O mercado latino-americano tem registrado uma sequência de operações de M&A (fusões e aquisições) envolvendo empresas estrangeiras e suas subsidiárias locais. Segundo o Bradesco BBI, essas companhias têm aproveitado o prêmio de valuation de suas ações em relação às baixas avaliações das empresas latino-americanas para ampliar participações ou até fechar o capital das subsidiárias.
Entre os movimentos recentes, o Santander Brasil (SANB11) se destaca pela oferta lançada pela controladora espanhola para adquirir os cerca de 10% de ações em circulação da operação brasileira.
No caso da Brava Energia (BRAV3), a estatal colombiana Ecopetrol adquiriu o controle da petroleira brasileira após uma oferta aos acionistas minoritários. Já na CBA (CBAV3), a chinesa Chinalco e a australiana Rio Tinto se uniram para assumir o controle da produtora brasileira de alumínio.
A onda de consolidação não começou agora. Antes dessas operações, o mercado já havia registrado o fechamento de capital do Atacadão pelo Carrefour, a aquisição da Santos Brasil pela CMA e a compra da Wilson Sons pela MSC.
Leia tambémSabesp: correção de R$ 16 bi pós-balanço é exagerada e abre oportunidade de compra
Cotação foi pressionada pelo aumento de aproximadamente R$ 800 milhões nas despesas para o período de abril a dezembro de 2026
Construtoras de baixa renda mostram resultados mais consistentes no 2T, diz XP
Todas as incorporadas do segmento reportaram crescimento de receita e a maioria manteve ou ampliou suas margens em relação ao trimestre anterior
Nesse contexto, o Bradesco BBI identificou 32 empresas listadas na América Latina que possuem um acionista estrangeiro, também listado em bolsa no exterior, com participação relevante ou de controle. Para o banco, esse grupo pode representar um terreno fértil para novas operações de consolidação.
A tese ganha força diante das características estruturais dos mercados da América Latina, marcados por baixo free float, participação relevante de estatais, menor presença de investidores institucionais e forte atuação de investidores de varejo.
Um dos destaques do estudo é a possibilidade de multinacionais aumentarem o controle sobre suas subsidiárias latino-americana.
Na lista de possíveis “predadores”, o BBI aponta Ternium, InBev, BBVA e Heineken entre as multinacionais com mais motivos para adquirir suas subsidiárias. A análise considera casos como Ternium e Usiminas (USIM5), InBev e Ambev (ABEV3), além de BBVA na Argentina e na Colômbia e Heineken e a chilena CCU.
Outro ponto destacado pelo banco é o aumento das vendas de participações por fundos de private equity, que aproveitaram a valorização das ações no último ano para reduzir posições, como é o caso da Smart Fit (SMFT3).
Embora essas operações aumentem o free float e a liquidez dos papéis, também podem criar um “overhang” — uma pressão sobre as ações diante da possibilidade de novas vendas. O BBI identificou 20 companhias latino-americanas nas quais os fundos ainda possuem participações que poderiam ser desinvestidas, avaliadas em cerca de US$ 7 bilhões. A lista inclui AGI, Inter (INBR32), XP (XPBR31) e, especialmente, OceanPact (OPCT3).
O estudo também chama atenção para uma possível nova onda de listagens. O BBI identificou 32 empresas latino-americanas não listadas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, os chamados unicórnios. Juntas, elas têm valuation de aproximadamente US$ 67 bilhões, segundo os valores da última rodada de financiamento.
Fintechs e empresas de consumo dominam a lista, liderada pela colombiana Rappi. Entre os brasileiros estão QuintoAndar e C6 Bank. O banco destaca que essas companhias podem eventualmente acessar o mercado de capitais, em um movimento semelhante ao da AGI, que realizou seu IPO neste ano.
Para o BBI, a combinação entre baixo free float e valuations relativamente baixos ajuda a explicar o tamanho reduzido dos mercados de capitais latino-americanos em comparação com os mercados desenvolvidos — e, ao mesmo tempo, cria oportunidades para consolidação, desinvestimentos e novas ofertas de ações.