Títulos longos dos EUA podem cair mais sem sinalização clara de Warsh
Os investidores em títulos estarão atentos ao discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole nesta semana, diante do risco de uma nova onda de vendas nos Treasuries de longo prazo enquanto os mercados buscam pistas sobre como o presidente do Federal Reserve responderá à inflação persistente e às preocupações fiscais.
Os títulos de longo prazo dos Estados Unidos vêm sofrendo pressão nas últimas semanas, e os investidores chegaram a levar o rendimento dos papéis de 30 anos ao maior nível desde 2007.
O Departamento do Tesouro respondeu anunciando planos para ao menos dobrar o volume de recompras de títulos com vencimentos mais longos, proporcionando apenas um alívio temporário à onda de vendas.
A forte oscilação das taxas aumenta a importância do discurso de Warsh no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole, na próxima sexta-feira. Os investidores buscarão sinais sobre a função de reação do Fed, especialmente sobre como os formuladores de política monetária pretendem responder a uma inflação que permanece persistentemente acima da meta de 2% do banco central e à deterioração do quadro fiscal, com a dívida nacional superando US$ 40 trilhões.
Leia também Declaração financeira revela ampla reorganização da carteira do presidente dos EUA, com movimentações entre US$ 78,1 milhões e US$ 263,1 milhões Presidente afirma que o secretário do Tesouro agiu por conta própria ao ampliar as recompras de títulos longos, em semana marcada por juros nas máximas de vários anosMeta na venda e Berkshire na compra: carteira de Trump gira até US$ 263 milhões; veja
Trump nega ter pressionado Bessent a intervir no mercado de títulos dos EUA
O próprio Warsh ofereceu poucas indicações sobre os próximos passos desde que assumiu o cargo, em maio. Sua aparição após a última reunião de política monetária provocou uma forte onda de vendas, ressaltando a sensibilidade do mercado aos comentários que fará na sexta-feira.
“Mais do mesmo, acredito, seria visto como uma decepção pelos mercados e poderia intensificar a onda de vendas na ponta longa da curva que temos observado”, afirmou Molly Brooks, estrategista de juros dos EUA na TD Securities.
Leia também:
- Medida do Tesouro dos EUA é “como pagar hipoteca no cartão de crédito”, diz JPMorgan
- Mundo redescobre dívida colossal dos EUA, e risco de crise começa a preocupar
- Ray Dalio recomenda trocar títulos por ouro e Bitcoin diante de risco fiscal dos EUA
Os fatores que vêm pressionando o mercado permanecem presentes, incluindo preocupações fiscais, inflação e incertezas sobre como o Fed reagirá, afirmou Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide Mutual Insurance Company.
“As razões fundamentais pelas quais os juros de longo prazo subiram continuam presentes”, disse.
Isso dá a Warsh uma oportunidade de acalmar os investidores ao esclarecer suas perspectivas, afirmou Dhiraj Narula, estrategista de juros do HSBC.
Entenda melhor: Treasuries: o que são e como funcionam os títulos do governo norte-americano
“Alguma caracterização sobre como o presidente Warsh enxerga as pressões inflacionárias subjacentes poderia, em nossa avaliação, já oferecer alguma justificativa para um prêmio de prazo menor relacionado à incerteza”, disse Narula.
Antes de Jackson Hole, os investidores terão uma nova leitura das pressões de preços com a divulgação, na quarta-feira, do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) de julho. No último mês, os dados de inflação, emprego e vendas no varejo vieram em linha ou abaixo das expectativas do mercado, levando os investidores a reduzir as apostas em altas de juros no curto prazo.

























































