TradeLetter Semanal | 19 – 25 Julho 2026

Fonte: Shutterstock/Jinning Li

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pela escalada tarifária dos Estados Unidos sobre o Brasil e pela continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã, com Teerã rejeitando uma proposta de cessar-fogo mediada pelo primeiro-ministro iraquiano. O governo norte-americano oficializou uma tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, vigente a partir de 22 de julho, e anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre itens vinculados ao chamado “trabalho forçado”, elevando a tarifa para 37,5% sobre uma parcela relevante das exportações brasileiras. No Oriente Médio, o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses, enquanto o tráfego em Bab el-Mandeb recuou mais de 30%, ampliando os riscos para o abastecimento global de energia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também alertou China e Rússia contra o fornecimento de armas ao Irã, afirmando ter recebido garantias de Xi Jinping e Vladimir Putin de que não estão fornecendo apoio militar a Teerã.


Dólar Ptax (24/07): R$ 5,0666 | Na semana: -1,00% | Em julho: -2,12% | Em 2026: -7,92% | Em 12 meses: -8,28%



Fechamento semanal – em %




Irã rejeita proposta de cessar-fogo dos EUA e conflito entra na 13ª noite consecutiva de bombardeios: O Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, transmitida pelo primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, após visita deste à Casa Branca, em 14 de julho. De acordo com o New York Times, autoridades iranianas e iraquianas confirmaram a recusa, indicando que Teerã não tem interesse em um acordo temporário que deixe sem solução a questão do controle do Estreito de Ormuz. A rejeição ocorreu na 13ª noite consecutiva de bombardeios norte-americanos contra alvos militares iranianos. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou estar “próximo de tomar uma decisão” sobre um ataque de maior escala ao Irã, enquanto o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país não tem motivos para permanecer comprometido com o memorando de entendimento firmado em junho.

Ormuz e Bab el-Mandeb enfrentam pressão simultânea: O fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses. Em paralelo, o tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, recuou mais de 30% após os houthis, no Iêmen, retomarem o bloqueio à Arábia Saudita. Juntos, os dois estreitos respondem por cerca de um quarto das rotas mundiais de abastecimento de petróleo. Companhias marítimas passaram a alterar rotas tradicionais, e parte das embarcações desativou os transponders do sistema de rastreamento durante as travessias.

Trump alerta China e Rússia contra fornecimento de armas ao Irã: Em publicação na rede Truth Social, o presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu China e Rússia de que o fornecimento de armas ou informações estratégicas ao Irã teria consequências graves para os dois países. Segundo o presidente norte-americano, Xi teria afirmado, durante encontro em Pequim, em maio, que não forneceria armas ao Irã em nenhuma circunstância, nem permitiria que empresas chinesas o fizessem. Além disso, o presidente da Rússia, Vladmir Putin, teria feito promessa semelhante. O alerta ocorre em meio a investigações do governo americano sobre um possível fornecimento, por parte de Moscou e Pequim, de informações sobre alvos das bases dos EUA na região. Além do mais, Trump afirmou acreditar nas garantias de Xi Jinping e Vladimir Putin de que não estão participando do conflito

EUA impõem tarifa de 25% e sobretaxa por “trabalho forçado” ao Brasil: O governo norte-americano oficializou a tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, vigente a partir de 22 de julho, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida cita práticas consideradas desleais pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, incluindo decisões judiciais que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas americanas, barreiras ao etanol e um enforcement considerado insuficiente na proteção da propriedade intelectual. Na sequência, o governo americano anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos vinculados ao chamado “trabalho forçado”, aplicável ao Brasil e a outros países que não adotaram restrições equivalentes às norte-americanas. Para 85,3% das exportações brasileiras sujeitas à medida, as sobretaxas tornam-se cumulativas, elevando a tarifa total para 37,5%. O Brasil anunciou que contestará as medidas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e avalia adotar medidas de reciprocidade. Os principais produtos da pauta exportadora, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e componentes aeronáuticos, permanecem isentos.


Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas  

Maiores Baixas 


Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: CSN Mineração (CMIN3)

Preço de Fechamento (24/07/2026): R$ 5,69 | Variação Semanal: +6,75% – A valorização foi impulsionada pela aceleração do programa de recompra de ações da companhia, somada ao ambiente de menor liquidez no mercado brasileiro, fatores que favoreceram um movimento de short squeeze e sustentaram os papéis ao longo da semana.

Pior Desempenho: Hapvida (HAPV3)

Preço de Fechamento (24/07/2026): R$ 9,92 | Variação Semanal: -12,83% – A queda refletiu as preocupações do mercado com a continuidade da redução da base de beneficiários da companhia, fator que levou analistas a postergar as expectativas de recuperação operacional. A persistência de custos assistenciais elevados e as incertezas em torno da execução da estratégia da nova administração também contribuíram para pressionar as ações.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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Destaques da semana

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