Ex-executivo da Meta diz que Zuckerberg deixou segurança infantil em segundo plano
Mark Zuckerberg, CEO da Meta ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms META.O testemunhou na quarta-feira que o CEO Mark Zuckerberg foi responsável por uma cultura que pode ter levado a empresa a se esquivar de sua responsabilidade de proteger crianças que usam suas plataformas Facebook e Instagram de danos. Arturo Bejar, um crítico ferrenho da Meta que trabalhou na empresa de 2009 a 2015 e como consultor independente de 2019 a 2021, afirmou que Zuckerberg estava intimamente envolvido em grande parte da tomada de decisões, e a cultura hierárquica da empresa garantia que as mudanças no design do produto só ocorreriam se ele as ordenasse. "Se Mark prioriza algo, montanhas se movem em meses", disse Bejar. Bejar é a primeira testemunha em um julgamento histórico sobre as alegações apresentadas por uma coalizão de estados que acusam a empresa de projetar suas plataformas para viciar usuários jovens e de coletar ilegalmente dados de crianças menores de 13 anos. Agora no g1 Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a Meta de ter projetado o Facebook e o Instagram para viciar usuários jovens, alimentando ansiedade, depressão e até suicídio, além de enganar os consumidores sobre a segurança das plataformas. Esses estados e outros 25 também acusam a Meta de violar a lei federal ao coletar e usar indevidamente dados pessoais de crianças enquanto elas utilizavam suas plataformas. Meta negou as alegações e argumentou que as opiniões de Bejar estavam além do escopo de seu trabalho. Bejar começou a depor no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, na terça-feira, quando o julgamento teve início. O julgamento deverá durar seis semanas, e espera-se que Zuckerberg preste depoimento. Testemunha afirma que a segurança foi uma "ideia tardia". Bejar ajudou a conduzir pesquisas sobre as experiências de adolescentes como parte de uma equipe que examinava o bem-estar no Instagram entre 2019 e 2021. Ele tem sido bastante crítico em relação ao histórico de segurança da Meta para crianças e testemunhou perante uma comissão do Senado dos EUA em 2023, afirmando que a Meta tinha conhecimento do assédio e de outros danos enfrentados por adolescentes em suas plataformas, mas não tomou medidas para resolvê-los. Em seu depoimento de quarta-feira, Bejar afirmou que a Meta utilizava métricas como interações sociais significativas e usuários ativos diários para recompensar funcionários, priorizando o engajamento do usuário — e o lucro — em detrimento da segurança. Ele também afirmou que uma ferramenta usada pela Meta para incentivar os usuários a fazerem pausas, um recurso fundamental citado pela Meta em sua defesa, foi "projetada para falhar" porque não é a configuração padrão e os lembretes são fáceis de ignorar. "Todos os caminhos levam ao tempo de desenvolvimento do produto", disse ele. "Nesse contexto, a segurança sempre foi uma reflexão tardia." Bejar também afirmou que a Meta possuía tecnologia para identificar e exigir verificação de usuários, potencialmente milhões, suspeitos de terem menos de 13 anos, mas ignorava o problema por meio de uma política de "não pergunte, não conte", pois isso era financeiramente vantajoso a longo prazo. "Onde estão as crianças mais novas é onde os usuários estarão no futuro", disse ele. Especialistas afirmaram que o julgamento é o maior teste legal já realizado sobre os efeitos das redes sociais nos jovens usuários. A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes por supostos danos a crianças. Bejar tem sido uma testemunha fundamental contra a empresa em três dos casos que foram a julgamento até o momento. Um desses casos, movido pelo Novo México, resultou em US$ 942 milhões em indenizações e multas, além de uma ordem judicial exigindo que a Meta altere suas plataformas no estado. *Esta reportagem está em atualização























































