora, com a volatilidade provocada pela guerra no Irã pressionando os preços da energia, Kipka afirmou que o cenário reforça a necessidade de os fabricantes de roupas buscarem alternativas ao petróleo e ao gás. “É aí que as fontes de energia renovável e o armazenamento de energia em baterias nas próprias instalações se tornam uma alternativa mais atraente”, disse.O setor pode enfrentar uma queda de 34% nos lucros até 2030, segundo outra pesquisa do instituto, diante de possíveis interrupções nas cadeias de suprimentos e do aumento dos custos operacionais, a menos que as empresas ajam rapidamente para reduzir suas emissões de carbono. Leia também: Algodão renasce no RN com projetos que buscam reconectar o campo à indústria têxtilO setor da moda também acumula alguns avanços: o número de empresas de vestuário que tiveram metas climáticas baseadas na ciência aprovadas ou se comprometeram a estabelecê-las aumentou de cerca de 100 no fim de 2021 para mais de 700 até junho deste ano. Grandes marcas relataram reduções de dois dígitos em suas emissões e ampliaram a participação de fibras recicladas utilizadas nas peças de vestuário, segundo o relatório.Leia também: Ainda assim, empresas do setor recuaram em compromissos ambientais em meio a mudanças políticas e pressões inflacionárias. No início deste ano, a Burberry adiou em uma década sua meta anterior de zerar as emissões líquidas até 2040.Veja mais em bloomberg.com Leia tambémDo campo à vitrine: projeto busca rastrear o algodão de 1 milhão de peças de roupa




















