Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram
O Ibovespa (IBOV) enfrentou a terceira semana de perdas consecutivas. A saída de fluxo estrangeiro, aumento das incertezas sobre o cenário fiscal do Brasil e dos EUA e pressão dos juros globais foram alguns dos motivos que fizeram a bolsa de valores despencar.
O principal índice da bolsa brasileira acumulou desvalorização de 0,86% na semana e encerrou a última sessão aos 171.031,73 pontos. Apesar da queda semanal, o IBOV conseguiu interromper uma sequência de 11 quedas consecutivas e subiu por três dias seguidos.
Já o dólar à vista terminou a sexta a R$ 5,1451, com alta de 1,21% no acumulado da semana.
Em agosto, a sangria ultrapassou os R$ 22 bilhões até o dia 19, dilapidando quase todo o saldo positivo que havia sido construído no ano. Segundo o JP Morgan, o mês de agosto já registrou a terceira maior saída de capital estrangeiro desde a crise financeira de 2008.
O banco, inclusive, rebaixou sua recomendação para os ativos brasileiros, de compra para neutro.
O que movimentou o Ibovespa na semana?
Por aqui, o cenário eleitoral seguiu nos holofotes, com o início das campanhas e expectativa de redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Os dois candidatos não confirmaram a presença no primeiro debate presidencial, marcado para este domingo (23).
O ambiente fiscal também voltou ao radar com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PCE) para o fim da escala 6×1. A medida já foi oficialmente despachada para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, sendo o senador Omar Azis (PSD-AM) o relator.
Entre os dados, destaque para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), com recuo de 0,6%, ante mediana de queda de 0,5% da pesquisa Projeções Broadcast.
O dado reforçou a leitura de perda de tração da atividade econômica e a expectativa de moderação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 (2T26).
Como o exterior derrubou a bolsa brasileira
A escalada dos juros dos títulos públicos das principais economias sacudiu os mercados no início da semana. O movimento refletiu a crescente preocupação dos investidores com a inflação e a trajetória fiscal dos EUA, em um cenário marcado por tensões geopolíticas e pela pressão dos preços de energia, impulsionada pela recente valorização do petróleo.
Em destaque, o rendimento do Treasury de 30 anos – referência para hipotecas imobiliárias de longo prazo nos EUA – atingiu na terça-feira (18) o nível mais alto desde 2007.
Na tentativa de conter o avanço e aumentar a liquidez, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou uma operação ampliada de recompra de títulos de longo prazo, dobrando o volume destinado aos papéis com vencimentos entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos. A medida ficará em vigor entre 9 de setembro e 4 de novembro.
Na avaliação de estrategistas, o impacto da medida sobre os juros dos Treasuries deve ser limitado no curto prazo. Para o JP Morgan, por exemplo, não há evidências de problemas de funcionamento no mercado de Treasuries que justificassem, neste momento, uma ampliação das recompras de títulos longos.
O Departamento do Tesouro também informou que a dívida pública do país atingiu US$ 40,05 trilhões, ultrapassando pela primeira vez na história a marca dos US$ 40 trilhões. O valor é mais que o dobro do registrado há uma década.
Sobe e desce do Ibovespa
As ações da MBRF (MBRF3) saltaram quase 22% e lideraram os ganhos da semana no Ibovespa.
Em destaque, o Bank of America elevou a recomendação para as ações MBRF3 de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26.
O banco enxerga uma combinação de recuperação das margens da carne bovina nos Estados Unidos, redução dos investimentos e uma forte melhora na geração de caixa a partir de 2027.
Confira as maiores altas do Ibovespa entre 17 e 21 de agosto:
CÓDIGONOMEVARIAÇÃO SEMANALMBRF3MBRF ON21,59%SLCE3SLC Agrícola20,20%BEEF3Minerva ON15,99%MRVE3MRV ON14,13%UGPA3Ultrapar ON10,55%PRIO3PRIO ON9,40%PETR4Petrobras PN8,39%CMIN3CSN Mineração ON8,26%PETR3Petrobras ON7,99%SUZB3Suzano ON7,84%Fonte: B3
Já a ponta negativa do Ibovespa foi liderada por Hapvida (HAPV3), pela segunda semana consecutiva, ainda pressionada pelos resultados do segundo trimestre (2T25).
No período, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões, tombo de 95,8% ante o resultado registrado um ano antes.
A empresa também enfrentou um debate com a ANS, que havia bloqueado reajustes e cancelamentos de contratos envolvendo cerca de 947 mil beneficiários inadimplentes. Ontem (21), a agência voltou atrás e retirou, por ora, as restrições impostas à companhia.
Nesta semana, o BTG Pactual cortou o preço-alvo das ações da companhia quase pela metade, avaliando que a companhia “tem um longo caminho pela frente”, considerando os desafios evidenciados no 2T26: escalada da judicialização, frequências ainda elevadas, sinistralidade (MLR) alta, provisões contingenciais e penalidades da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) elevadas, aumento das despesas corporativas e deterioração dos fundamentos do balanço, com consumo significativo de caixa.
Além disso, a ANS suspendeu os efeitos de medida cautelar anterior que impedia reajustes e cancelamentos de contratos anunciados recentemente pela operadora de saúde.
Veja as maiores quedas da semana:
CÓDIGONOMEVARIAÇÃO SEMANALHAPV3Hapvida ON-39,28%CEAB3C&A Modas ON-16,78%BRKM5Braskem PN-14,65%CSMG3Copasa ON-12,01%SBSP3Sabesp ON-11,68%GGBR4Gerdau PN-11,58%LREN3Lojas Renner ON-11,30%VAMO3Vamos ON-11,04%AZZA3Azzas 2154-10,99%GOAU4Metalúrgica Gerdau ON-10,54%The post Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram appeared first on Seu Dinheiro.
























































