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Por que o crédito a pessoas físicas será puxado mais uma vez pelo uso do cartão em 2022?

Por que o crédito a pessoas físicas será puxado mais uma vez pelo uso do cartão em 2022?

Brasileiro começa o ano com mais de metade da renda comprometida com pagamento de dívidas

notas real
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O cartão de crédito deverá repetir o desempenho de 2021 e ser a modalidade de empréstimo com maior destaque neste ano. O maior uso está atrealado ao aperto no orçamento das famílias de um lado e, do outro, uma maior retomada do setor de serviços.

No ano passado, o saldo das operações de crédito por meio do cartão somou R$ 391,849 bilhões, alta de 36,6% em relação a 2020, desempenho bem superior ao registrado pelo total de crédito no país — com crescimento de 16,5%, chegando a R$ 4,684 trilhões, segundo dados do Banco Central (BC).

“O cartão deve continuar com participação alta por conta da facilidade de uso, mas a motivação varia de acordo com a classe social”, diz Izis Ferreira, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

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O crescimento do crédito via cartão se deu nas compras à vista, parceladas e no rotativo, que é quando a pessoa não consegue quitar integralmente a fatura.

Para Ferreira, nas classes de renda mais baixa, o maior uso do cartão está ligado ao aperto na inflação. Com o mercado de trabalho ainda precário e a inflação em alta, em especial nos itens essenciais, as famílias recorrem ao cartão para diluir os gastos.

Já para quem sente menos a inflação de itens essenciais, o uso do cartão está mais atrelado ao segmento de serviços. A economista lembra que viagens e atividades de lazer (teatros, shows) são muitas vezes pagas com cartão.

Endividamento em alta

O saldo de todas as operações de crédito a pessoas físicas, ou seja, considerando outras modalidades, cresceu 20,8% em 2021, chegando a R$ 2,708 trilhões.

Esse ritmo de alta atrelado a uma renda ainda comprimida se refletiu no endividamento do brasileiro. Segundo o BC, o endividamento em outubro (dado mais recente) chegou a 51,2%, o mais alto da série atual e um crescimento de 9,2 pontos percentuais em um ano. Isso significa dizer que as dívidas das famílias representam 51,2% da renda acumulada em 12 meses.

Mesmo com o endividamento em alta, outra modalidade que deve ter destaque em 2022 é o financiamento imobiliário, que chegou a dezembro com um saldo de R$ 815 bilhões e crescimento de 14,3%.

No entanto, a demanda por esse tipo de crédito nesse ano estará mais vinculada às classes de renda mais elevada. Mais uma vez, a explicação é o efeito da inflação no orçamento das famílias.

“É a classe de maior renda que tem aproveitado mais o financiamento imobiliário. Ela direcionou o consumo para a troca de imóvel”, avalia a economista da CNC.

Por outro lado, as famílias de renda menor precisam lidar com aumentos expressivos em alimentação, energia e transporte, reduzindo a disponibilidade para assumir um financiamento imobiliário, ainda mais em um cenário de elevação dos juros — a taxa Selic está em 9,25% ao ano, mas deverá sofrer nova alta na próxima semana.

Esse cenário de maior risco deve fazer com que o crédito desacelere em 2022, segundo estimativas da Genial Investimentos.

“A combinação de atividade mais fraca, inflação elevada, aumento dos juros e a retirada de estímulos fiscais deve atenuar a demanda por crédito tanto das empresas quanto das famílias.”

Esse contexto de desaceleração do crédito, por outro lado, deve contribuir para a manutenção dos índices de inadimplência. Os atrasos acima de 90 dias para as pessoas físicas corresponderam a 3% ao fim de dezembro e, considerando todo o crédito do país, a 2,3%, alta de 0,2 ponto percentual em 12 meses.

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