Ex-dono da Reag negocia delação com PGR com foco em Daniel Vorcaro, diz site

O ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada com 17 anexos sobre suspeitas de crimes financeiros. O material tem como um dos principais focos Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, segundo informações do UOL.
O acordo está na fase de ajustes finais e ainda não foi assinado. A proposta prevê que Mansur pague R$ 40 milhões em multas, montante equivalente ao que teria recebido da Reag durante o período em que a empresa estava em operação.
Segundo o site, Mansur afirma aos investigadores que a Reag prestava serviços ao Master desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle da instituição financeira, principalmente por meio da estruturação e administração de fundos de investimento.
Na proposta de colaboração, o executivo relata que fundos administrados pela Reag teriam sido usados para movimentar recursos desviados do Master, com participação de beneficiários de fachada e estruturas offshore.
Leia também Justiça afirmou que prova apresentada por Fábio Luís não permite aferir inveracidade ao conteúdo publicado pelo senador Investidores veem poucas diferenças na frente fiscal entre os dois principais candidatos
Justiça mantém no ar vídeo de Flávio em que ‘caça’ Lulinha

Com Lula ou Flávio, mercado mantém ceticismo sobre ajuste fiscal
Ainda segundo a reportagem, Mansur também apresentou documentos sobre as operações e afirma ter participado de negociações diretamente com Vorcaro que indicariam conhecimento do banqueiro sobre as transações.
Um dos objetivos da investigação é reconstruir o caminho do dinheiro e localizar recursos que possam ser recuperados. Mansur teria identificado novos fundos, empresas e pessoas que, segundo seu relato, participaram das operações investigadas.
Relação com o caso Master
A proposta de delação surge no momento em que as investigações sobre o Banco Master avançam sobre a atuação de fundos de investimento utilizados para movimentar recursos da instituição.
Investigações do Banco Central e da Polícia Federal apontam suspeitas de operações nas quais recursos emprestados pelo Master eram direcionados a empresas e, posteriormente, transferidos para fundos administrados pela Reag. Parte desses fundos teria adquirido ativos por valores muito superiores aos considerados reais pelos investigadores.
Mansur já é investigado na Operação Compliance Zero por sua relação com o Master. A Reag também apareceu na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de fundos de investimento.
O ex-dono da gestora negocia separadamente com o Ministério Público de São Paulo sobre fatos relacionados à Carbono Oculto.
Pendente de homologação
Antes de produzir efeitos jurídicos, o acordo de Mansur precisa ser formalmente assinado. Depois disso, deverá ser encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, que decidirá sobre a homologação.
A proposta também ocorre depois de uma tentativa de negociação conjunta envolvendo Mansur e Vorcaro, quando ambos eram representados pelo criminalista José Luís de Oliveira.
Segundo o UOL, as informações apresentadas por Vorcaro foram consideradas insuficientes pela PGR e pela Polícia Federal. Após a mudança na defesa, Mansur passou a ser representado pelo advogado Aloísio Medeiros e avançou individualmente nas negociações.
Entre os anexos apresentados pelo executivo também aparecem operações relacionadas a políticos. Segundo o UOL, Mansur relata um episódio envolvendo ingressos para um show de Taylor Swift destinados ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e apresenta informações sobre um fundo pertencente a ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, que era administrado pela Reag.
Wagner afirmou ao UOL que os ingressos foram obtidos a partir de um pedido pessoal feito a um amigo e disse não conhecer Mansur nem ter mantido relação com a Reag. ACM Neto declarou que os recursos investidos eram próprios, de origem declarada e lícita, e que as operações ocorreram dentro das regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).



























