Ritmo de alta de 1,5 ponto percentual na Selic é suficiente para entregar meta de 2022, diz ata do Copom
O atual ritmo de alta na taxa básica de juros, a Selic, de 1,5 ponto percentual, é suficiente para entregar a inflação na meta em 2022, de acordo com a ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgada nesta quarta, dia 3. Na semana passada, após o governo afirmar que pretende alterar o teto de gastos para abrir quase R$ 100 bilhões a mais em espaço para despesas no Orçamento do ano que vem, o BC elevou a Selic para 7,75% ao ano, acelerando o aperto monetário, que estava em 1 ponto percentual.
Para muitos analistas, o Copom não conseguirá entregar a meta do ano que vem e se arrisca a não conseguir cumprir inclusive o objetivo de 2023 (a meta para o IPCA do ano que vem é de alta de 3,5%, e a de 2023 de 3,25%, sempre com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo).
No documento, o colegiado afirma que avaliou a possibilidade de um ritmo de alta maior do que 1,5 ponto. “Prevaleceu, no entanto, a visão de que trajetórias de aperto da política monetária com passos de 1,50 ponto percentual, considerando taxas terminais diferentes, são consistentes, neste momento, com a convergência da inflação para a meta em 2022, mesmo considerando a atual assimetria no balanço de riscos”.
O Comitê ainda ressaltou que as contas públicas apresentam um comportamento “melhor do que o esperado”. “No entanto, surgiram, entre as reuniões do Comitê, questionamentos relevantes em relação ao futuro do arcabouço fiscal atual, resultando em elevação dos prêmios de risco. Esses questionamentos também elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas”.
Atividade econômica em 2022
Na avaliação do BC, no ano que vem o crescimento da economia será beneficiado por três fatores.
“Primeiro, pela continuação da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços, mesmo que em menor intensidade do que se antecipava anteriormente; segundo, pelo desempenho de setores menos ligados ao ciclo de negócios, como agropecuária e indústria extrativa; e, terceiro, por resquícios do processo de normalização da economia conforme a crise sanitária arrefece.”