Israel investigará mortes de menina palestina e socorristas em Gaza
As Forças Armadas de Israel anunciaram nesta quarta-feira que abrirão investigações internas sobre os assassinatos de grande repercussão cometidos por suas tropas em Gaza: o da menina palestina Hind Rajab, de 5 anos, em janeiro de 2024, e o de 15 profissionais de emergência e assistência humanitária em março de 2025, embora grupos de direitos humanos afirmem que tais investigações raramente resultam em condenações.
As Forças Armadas afirmaram que as decisões sobre as investigações foram tomadas após análises realizadas pelo seu Mecanismo de Apuração de Fatos e Avaliação. Foram divulgadas decisões relativas a cinco incidentes envolvendo a morte de palestinos.
Entre elas, estava uma análise dos assassinatos de sete trabalhadores humanitários da organização beneficente World Central Kitchen, em abril de 2024. Sobre esse incidente, as Forças Armadas disseram que “não havia suspeita razoável de conduta criminosa que justificasse a abertura de uma investigação criminal”.
Grupos de direitos humanos israelenses afirmam que as investigações por conduta criminosa contra tropas israelenses relacionadas à morte de palestinos raramente resultam em condenações.
Dan Owen, pesquisador da organização de direitos humanos Yesh Din, disse que, na última década, apenas uma proporção “ínfima” das investigações resultou em acusações, enquanto a crescente pressão política “dissuade ainda mais as autoridades de aplicação da lei israelenses de responsabilizar os culpados, mesmo quando existem provas claras”.
Leia também Irã responde a Trump com mapa que chama Califórnia de “novo território” iraniano Enquanto as negociações com Washington seguem travadas, Trump ameaça o Omã e determina corte nos exercícios militares com a Coreia do Sul em meio à escalada da crise no Oriente MédioIrã devolve provocação de Trump e chama Califórnia de “novo território” iraniano
Irã avalia atacar bases dos EUA na Europa, diz Financial Times
Durante a ofensiva de Israel em resposta a um ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra de Gaza, Hind Rajab ficou presa dentro de um carro por horas, implorando por telefone celular aos paramédicos palestinos que enviassem ajuda, enquanto sua tia, seu tio e três primos já estavam mortos. Quando uma ambulância chegou, perdeu-se o contato com a menina e com os próprios socorristas. Doze dias depois, os corpos da menina, de seus parentes e de dois paramédicos foram recuperados da área.
Filme
Um filme sobre a morte de Hind Rajab ganhou o Leão de Prata no Festival de Cinema de Veneza e foi indicado ao Oscar.
Em março de 2025, 15 profissionais de emergência e de assistência humanitária do Crescente Vermelho, da Defesa Civil Palestina e das Nações Unidas foram resgatados de uma vala na areia, no sul da Faixa de Gaza, segundo informaram autoridades da ONU na época.
O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, disse em uma postagem no X que os corpos estavam enterrados perto de “veículos destruídos e bem identificados”, acrescentando: “Eles foram mortos pelas forças israelenses enquanto tentavam salvar vidas. Exigimos respostas e justiça.”
As forças israelenses afirmam que nunca atacaram deliberadamente civis na guerra de Gaza. Elas alegam que o grupo militante palestino Hamas coloca em risco a vida dessas pessoas ao usá-las como escudo humano.
Na época, as Forças Armadas de Israel não se pronunciaram diretamente sobre as mortes dos funcionários do Crescente Vermelho. Em comunicado posterior à Reuters, afirmaram ter facilitado a retirada dos corpos da área, que descreveram como uma zona de combate ativa. Não responderam especificamente às perguntas sobre por que os corpos foram retirados de debaixo da areia ou por que os veículos foram encontrados esmagados.
Eid Aziz, diretor de mídia do Crescente Vermelho, disse à Reuters:
“Mais importante do que abrir a investigação é que isso deveria ter sido evitado. O emblema do Crescente Vermelho Palestino é protegido por leis internacionais, e a equipe médica deve ser protegida, especialmente enquanto cumpre suas funções e realiza trabalho humanitário.”
























































