Häagen-Dazs deixa o Brasil: a história por trás do sorvete premium que parece dinamarquês mas não é

A Häagen-Dazs está deixando o Brasil. A multinacional norte-americana General Mills, dona da marca, confirmou na última sexta-feira (21) que os sorvetes não serão mais distribuídos no país.
A decisão faz parte de uma reorganização do portfólio da empresa, que vem revendo os negócios mantidos em diferentes mercados. A companhia, porém, não informou se os produtos poderão voltar a ser vendidos no Brasil no futuro.
A saída encerra uma história de quase três décadas por aqui. Mas a marca carrega uma curiosidade desde a sua criação: apesar do nome que remete imediatamente à Dinamarca ou a algum país nórdico, a Häagen-Dazs não nasceu na Europa. O nome, na verdade, foi uma estratégia de marketing criada para transmitir uma imagem de sofisticação e tradição europeia.
Primeira loja da Häagen-Dazs no Bronx, bairro de Nova York - Imagem: By Fuhghettaboutit/ Wikimedia CommonsHäagen-Dazs não é dinamarquesa
A marca, aliás, nasceu nos Estados Unidos, em 1961, pelas mãos do casal de imigrantes poloneses Reuben e Rose Mattus. O nome Häagen-Dazs foi criado para soar europeu, mas não tem nenhum significado específico. A estratégia buscava transmitir uma ideia de tradição, qualidade e sofisticação em um mercado no qual o sorvete ainda estava associado principalmente a produtos populares.
A estratégia funcionou. Com o passar das décadas, a Häagen-Dazs construiu uma identidade associada a sorvetes premium e passou a atuar em dezenas de mercados ao redor do mundo. No Brasil, por exemplo, a marca se tornou presença frequente em empórios e supermercados com uma seleção mais sofisticada de produtos. Por aqui, o pote de 473 ml raramente custa menos de R$ 50, o que reforçava o posicionamento premium da marca.
Quase 30 anos no Brasil
A Häagen-Dazs chegou ao Brasil em 1997 e, inicialmente, concentrou suas vendas em supermercados e outros pontos de venda de São Paulo. A marca também investiu em lojas próprias, que funcionaram no país entre 1998 e 2018.
A marca chegou a ter oito endereços no país, cinco deles na capital paulista, nos shoppings Vila Olímpia, Morumbi, Villa-Lobos, Pátio Higienópolis e Pátio Paulista. Os outros três ficavam em Campinas, Rio de Janeiro e Brasília. A Häagen-Dazs também manteve uma loja na Rua Oscar Freire, um dos endereços mais sofisticados de São Paulo.
Mesmo sem as lojas, os potes de sorvete continuaram disponíveis em diferentes pontos de venda brasileiros. Agora, a distribuição também chega ao fim. Em comunicado, a General Mills afirmou que a decisão está relacionada a um “plano de reformulação de portfólio” anunciado em março deste ano.
Loja da Häagen-Dazs na esquina da Oscar Freire com a Bela Cintra fechou em 2018 - Imagem: DivulgaçãoPor que a Häagen-Dazs está deixando o Brasil?
Em março, a General Mills vendeu sua operação brasileira para a 3corações por R$ 800 milhões. O negócio envolveu marcas conhecidas dos brasileiros, como Yoki e Kitano, além de fábricas localizadas em Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT). A venda, porém não incluiu a Häagen-Dazs.
Segundo a General Mills, a operação brasileira havia registrado cerca de US$ 350 milhões em vendas líquidas no ano fiscal de 2025. A venda ainda faz parte de uma estratégia global da multinacional para se desfazer de negócios considerados menos estratégicos e concentrar investimentos em categorias com maior potencial de crescimento.
Potes de sorvete Häagen-Dazs - Imagem: DivulgaçãoEntre os segmentos considerados prioritários pela companhia estão alimentos para animais de estimação, comida mexicana, barras de cereais e sorvetes superpremium.
A marca continua sendo comercializada em diversos países. No Japão, por exemplo, a Häagen-Dazs Japan conduz a operação em parceria com o grupo japonês Suntory. Na China, a General Mills anunciou neste ano a venda de cerca de 170 lojas da marca. Os produtos, porém, continuam disponíveis em supermercados e no mercado de alimentação fora do lar.
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