Sob efeito Americanas (AMER3) e pacote econômico, Bolsa cai 0,84% e fica acima dos 110 mil pontos

Principal índice da B3 fechou a segunda semana de 2023 em alta de 1,79%

Foto: Shutterstock/Immersion Imagery

Em um pregão marcado pelo rescaldo da Americanas (AMER3) e com os investidores digerindo o pacote anunciado pelo ministro da Fazenda na véspera, o Ibovespa encerrou o último pregão da semana em baixa de 0,84%, aos 110.916 pontos.

Com o resultado, o principal índice da B3 fechou a semana em alta de 1,79%, enquanto desde o início do ano a Bolsa registra avanço de 1%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Em Nova York, os mercados fecharam em altas moderadas, refletindo as primeiras divulgações da temporada de balanço do quarto trimestre do ano passado. Como de costume, a largada foi dada pelos bancões.

Americanas dispara

Após despencar quase 80% ontem em resposta ao rombo de R$ 20 bilhões e a saída do CEO, Sérgio Rial, a Americanas (AMER) disparou 15,81% nesta sexta-feira (13).

O papel passou de R$ 12 na quarta-feira (11) para R$ 3,15 no fechamento do pregão, o que pode estar sendo encarado por alguns investidores como oportunidade de compra. É importante ressaltar que, para voltar ao nível anterior, será necessária uma valorização de mais de mais 335% na ação da Americanas.

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O movimento foi acompanhado pela alta de 7,52% dos papéis da Magazine Luiza (MGLU3), que já haviam subido na véspera com a expectativa de que os aportes retirados da Americanas sejam direcionados à concorrente.

Para os analistas da Terra Investimento, Régis Chinchila e Luis Novaes a retomada dos papéis da Americanas condiz com a estratégia anunciada para que os bancos renegociassem o débito acumulado, “apesar de condicionada ao aumento de capital” da empresa.

“As outras empresas do setor, que foram impactadas pelas preocupações de que as inconsistências contábeis também fossem encontradas em seus balanços, se explicaram e demonstraram o que aconteceu com a Americanas deve ser um fato isolado”, escreveram os analistas.

Ainda no grupo de altas, destaque para a valorização da Minerva (BEEF3), com alta de 4,67%, enquanto Carrefour (CRFB4) e SLC Agrícola (SLCE3) ganharam 2,50% e 1,51%, nesta ordem.

O pelotão de baixas foi liderado pelas ações da BRF (BRFS3), com tombo de 6,54%. Na sequência apareceram Alpargatas (ALPA4), CVC (CVCB3) e Azul (AZUL4) que recuaram 6,13%, 5,93% e 5,36%, respectivamente.

Economia anuncia pacotes para superávit

O ministro Fernando Haddad anunciou na quinta-feira (12) medidas para aumentar a arrecadação e algumas iniciativas para diminuir despesas. A estimativa é que elas, juntamente com uma revisão para cima na projeção de receita do governo, permitam um superávit primário de R$ 11,13 bilhões neste ano – ou seja, o contrário do que estava previsto no Orçamento, que era um déficit de R$ 231,5 bilhões.

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Ficar no azul, no entanto, só seria possível se todas as propostas anunciadas fossem adotadas e tivessem o efeito esperado, ressaltou o ministro. O governo, portanto, vai buscar um objetivo mais realista, de déficit primário entre 0,5% e 1,0% do PIB neste ano.

O mercado, porém, ainda aguarda mais medidas prevendo cortes nas despesas, e ressalta que é difícil medir a adesão e a eficácia de um dos programas anunciados ontem para aumentar a arrecadação, o Litígio Zero.

“A expectativa do mercado agora fica na execução do plano, e como adiantou o ministro, não é garantido que o resultado ótimo seja atingido, tornando o déficit em superávit, mas é esperado que o déficit seja reduzido”, afirmaram os analistas da Terra Investimentos.

Bolsas globais e criptos

No exterior, os principais mercados globais fecharam em alta comedida, repercutindo a direção dos juros americanos após dados da inflação em linha com o esperado, conforme divulgado na véspera.

O mercado também passa a digerir os dados das empresas americanas com o início da temporada de balanços. Os dados devem dar mais sinais sobre o grau de aquecimento da maior economia do mundo e indicar se a luta contra a inflação ainda deverá tomar mais tempo.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,33%, enquanto S&P 500 avançou 0,40% e a Nasdaq valorizou 0,71%. No outro lado do Atlântico, o Euro Stoxx 50 fechou com ganhos de 0,60%.

Se descolando das Bolsas, o mercado cripto estendeu o rali visto nos últimos dias, com o Bitcoin (BTC) retomando a cotação pré-FTX e registrando alta de quase 15% em uma semana.

Por volta das 17h25, o BTC tinha ganhos de 2,6% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 19,3 mil, segundo dados da plataforma CoinGecko. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) perdia 0,6%, a US$ 1,4 mil.

 

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