A semana começa tensa, com os investidores aguardando as decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos na próxima quarta-feira (15) e repercutindo informações de que, após o aumento de notificações de casos de Covid-19, a China reforçará restrições à circulação em Pequim.
A chance de novos lockdowns rigorosos no gigante asiático chega em um momento em que o mercado já está preocupado com a possibilidade de o Federal Reserve, banco central dos EUA, adotar um discurso mais duro para a política monetária daqui para a frente.
A divulgação na última sexta-feira (10) de que o CPI (índice de preços ao consumidor americano) teve alta mensal de 1% em maio, acima do esperado, reforçou esse quadro.
Na manhã desta segunda-feira (13), os índices futuros americanos caem forte: por volta das 8h20, o Dow Jones caía 1,67%, o S&P 500 recuava 2,12% e o Nasdaq estava em queda de 2,177%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50 perdia 2,18%.
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Parte do mercado vinha acreditando que a autoridade monetária dos EUA poderia interromper o ciclo em setembro, mas a indicação de que a inflação pode não ter chegado ainda a seu pico reduziu essa possibilidade. O receio dos investidores, que vem se traduzindo em quedas das bolsas, é que o Fed seja obrigado a contratar uma recessão da economia para frear a alta de preços.
Copom
Por aqui, a expectativa é de um aumento de 0,50 ponto na taxa básica, a 13,25%, com os economistas de olho no comunicado da decisão.
Parte do mercado espera que o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) irá indicar que para por aí, mas outros economistas veem chance de que, em meio às pressões sobre a inflação de 2023, o BC deixe a porta aberta para mais aperto em agosto.
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As decisões são acompanhadas com grande expectativa pelo mercado, já que taxas de juros mais altas reduzem a atratividade de ativos de maior risco, ao mesmo tempo em que têm impacto sobre a atividade econômica.
ICMS
Os investidores ainda acompanham a votação do projeto que limita a 17% as alíquotas do ICMS de combustíveis, energia e comunicações, que já foi aprovado na Câmara e que deve ser votado no Senado nesta segunda-feira (13).
A votação é considerada essencial para que o governo Bolsonaro coloque em prática o seu plano de zerar os impostos federais para a gasolina e etanol e instituir o ressarcimento de Estados que eliminarem, até o final do ano, o ICMS do diesel e gás de cozinha.
Se a matéria for aprovada, o presidente da Câmara, Arthur Lira, espera votar em um mês a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que cria esse pacote. O objetivo é reduzir a inflação elevada em ano eleitoral.
A medida teria um custo de R$ 46 bilhões para os cofres públicos, e reduziria o valor do litro da gasolina em R$ 1,65 e o diesel em R$ 0,76. O receio é que os benefícios da proposta para a inflação sejam anulados com novos reajustes dos combustíveis pela Petrobras, que está sob pressão da disparada do petróleo no mercado internacional.
Veja abaixo a agenda completa:
Terça-feira
Às 9h, o IBGE informa a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) de abril.
Quarta-feira
Às 9h30, será divulgado o PPI (Índice de Preços ao Produtor) dos Estados Unidos em maio.
Às 23h, saem os dados de produção industrial, vendas do varejo e taxa de desemprego da China em maio.
Quarta-feira
Às 15h, o Federal Reserve anuncia a nova taxa de juros dos EUA.
Às 15h30, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, concede entrevista coletiva sobre a decisão de política monetária.
A partir das 18h30, sai a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sobre taxa de juros.
Quinta-feira
Às 8h, o BoE (Banco da Inglaterra) informa a nova taxa de juros do Reino Unido.
Às 9h30, saem os dados atualizados de pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos.
Sexta-feira
Às 6h, a Eurostat informa o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) da Zona do Euro em maio.