Em um mês em que o cenário externo pautou as discussões – e a volatilidade -, o dólar foi o ativo financeiro que apresentou a maior valorização. A moeda americana encerrou setembro com alta de 4,39%. O Ibovespa se recuperou no último pregão do mês e fechou com alta de 0,47%.
Também tiveram bom desempenho as aplicações em renda fixa, com destaque para o IMA-B 5+, que registrou alta de 2,39% no mês. Esse indicador espelha o comportamento médio dos títulos públicos corrigidos pelo IPCA e com vencimento em prazos superiores a cinco anos.
Já na lanterna das aplicações financeiras, a criptomoeda Bitcoin amargou perdas de 16,9%.
A valorização do dólar frente ao real está inserida em um contexto de fortalecimento global da moeda.
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) iniciou o processo de alta de juros em março. As taxas estão no patamar entre 3% e 3,25% ao ano, o que atrai os recursos de investidores globais. Essa migração se acentua em um cenário em que se espera recessão global.
“O receio de recessão faz os investidores buscarem segurança. A Europa está atrasada no processo de aumento de juros, então o investidor global busca o rendimento maior ofertado pelos EUA”, diz Michael Viriato, estrategista da assessoria de investimentos Casa do Investidor.
A valorização do dólar, em tese, poderia estimular os ganhos para quem investe em BDRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na B3). No entanto, as bolsas americanas tiveram um mês negativo, fazendo com que o índice de BDRs, o BDRX, tivesse queda de 8,4%.
Essa apreciação do dólar, na visão de Viriato, deve continuar nos próximos meses.
Renda fixa
Além do dólar, os investimentos em renda fixa tiveram bom desempenho no mês, refletindo a taxa Selic de 13,75%.
O Banco Central (BC) manteve os juros nesse patamar na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), mas a expectativa é que a taxa só comece a cair em meados de 2023, o que ainda deixará os investimentos em renda fixa com destaque.
“A renda fixa continuará atrativa por um bom tempo. Mesmo que a Selic comece a cair em 2023, irá terminar o ano na casa dos dois dígitos. É um resultado interessante para o investidor”, diz Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial.
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E é essa atratividade que leva os investidores a alocarem mais recursos nos fundos de renda fixa do que em outras categorias. Essas carteiras acumulavam em setembro, até o dia 27, R$ 13,9 bilhões em aportes, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Empresas dos Mercados Financeiro e de Capitais).
No mesmo período, os fundos de ações e multimercados registraram saques de, respectivamente, R$ 3,1 bilhões e R$ 12,1 bilhões.
Volatilidade
A expectativa de queda dos juros tende a beneficiar os investimentos em ações, já que as empresas terão uma queda no custo de capital e poderão, assim, produzir e vender mais.
Viriato, da Casa do Investidor, alerta que embora essa premissa seja válida, investidores precisam ter em mente que o cenário de maior incerteza no exterior pode afetar a renda variável no Brasil.
“O Brasil não é uma ilha. As decisões de investimento são feitas de forma relativa. Se os ativos globais caírem muito, há um reflexo interno também”, explica.
Esperar até que os juros de fato comecem a subir também não é o ideal, já que o investidor tende a perder boa parte da recuperação das ações.
Sua recomendação é que, no curto prazo, o investidor aumente a alocação em ações, mas faça isso de forma gradual.
Essa cautela está atrelada ao cenário de maior volatilidade.
O índice Vix, também chamado de “índice do medo”, está acima dos 30 pontos, o que indica que o mercado está em “alerta”. No mês anterior, esse indicador estava abaixo dos 20 pontos, o que mostra que o cenário piorou.