Dona da InfinitePay aposta em cartão e agente de IA para crescer além das maquininhas
A CloudWalk decidiu transformar o Pier, plataforma de gestão financeira adquirida há cerca de um ano, em uma solução bancária voltada ao consumidor final. A nova versão do produto da dona da maquininha InfinitePay conta com cartão de crédito e investimentos em CDB operado por um agente de inteligência artificial que administra o dinheiro do usuário."Toda a economia do futuro em alguns anos será agêntica. Todo mundo terá os seus próprios agentes e esses agentes farão tudo para nós: comprar coisas, investir, tentar aumentar sua rentabilidade", afirma Luís Silva, fundador e CEO da CloudWalk em entrevista à Bloomberg Línea.O carro-chefe dessa nova fase é o cartão Pierre One, que oferece 3% de cashback nas compras elegíveis - boletos não entram nessa modalidade. O acesso é condicionado a um investimento mínimo de R$ 20 mil em CDB da própria CloudWalk, produto que pode render até 111,11% do CDI. O percentual parte de 102% e avança conforme o prazo de permanência do dinheiro no título.Por ora, o único produto de investimento oferecido é o CDB da própria CloudWalk, batizado “CDB mIAu”. O nome do Pierre é uma homenagem do fundador da plataforma, o engenheiro Lucas Porto, a um dos seus gatos. Nascida em 2025, a ferramenta foi adquirida um mês depois da criação pela CloudWalk e conta com mais de R$ 800 milhões sob gestão. “No lançamento é o CDB da CloudWalk, mas em breve teremos novidades”, diz o executivo, que descartou planos de oferta de empréstimos ao consumidor. Leia também: OpenAI avança no Brasil e diz que país está entre os cinco maiores mercados em receitaO público do Pierre One, segundo o executivo, é formado por pessoas com renda mensal acima de R$ 12 mil. Um perfil jovem, com capacidade de investir, mas que não é bem atendido em produtos financeiros e está com o dinheiro distribuído em diferentes instituições.O foco da estratégia de marketing da empresa está em patrocínios ligados à arte, cultura e moda — incluindo eventos na Pinacoteca e no MASP —, território onde a CloudWalk diz já encontrar seu público. “As pessoas que usam o Pierre hoje estão envolvidas com arte, com tecnologia, com moda, com cultura e são eles que têm nos dado feedback. Estamos reforçando a nossa mensagem nesses ambientes”, diz o empreendedor. Perguntado sobre a possibilidade de levar o Pierre aos Estados Unidos, onde a CloudWalk já opera com a Jim.com, Luís disse não “ter pressa para ir para os Estados Unidos”. A prioridade, segundo ele, é a base de dezenas de milhões de consumidores brasileiros ainda endereçável.Da gestão de financeira à estrutura bancáriaA aquisição do Pierre em agosto de 2025 marcou a primeira interação da CloudWalk com o consumidor final. A fintech criada por Silva construiu o seu nome no mercado nacional com a InfinitePay, maquininha focada em pequenos e médios empreendedores. Nos Estados Unidos, em seu primeiro movimento de internalização, opera sob a marca Jim.com. Hoje, o unicórnio, investido de fundos como DST Global, The Hive e Valor Capital Group, tem uma receita anualizada de US$ 1,7 bilhão e é um dos candidatos entre as startups ao IPO. A decisão de migrar para o B2C surgiu do apetite da CloudWalk por novos vetores de crescimento. “Nós olhamos o mercado e vimos que tem um espaço muito legal para experiências de agênticas bancárias com o cliente”, afirma.Um dos pontos centrais da proposta é a capacidade do agente de realizar compras de forma autônoma em nome do usuário. “O cliente consegue definir restrições sobre o que o Pierre vai comprar ou a maneira como vai investir seu dinheiro”, afirma Silva, que compara a evolução da autonomia do agente a um piloto automático de carro. “Vai evoluindo conforme você vai ganhando confiança.”Leia também: Coursera mira ensino individualizado com IA após aquisição bilionária da Udemy, diz CEONa prática, o cliente pode pedir, por exemplo, uma TV de 50 polegadas dentro de um teto de preço e prazo de entrega. O agente pesquisa e retorna com uma sugestão de compra antes de executá-la. A CloudWalk diz que a estrutura de segurança do Pierre usa os controles regulatórios já aplicados à companhia, que opera como instituição de pagamento supervisionada pelo Banco Central.O novo momento do Pierre acontece em um momento em que a plataforma soma mais de 1,5 milhão de usuários. Segundo a Cloudwalk, os usuários já criaram mais de 280 mil agentes personalizados para acompanhar situações específicas da sua rotina financeira. A startup não revela qual é o número de pagantes, mas, segundo o fundador da CloudWalk, o faturamento do Pierre está na casa das dezenas de milhões de reais. No modelo da plataforma, os usuários podem conectar um banco gratuitamente para acompanhar os seus gastos e informações financeiras. O plano mensal mais popular é o pro, que custa R$ 39,00 e permite a conexão de até 5 bancos. A diferença do Pierre em comparação com outros agregadores que cresceram na época da pandemia, quando as taxas de juros caíram e o mercado ganhou um número elevado de investidores, está no nível de inteligência que a tecnologia entrega atualmente, de acordo com Silva. “A primeira grande diferença do Pierre é que, além de ser um agente de investimento e que cuida do seu dinheiro de uma maneira muito inteligente, ele é lançado nesta janela em que os modelos de LLMs estão muito avançados”, afirma.




















































