Número de empresas que adiaram e suspenderam IPOs já supera o de estreias na Bolsa em 2021
A quantidade de empresas que interromperam (15) ou cancelaram (52) processos de abertura de capital em 2021 já supera o número de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) no período, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) compilados pelo TradeMap.
Um total de 31 empresas abriram capital neste ano até o dia 26 de outubro, com 21 ofertas de distribuição mista, nove primárias e uma secundária, que movimentaram, juntas, R$ 66,23 bilhões. O número mostra um avanço em relação às 28 estreias de 2020, que levantaram o montante total de R$ 43,92 bilhões.
No mercado de capitais, existem dois tipos de distribuição: a primária, que é quando a companhia emite e vende novas ações ao mercado e os recursos obtidos entram direto para o caixa da empresa; e a secundária, que ocorre quando os atuais acionistas vendem parte de suas fatias.
Interrupções
Desde janeiro, 15 IPOs foram interrompidos, como o da rede de academias Bluefit, que pretendia movimentar cerca de R$ 450 milhões, o da farmacêutica Althaia e o da Environmental ESG, da Ambipar.
As empresas têm até 60 dias úteis contados a partir do comunicado de interrupção de um processo de abertura de capital para tomar a decisão de seguir com a oferta ou cancelar de vez.
Confira as companhias que interromperam seus IPOs em 2021:
Nome
Oferta interrompida até
TÓPICO LOCAÇÕES DE GALPÕES E EQUIPAMENTOS PARA INDÚSTRIAS S.A.
11/11/2021
CONASA INFRAESTRUTURA S.A.
23/11/2021
CSN CIMENTOS S.A.
8/12/2021
ALTHAIA S.A. INDÚSTRIA FARMACÊUTICA
16/12/2021
MADERO INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A.
24/12/2021
BLUEFIT ACADEMIAS DE GINÁSTICA E PARTICIPAÇÕES S.A.
24/12/2021
DORI ALIMENTOS
6/1/2022
ENVIRONMENTAL ESG PARTICIPAÇÕES S.A.
6/1/2022
MONTE RODOVIAS
6/1/2022
VERO
7/1/2022
FULWOOD
11/1/2022
CENCOSUD BRASIL COMERCIAL
18/1/2022
ISH TECH
19/1/2022
CLARANET TECHNOLOGY
19/1/2022
INTERPLAYERS SOLUÇÕES INTEGRADAS
21/1/2022
Fontes: CVM e TradeMap
Desistências
Além das interrupções, 2021 já contou com a desistência de 52 empresas, das quais 44 ofertas eram de distribuição mista, sete primárias, e uma secundária. O número supera em muito os 22 cancelamentos que ocorreram ao longo de 2020.
Veja a seguir a lista de todas as empresas desistentes de 2021:
Nome
Tipo de Distribuição
CONASA INFRAESTRUTURA
Primária
HUMBERG AGRIBRASIL COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE GRÃOS
Mista
UNIGEL PARTICIPAÇÕES
Mista
LUPO
Mista
NOVA HARMONIA
Mista
SÃO SALVADOR ALIMENTOS PARTICIPAÇÕES
Mista
RIO BRANCO ALIMENTOS
Primária
INTERCEMENT BRASIL
Secundária
RIO ENERGY PARTICIPAÇÕES
Mista
ATHENA SAÚDE BRASIL
Mista
HORTIGIL HORTIFRUTI
Mista
IGUA SANEAMENTO
Primária
NADIR FIGUEIREDO
Mista
LG INFORMÁTICA
Mista
ENTALPIA PARTICIPAÇÕES
Mista
HOSPITAL CARE CALEDONIA
Mista
LABORATÓRIO TEUTO BRASILEIRO
Mista
LIVETECH DA BAHIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO
Mista
BIONEXO
Mista
CDF ASSISTÊNCIA E SUPORTE DIGITAL
Mista
CORTEL HOLDING
Mista
UBOOK EDITORA
Mista
GRUPO BIG BRASIL
Mista
MÉTODO ENGENHARIA
Mista
LIBRELATO S.A. IMPELMENTOS RODOVIÁRIOS
Mista
GRUPO AVENIDA
Mista
RIO ALTO ENERGIAS RENOVÁVEIS
Primária
GRUPO FARTURA DE HORTIFRUT
Mista
UNI.CO
Mista
OLEOPLAN S.A. ÓLEOS VEGETAIS PLANALTO
Mista
CTC – CENTRO DE TECNOLOGIA CANAVIEIRA
Mista
CASA & VÍDEO BRASIL
Mista
PRIVALIA BRASIL
Mista
TEGRA INCORPORADORA
Mista
KALLAS INCORPORAÇÕES E CONSTRUÇÕES
Mista
YUNY INCORPORADORA HOLDING
Mista
CFL INC PAR
Mista
URBA DESENVOLVIMENTO URBANO
Primária
W2W E-COMMERCE DE VINHOS
Mista
KALUNGA
Mista
NORTIS INCORPORADORA E CONSTRUTORA
Mista
OCEANA OFFSHORE
Mista
EZ INC INCORPORAÇÕES COMERCIAIS
Primária
GRUPO MPR PARTICIPAÇÕES
Mista
ESTOK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES
Mista
PASCHOALOTTO SERVIÇOS FINANCEIROS
Mista
CANOPUS HOLDING
Mista
BBM LOGÍSTICA
Mista
EMCCAMP RESIDENCIAL
Mista
FARMÁCIA E DROGARIA NISSEI
Mista
GRANBIO INVESTIMENTOS
Primária
AÇU PETRÓLEO
Mista
Fontes: CVM e TradeMap
Piora do mercado pauta decisões
De acordo com comunicados arquivados na CVM, a maioria das interrupções de oferta se deu por conta das condições voláteis de mercado, em um período marcado por maior aversão ao risco.
Embora acumule alta de 5,35% em 12 meses, o Ibovespa registra queda de 10,58% no acumulado deste ano.
Em outubro, o índice já cai 4,11%, pressionado pelo pessimismo com a situação política fiscal brasileira, em meio ao rompimento do teto de gastos com medidas tidas como populistas às vésperas das eleições presidenciais.
Se somado o valor do Auxílio Brasil à prorrogação dos precatórios, o estouro no teto de gastos chega a quase R$ 100 bilhões.
Como se não fosse suficiente o medo do fiscal, o aumento das projeções do mercado para a inflação e para os juros neste ano e a redução das estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país também preocupam os investidores.
Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 25, o mercado espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registre inflação de 8,96% neste ano, a 29ª alta consecutiva da projeção para o indicador.
A meta de inflação de 2021 a ser perseguida pelo BC é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Entretanto, de acordo com o relatório trimestral de inflação da autarquia, a probabilidade de o indicador ultrapassar a meta imposta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano é de 100%.
Para conter o aumento nos preços, o mercado espera novos aumentos nos juros do país.
Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decide o próximo rumo da taxa Selic e a expectativa é de um aumento de pelo menos 1,25 ponto percentual, com os juros básicos saindo dos atuais 6,25% para 7,5% ao ano. Vale destacar que, até a semana passada, o mercado apostava em alta de um ponto percentual.
Segundo o Focus, as estimativas para a taxa Selic chegam a 8,75% no fim deste ano, um aumento de 0,50 ponto em relação à leitura anterior.
Além de aumento da inflação e juros, os brasileiros devem ver a economia brasileira registrar retração neste ano. Conforme o Focus, a estimativa para a evolução do Produto Interno Bruto do país em 2021 caiu de 5,01% para 4,97%. Para 2022, a previsão é que o PIB cresça 1,40%.




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