Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
A semana de 15 a 21 de fevereiro foi marcada por decisões judiciais e dados econômicos relevantes. A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, por invadir competências do Congresso.
Nos Estados Unidos, o PCE subiu 0,4% em dezembro, acima do esperado, com alta anual de 2,9%. O PIB cresceu 1,4% no quarto trimestre de 2025, abaixo da projeção de 2,8% e desacelerando frente ao trimestre anterior, segundo o Bureau of Economic Analysis. No Brasil, o IBC-Br recuou 0,20% em dezembro, melhor que a expectativa de queda de 0,50%, informou o Banco Central do Brasil. No trimestre, o indicador avançou 0,40%.
Confira as principais variações da semana
Altas
A Axia Energia (AXIA6) liderou os ganhos, com alta de 7,90%, após propor a migração ao Novo Mercado da B3. A operação, que será votada em assembleia em 1º de abril de 2026, prevê a conversão das ações preferenciais em ordinárias, na proporção de 1,1 ON para cada PN, simplificando a estrutura acionária e elevando o nível de governança.
A PetroReconcavo (RECV3) subiu 7,74% após informar à Comissão de Valores Mobiliários a reorganização da diretoria, com redução de um cargo estatutário e redistribuição de funções. O diretor Felipe Wigg deixará o posto até fevereiro de 2026, garantindo transição alinhada às diretrizes de governança.
A Vamos (VAMO3) avançou 6,86% na semana, impulsionada pelo retorno das ações acima das médias móveis de curto prazo. O Índice de Força Relativa indica predominância de compras, embora já se aproxime de níveis mais elevados.
A Azzas 2154 (AZZA3) avançou 6,78% após anunciar a unificação das unidades que reúnem marcas como Hering e Arezzo & Co, incluindo Arezzo, Schutz e Anacapri, em uma única business unit. A medida busca gerar sinergias operacionais, reduzir custos e fortalecer a estratégia de crescimento.
A Cosan (CSAN3) avançou 6,70%, refletindo desdobramentos envolvendo a Raízen (RAIZ4), controlada em conjunto com a Shell. A Raízen admitiu a possibilidade de um aporte de capital maior para equacionar sua estrutura financeira, movimento visto como passo relevante para uma reestruturação mais objetiva.
A Brava Energia (BRAV3) teve alta de 6,56% após informar que está autorizada a concluir a cessão de 37,5% no campo de Papa-Terra. A companhia poderá avançar nos trâmites junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e demais órgãos competentes para finalizar a operação.
Baixas
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) recuou 11,93%, pressionado por instabilidade na gestão, com três CEOs em pouco mais de quatro meses, e pelo elevado nível de endividamento. A dívida líquida somava R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025, em meio à queima de caixa recorrente.
A Raízen (RAIZ4) caiu 4,76% após o fundo Wellington Management reduzir sua participação para 9,87% das ações preferenciais, movimento acompanhado de perto em meio às discussões sobre alavancagem e necessidade de capital.
O Assaí (ASAI3) perdeu 4,04% após o Carrefour anunciar plano estratégico até 2030 com foco em ampliar a competitividade no atacarejo, incluindo política de preços mais agressiva e expansão de lojas, o que tende a intensificar a concorrência no setor.
A WEG (WEGE3) recuou 3,36% antes da divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. O JPMorgan Chase incluiu a companhia em lista de atenção para possíveis catalisadores negativos, apesar de manter recomendação overweight.
Já a Suzano (SUZB3) recuou 2,54%. A companhia informou que manterá a produção de celulose cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal em 2026, preservando a estratégia de disciplina de oferta, e anunciou programa de recompra de até 6,5% das ações em circulação.
A semana combinou decisão judicial relevante nos Estados Unidos, indicadores econômicos divergentes e movimentações corporativas no Brasil. No exterior, dados de inflação e crescimento vieram abaixo ou acima das projeções, enquanto, no mercado doméstico, o IBC-Br recuou menos que o esperado. No âmbito corporativo, reestruturações, revisões estratégicas e expectativas de balanços concentraram as principais oscilações da bolsa.
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