Lenovo afirma que poder computacional atual não é suficiente para atacar a blockchain do Bitcoin
A afirmação é do gerente de desenvolvimento de negócios LatAm da Lenovo, Devanir Teixeira. O executivo conversou com exclusividade sobre o tema durante a Febraban Tech 2026.
Atualmente a Lenovo é a proprietária de 141 dos 500 maiores supercomputadores do mundo.
Segurança da blockchain do Bitcoin
BeInCrypto: Vemos com frequência notícias sobre ataques de hackers envolvendo o mercado de blockchain e criptoativos. A Lenovo trabalha diretamente com cibersegurança e alto poder computacional. Você acredita que seria possível realizar um ataque capaz de comprometer a blockchain do Bitcoin?
Devanir Teixeira: Não.
O poder computacional necessário para atacar uma rede blockchain do Bitcoin em escala mundial e gerar algum tipo de quebra ou queda dessa rede é algo que, hoje, a gente nem consegue dimensionar.
Se pensarmos no estado da arte em poder computacional, podemos falar de computadores quânticos. Eles existem e, teoricamente, poderiam atingir uma capacidade muito elevada.
Mas quantos computadores quânticos existem hoje em produção no mundo e estão 100% disponíveis para desenvolver algo com capacidade de chegar ao ponto de quebrar uma rede blockchain? Isso não existe hoje e não deve existir no curto prazo.
O papel da Lenovo
BeInCrypto: Onde a Lenovo entra nessa discussão?
Segundo Devanir, a Lenovo não está preocupada em desenvolver poder computacional para esse tipo de finalidade.
Nosso objetivo é proporcionar a tranquilidade e a segurança necessárias para que o processamento continue acontecendo da forma mais transparente e segura possível em nível mundial, explica.
Não por acaso, entre os 500 maiores supercomputadores do mundo, 141 são Lenovo. É a maior quantidade de supercomputadores de uma única empresa nessa lista.
Estamos falando de uma enorme capacidade computacional e, principalmente, de uma preocupação muito grande com segurança. Trabalhamos com dados extremamente críticos e sigilosos de instituições e órgãos de pesquisa do mundo inteiro.
Precisamos oferecer um poder computacional altamente eficiente, mas também um nível de controle e segurança igualmente eficiente. Isso está embarcado em nossos equipamentos. A Lenovo prioriza a segurança e a proteção contra ataques de hackers desde o nível do servidor até os mecanismos de controle de acesso.
Security by design
BeInCrypto: Essa segurança já nasce na engenharia dos equipamentos?
Sim. É security by design. É uma premissa para que uma máquina possa chegar ao mercado: ela precisa estar adequada às normas de segurança mais recentes. Isso é padrão na Lenovo.
E essa preocupação não está apenas no processamento, mas principalmente no armazenamento.
O hacker hoje não quer necessariamente ter acesso ao servidor; ele quer ter acesso aos dados. Claro que pode tentar chegar a esses dados através do servidor e, quanto mais camadas de proteção existirem no processamento, melhor.
Mas não adianta ter toda essa preocupação se o próprio usuário entregar uma senha em um ataque. É aí que entra a engenharia social, alerta o executivo.
Inteligência artificial e cibersegurança
BeInCrypto: Em tempos de inteligência artificial (IA), inclusive com discussões sobre vieses e ainda sem uma regulamentação global uniforme, como a Lenovo lida com a questão da cibersegurança?
Devanir: Temos essa preocupação por natureza. Cibersegurança pode não ser o escopo principal de atuação da Lenovo, mas não existe a possibilidade de estar entre as maiores empresas de tecnologia do planeta sem se preocupar com isso.
Por isso, precisamos incorporar mecanismos de segurança às nossas máquinas.
E não podemos nos preocupar apenas com o processamento. Existe também a camada de armazenamento. Imagine que um usuário, por algum motivo, tenha seu login e senha capturados por um hacker. Essa pessoa poderá conseguir acesso ao sistema. Nesse caso, toda aquela camada de segurança de hardware pode ser contornada por uma brecha de segurança humana.
Assim, também precisamos proteger diretamente os dados.
Hoje, os equipamentos e storages da Lenovo — não apenas os modelos high-end, mas também os de mid-range — já possuem inteligência artificial embarcada que monitora possíveis ataques de ransomware.
A ideia é que, mesmo se alguém conseguir quebrar a primeira camada de segurança e acessar o ambiente de processamento, não consiga acessar os dados. E, caso consiga chegar aos dados de alguma maneira, precisamos ter uma cópia imutável que garanta que essas informações não sejam destruídas ou completamente sequestradas.
IA desenvolvida dentro da Lenovo
BeInCrypto: Empresas como a NVIDIA trabalham há mais de uma década com inteligência artificial (IA). A Lenovo também treina e desenvolve IA para identificar esse tipo de ameaça? Existe uma inteligência própria dentro da engenharia da companhia?
Devanir — Temos que ter essa capacidade dentro da nossa engenharia. Precisamos possuir inteligência internamente que nos permita desenvolver soluções que possam ser embarcadas nos nossos equipamentos.
Então, sim. Não por acaso, a Lenovo é um dos grandes parceiros da NVIDIA no mundo. Temos essa capacidade dentro de casa justamente para desenvolver soluções cada vez mais eficientes e seguras.
Peso do Brasil e da América Latina
BeInCrypto: Qual é hoje o maior mercado da Lenovo no mundo? E qual é a representatividade do Brasil e da América Latina para a companhia?
Devanir — Somos muito fortes na Ásia, naturalmente, porque as raízes da Lenovo estão lá. Mas também temos uma presença muito forte na Europa e nos Estados Unidos.
A participação varia de acordo com o mercado, o momento e as oscilações relacionadas à cadeia de suprimentos. Em média, a América Latina representa cerca de 6% [dos números globais], e o Brasil responde por aproximadamente metade desse mercado.
Portanto, podemos dizer que a Lenovo Brasil representa aproximadamente 3% do número global da companhia. Pode parecer pouco, mas, do ponto de vista estratégico, é muito relevante.
Supercomputador da Petrobras
BeInCrypto: Você pode dar um exemplo dessa importância estratégica do Brasil?
Devanir — O maior supercomputador pertencente hoje ao Brasil é da Petrobras. É um computador Lenovo desenvolvido aqui pela equipe brasileira. Ele não é apenas o maior da América Latina, mas também o maior do Hemisfério Sul.
Estamos falando da Petrobras, uma empresa extremamente grande, que trabalha com dados altamente sigilosos relacionados ao petróleo. Estamos falando, inclusive, de soberania nacional. E essa máquina é Lenovo.
Quando falamos em entregar poder computacional aliado a controle e segurança, a Lenovo ocupa uma posição de liderança global. E reforço, entre os 500 maiores supercomputadores da lista atual, 141 são nossos. É a empresa com a maior quantidade de equipamentos nesse ranking.
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