Bitcoin dispara ao maior nível desde junho após EUA dobrarem recompra de títulos
O Bitcoin (BTC) subiu quase 6% nesta quarta-feira (19) e chegou perto de US$ 69 mil, maior nível desde o início de junho, depois que o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai ao menos dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos públicos de prazo mais longo. Por volta do fim da tarde, a criptomoeda era negociada a US$ 68.619, alta de 5,8% em 24 horas, segundo a CoinGecko.
No acumulado de sete dias, o Bitcoin sobe 8,1%, com valor de mercado de US$ 1,377 trilhão e volume negociado de US$ 30,2 bilhões nas últimas 24 horas. A moeda ainda está cerca de 46% abaixo do recorde de US$ 126.080 registrado em 6 de outubro de 2025.
O movimento acompanhou a reação do mercado de renda fixa americano. O Tesouro comunicou que o teto por operação de recompra para papéis nominais de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos passa dos atuais US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões. A mudança vale a partir de 9 de setembro e vigora até 4 de novembro, quando será definido se o volume ampliado será mantido, elevado ou reduzido.
Segundo o comunicado, a decisão reflete a intenção de dar mais suporte de liquidez aos vencimentos longos, onde há demanda consistente dos participantes de mercado, evidenciada pelo volume expressivo de ofertas de qualidade recebidas nesses leilões. O cronograma atualizado das operações será divulgado depois.
O efeito nos juros foi imediato. O rendimento do Treasury de 30 anos, que havia batido 5,34% na terça-feira, recuou para 5,192% nesta quarta, enquanto o de 10 anos cedeu a 4,649%. A queda dos yields reduz o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam juros, como o Bitcoin e o ouro, que subiu mais de 3,5% e era cotado a US$ 4.487 a onça-troy.
Leia também: Por que Ibovespa sobe mais de 2% com recompra de títulos pelo Tesouro dos EUA?
Liquidações turbinam a alta
Parte do movimento veio da própria estrutura do mercado de derivativos. Dados da CoinGlass citados pela CoinDesk mostram que US$ 1,3 bilhão em posições foram liquidadas entre 14h50 e 15h50 (horário UTC), mais da metade em pares de Bitcoin. O Ethereum respondeu por cerca de US$ 430 milhões. Como boa parte dessas posições era vendida, a liquidação forçada obriga o investidor a recomprar o ativo, o que amplifica a alta.
Outras criptomoedas acompanharam o movimento. O Ethereum subia 9%, a US$ 2.090, enquanto Solana avançava 6,5% e XRP, 6,9%, de acordo com a CoinGecko.
Para Geoff Kendrick, analista do Standard Chartered, o anúncio do Tesouro reforça a tese de que o fundo do ciclo já ficou para trás. Em relatório enviado ao Cointelegraph, ele afirmou que o nível técnico decisivo era US$ 65,5 mil e que a superação desse patamar confirmaria a mínima do ciclo. O analista escreveu que os investidores deveriam se posicionar para um movimento rumo a US$ 100 mil até o fim de 2026 e classificou a decisão do Tesouro como “exatamente o tipo de coisa que o Bitcoin adora”, em referência ao histórico do ativo de se beneficiar de intervenções de liquidez do governo e à sua oferta fixa.
O próximo teste está marcado para 4 de novembro, quando o Tesouro americano decidirá o futuro da capacidade ampliada de recompra. Até lá, o mercado deve monitorar se os yields de 30 anos seguem em queda e se a melhora nas bolsas e no Bitcoin se sustenta.
























































