Emirados Árabes cortam laços econômicos com Irã após mísseis atingirem seu território
Os Emirados Árabes Unidos cortaram todos os laços econômicos com Teerã após acusarem o Irã de disparar mísseis balísticos contra seu território, elevando ainda mais as tensões na região.
O país do Golfo Pérsico, um dos principais parceiros comerciais do Irã, informou que suspendeu o comércio e as transações financeiras por prazo indeterminado diante de “escaladas que minam a paz e a segurança regionais e internacionais”. O Irã negou responsabilidade pelo ataque, que seria o primeiro contra território emiradense desde maio. Os voos entre os dois países continuavam operando normalmente nesta quarta-feira.
O afastamento dos Emirados aumenta a pressão sobre o Irã em um momento em que as negociações com os Estados Unidos para encerrar definitivamente a guerra estão paralisadas, enquanto Washington prepara novas medidas para intensificar o aperto sobre a economia da República Islâmica. Embora tenha resistido a décadas de sanções, o Irã sofreu danos em sua capacidade industrial após quase seis meses de conflito, além de enfrentar queda nas exportações de petróleo e alta da inflação.
“Não há conversas ou negociações em andamento, nem programadas, com a República Islâmica do Irã”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua rede social na terça-feira.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou na terça-feira com o conselheiro de Segurança Nacional dos Emirados, Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, sobre segurança regional e liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Segundo comunicado do Departamento de Estado, os dois também discutiram a “coordenação contínua entre EUA e Emirados para responsabilizar o Irã e seus grupos aliados por ataques em andamento”.
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O petróleo Brent avançou pelo quarto dia consecutivo nesta quarta-feira, sendo negociado próximo de US$ 92 por barril. A referência global acumula forte alta à medida que diminuem as perspectivas de uma rápida reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.
Na noite de terça-feira, um alerta de ameaça de mísseis foi acionado em Dubai, orientando moradores a procurarem abrigo. Mais tarde, o Ministério da Defesa informou que dois projéteis direcionados ao tráfego marítimo caíram no mar e apenas um deles alcançou águas territoriais dos Emirados.
Nos últimos anos, os Emirados se consolidaram como o principal parceiro comercial do Irã, que depende dessa relação para acessar bens estrangeiros e moeda forte. Os laços estreitos entre os dois países remontam a várias gerações e são sustentados pela proximidade geográfica e por profundas conexões históricas.
Apesar disso, a relação enfrentou tensões durante grande parte da última década, especialmente após os Emirados apoiarem o endurecimento das sanções contra o Irã promovido por Trump em seu primeiro mandato. A assinatura do acordo de normalização diplomática entre Abu Dhabi e Israel também ampliou os atritos entre os dois países.
Os Emirados foram alvo de ataques intensos no auge da guerra, quando o Irã passou a atingir aliados dos EUA no Oriente Médio com drones e mísseis. Treze pessoas morreram no país, enquanto instalações de energia, portos e hotéis sofreram prejuízos de bilhões de dólares.
Mesmo assim, Abu Dhabi manteve relações diplomáticas com Teerã durante todo o conflito. Em junho, altos funcionários de segurança dos dois países chegaram a se reunir presencialmente em uma tentativa de reduzir as tensões.
Nesta quarta-feira, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Ali Abdollahi, alertou países da região contra qualquer apoio aos Estados Unidos.
“Os países do Golfo devem saber que nada escapa à nossa atenção”, afirmou em declaração divulgada pela agência estatal iraniana IRNA. “Advertimos que qualquer ajuda ou facilitação oferecida às forças militares agressoras dos EUA constitui participação conjunta com elas.”
Milhares de pessoas morreram na guerra, a maioria no Irã, antes de Washington e Teerã concordarem com um cessar-fogo em junho e se comprometerem a negociar um acordo de paz abrangente em 60 dias. O pacto, porém, foi repetidamente violado e acabou sendo considerado encerrado pelas duas partes antes mesmo de expirar nesta semana.
Na terça-feira, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz está aberto e operando normalmente, que todas as minas marítimas foram removidas e que o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos continua em vigor. Ainda assim, o tráfego pela via marítima permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra, e vários navios que tentaram atravessá-la sofreram ataques nos últimos dias.
“Se o presidente Trump quiser que o Irã recue, será necessário oferecer concessões”, afirmou Karen Young, pesquisadora do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia, à Bloomberg TV. “O que o Irã quer é acesso a ativos congelados e alívio das sanções. Isso faria parte de qualquer negociação. Mas, pelo que sabemos, esse não é o foco das conversas neste momento.”
Autoridades iranianas afirmam que negociam com Omã um acordo sobre a administração do Estreito de Ormuz e que sua reabertura dependerá do cumprimento, pelos EUA, de todos os compromissos assumidos em junho, incluindo o fim do bloqueio naval e das sanções.
Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que elevou os preços dos combustíveis nos Estados Unidos e se tornou cada vez mais impopular entre os eleitores, ameaçando enfraquecer o apoio ao Partido Republicano antes das eleições legislativas de novembro.
Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel, afirmou que a retomada da guerra pode voltar à mesa caso a pressão econômica não produza resultados.
“Os iranianos sabem que sua economia não vai bem e que sua população está sofrendo”, disse ele à emissora israelense Channel 12. “Não sabemos se isso mudará seu comportamento. Esperamos que sim, mas, se não mudar, pode chegar o momento em que uma nova operação militar se torne necessária.”
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