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Ibovespa segue cautela do exterior e fecha em queda; saldo do mês é de alta

Ibovespa segue cautela do exterior e fecha em queda; saldo do mês é de alta

Índice tem recuo de 0,22%, aos 119.999 pontos; saldo de março é de valorização de 6,06%

Foto de operadores de ações observando gráficos em seus computadores

Foto: Shutterstock

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O Ibovespa passou o pregão desta quinta-feira (31) rondando a estabilidade, seguindo o movimento das bolsas do exterior, mas acentuou as perdas perto do fechamento, com os mercados cautelosos diante do pouco progresso das negociações entre Rússia e Ucrânia e das perspectivas de juros mais altos para conter a inflação.

Nesse cenário, o principal índice da Bolsa de valores brasileira fechou em baixa de 0,22%, aos 119.999 pontos, com R$ 22,9 bilhões em volume negociado. O saldo para o mês de março, porém, foi de alta de 6,06%, enquanto a valorização desde o início do ano é de 14,46%.

No exterior, as Bolsas tiveram suas perdas acentuadas ao longo da tarde, refletindo a queda do petróleo. Em Nova York, o Dow Jones teve baixa de 1,56%; o S&P 500, de 1,37%; e o Nasdaq, de 1,54%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve queda de 1,43%.

Petróleo dá o tom

Mais uma vez, a falta de progresso nas negociações entre a Rússia e a Ucrânia pesou sobre os mercados.

O petróleo tipo Brent teve forte queda de 6,04%, a US$ 104,71, com a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, decidiu liberar 1 milhão de barris por dia dos estoques estratégicos do país pelos próximos seis meses para tentar controlar os preços da energia.

Na mesma frente, a Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) manteve o aumento de oferta em 432 mil barris por dia a partir de maio.

Refletindo a queda da commodity, PetroRio (PRIO3) teve queda de 5,06% e 3R Petroleum (RRRP3), de 0,83%. Exceção, a Petrobras (PETR4) fechou em alta de 1,39%.

No sentido contrário, o minério de ferro teve alta de 3,34% na Bolsa chinesa de Dalian, cotado a US$ 141,41, mas não foi capaz de assegurar uma alta para as mineradoras e siderúrgicas. Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3) se destacam entre as baixas, com perdas de 2,65% e 2,44%, respectivamente.

A Vale (VALE3) caiu 0,28%, mesmo após uma reportagem da agência de notícias Bloomberg alegando que a mineradora teria fechado um acordo de fornecimento de níquel para a Tesla.

De acordo com comentários da equipe de analistas da Ativa Investimentos, a notícia, se confirmada, reforçaria o posicionamento estratégico da companhia neste segmento, o que é positivo. “Acreditamos que o fato de 70% de sua produção ser premium pode levar a companhia a realizar mais acordos de longo prazo como este, fazendo a Vale se posicionar como um importante player desta cadeia”, afirmam.

Inflação prevalece

A pressão inflacionária ao redor do mundo, mesmo com a baixa do petróleo, segue gerando a percepção de que mais altas de juros serão necessárias para conter a escalada dos preços.

Nos EUA, os investidores acompanharam a divulgação do núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), que registrou um aumento de 5,4% em 12 meses até fevereiro, o maior desde 1982. Além disso, as expectativas dos americanos estão por conta do payroll, indicador econômico que apresenta a folha de pagamentos nos EUA de março, que será divulgado na sexta-feira (1).

Por aqui, o noticiário político também teve grande repercussão nesta quinta-feira. Ao longo da tarde, circularam notícias de que João Doria teria da candidatura à presidência decidido concorrer à reeleição para o governo de São Paulo, o que foi mais tarde desmentido. Outras notícias indicam que Sergio Moro deve deixar a disputa.

Em dados econômicos, a taxa de desemprego ficou em 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro, a menor taxa para o período desde 2016. O número veio um pouco abaixo do esperado por analistas ouvidos pela Reuters, que estimavam uma desocupação de 11,4%. Em janeiro, a taxa de desemprego também ficou em 11,2%.

Destaques do pregão

No fechamento, as maiores quedas do Ibovespa eram de Méliuz (CASH3), Americanas (AMER3) e PetroRio (PRIO3), com perdas de 5,54%, 5,5% e 5,06%, nesta ordem.

Enquanto a PetroRio reage à baixa do petróleo, Americanas e Méliuz caem na chamada “realização de lucro” – investidores vendendo papéis que se valorizaram recentemente para aproveitar os ganhos, o que acaba causando queda nas ações. Tanto Americanas quanto Méliuz apresentaram subidas nos últimos três pregões.

Na direção oposta, as principais altas do índice eram de Sabesp (SBSP3), Cielo (CIEL3) e Cemig (CMIG4), com ganhos de 5,46%, 4,36% e 2,98%, respectivamente.

Papéis como Cielo, que estão mais expostos à economia doméstica, se beneficiam de uma queda nos juros futuros, reflexo do recuo do petróleo e do dólar.

A Eletrobras (ELET3) subiu 2,79% depois de o relator do processo que analisa a privatização da empresa no TCU (Tribunal de Contas da União) anunciar que irá debater a modelagem da desestatização na próxima quinta-feira (7).

Fora do Ibovespa, a Mobly (MBLY3) disparou 12,38% depois de reportar prejuízo de R$ 16,6 milhões no quarto trimestre de 2021 – perdas 29,8% menores do que as registradas no mesmo período de 2020. Além disso, o Ebitda da empresa passou do negativo para o positivo, em R$ 1,8 milhão.

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