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TradeMap Explica: Como investir com R$ 5 mil no Tesouro Direto?

TradeMap Explica: Como investir com R$ 5 mil no Tesouro Direto?

Investidor deve considerar prazo do investimento e cenário macroeconômico, que é de Selic em alta

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Tem dúvidas sobre quais passos dar para deixar as contas organizadas ou está com algum receio em relação a determinado investimento?

Lidar com o dinheiro sempre suscita certa insegurança, mas com conhecimento é possível tomar a decisão mais inteligente para encarar o universo financeiro, seja na hora de investir, economizar ou se planejar.

E se precisar de uma ajuda, é só enviar sua pergunta para o e-mail redacao@trademap.com.br que a coluna TradeMap Explica vai esclarecer todas as suas dúvidas sobre finanças pessoais e investimentos.


Tenho R$ 5 mil e quero começar a investir no Tesouro Direto. Quais títulos devo comprar?

O Tesouro Direto acaba sendo a opção mais lembrada por quem quer começar a investir e não está disposto a correr (muito) risco. De fato, os títulos públicos, do governo federal, têm baixíssimo risco de crédito, mas vale lembrar que há outros fatores que devem ser considerados na hora de montar a carteira inicial.

O objetivo do investimento, o perfil do investidor e o cenário econômico são questões que devem ser levadas em conta na hora de tomar a decisão.

“Se o investidor escolher o título errado no momento errado, poderá ter prejuízo com o título público caso precise resgatá-lo”, diz Marília Fontes, sócia e analista de renda fixa da Nord Research.

No Tesouro Direto, são três tipos de títulos disponíveis. Os que seguem os juros (Tesouro Selic), aqueles que pagam uma taxa predeterminada (Tesouro Prefixado) e aqueles que são atrelados à inflação (Tesouro IPCA), que pagam uma taxa fixa e outra variável, conforme a variação do IPCA.

O primeiro ponto a ser levado em consideração é o objetivo do seu investimento. No caso de um investidor iniciante, a primeira preocupação deve ser a formação de uma reserva de emergência, que é aquele colchão destinado a momentos de imprevisto, como a perda da renda.

Victor Zucchi Meneghel, sócio da assessoria financeira Valor Investimentos, lembra que essa reserva deve ficar em um ativo que tenha liquidez e, no caso do Tesouro Direto, o Tesouro Selic é a melhor opção. Esse título tem um investimento mínimo por volta de R$ 115.

“A Selic está em 11,75% e deve subir para próximo de 13%. É uma taxa muito boa para um título com liquidez e que é seguro”, diz.

O último boletim Focus, compilado do Banco Central com as projeções do mercado financeiro para os principais indicad0res da economia, apontava para uma Selic de 13% ao fim de 2022.

Diversificação com Tesouro IPCA+

Com a reserva de emergência formada, o investidor pode pensar em uma diversificação de títulos. E novamente levando em conta o cenário macroeconômico, o Tesouro IPCA é o papel mais recomendado no momento.

Mas aí surge outra dúvida. O Tesouro Direto oferece uma série de títulos, com prazos diferentes. No caso do Tesouro IPCA, o mais longo tem vencimento em 2055.

Para Flávio de Oliveira, sócio do escritório de agentes autônomos Zahl Investimentos, o mais recomendável é apostar em títulos com vencimento em prazos intermediários, isto é, nada que vá muito além de 2030.

Para quem quer essa correção pela inflação, há a opção do Tesouro IPCA+ 2026, que paga nesta quinta-feira (14) o índice mais uma taxa de 5,38% ao ano, e o Tesouro IPCA+ 2035, com a variação do IPCA acrescida de 5,63% ao ano. O valor mínimo de investimento é de pouco mais de R$ 30 em cada um deles (ou seja, nem precisa de R$ 5 mil para começar a investir).

Há ainda o Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2032. Nesse caso, a taxa é de 5,60% ao ano (mais a correção da inflação). O aporte mínimo está em torno de R$ 40.

“O problema de comprar um título com vencimento muito longo é estar mais sujeito à volatilidade se precisar se desfazer dos papéis antes”, explica.

Essa perda é causada pela “marcação à mercado”, que nada mais é do que o mercado refletindo a negociação do ativo em uma determinada data. Se na hora da venda os títulos do Tesouro estiverem negociados por uma taxa superior ou inferior ao da cotação de hoje, o mercado vai se ajustar para “compensar” a diferença.

Na prática, seu papel pode estar mais caro ou mais barato do que o valor original de compra.

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Como há o risco da marcação a mercado, Oliveira aconselha a sempre pensar de forma conservadora na escolha dos prazos, evitando em um primeiro momento os vencimentos muito longos.

Fontes, da Nord, explica que prazos muito longos são arriscados para pessoas físicas, dadas as constantes surpresas inflacionárias – com mais inflação, é natural que se espere um ajuste para cima nas taxas de juros, e uma consequente redução dos preços.

“E temos um cenário inflacionário em todo o mundo, o que também pode influenciar os nossos juros”, diz.

Prefixados em risco

O investidor ainda tem a opção dos papéis prefixados, mas, diante do cenário atual, eles são pouco indicados. O melhor momento para a compra desses papéis é aquele em que o investidor acredita que o juro já está em um patamar muito elevado e que não irá mais subir e que, em algum momento, a Selic entrará em trajetória de queda.

Para Oliveira, esses papéis podem fazer parte da estratégia de diversificação de uma carteira, mas se atentando para o risco de maior volatilidade.

O Tesouro Prefixado com vencimento em 2033 está pagando um juro de 12,13% ao ano e o de 2029, 12,06%. O investimento mínimo para cada um deles é de pouco mais de R$ 30.

“Uma estratégia de diversificação é ter 30% com maior liquidez, no Tesouro Selic, e o restante em Tesouro IPCA. Se o investidor acredita que os juros vão cair, pode incluir uma parcela de prefixados”, diz.

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